"Érick"
Um mês desde a última vez em que eu a vi. As semanas passaram lentamente, arrastando os dias em uma noite perpétua e dolorosa. Eu vivia para o Grupo Albelini, me afogando em relatórios e auditorias para não pensar nela,mesmo assim ela não saía da minha cabeça nem por um maldito segundo. Eu consegui me esquecer do novo sócio, já não me importava quem ele era, até porque ele realmente se mantinha fora do caminho, mas eu não conseguia esquecer aquela maldita mulher.
O Julian Beaumont tentou se aproximar várias vezes e o Andrey também tentava forçar aquela aproximação, mas eu mantinha a barreira estritamente profissional que eu mesmo havia imposto. Ele não teria chance de me trair outra vez.
E ainda tinha a Alice, cada dia mais distante, cada dia mais difícil e cada dia me odiando mais. Isso era muito doloroso, mas eu tinha a esperança de que mais cedo ou mais tarde ela esqueceria aquela mulher. Ela era só uma criança, as crianças esquecem. Pelo menos a guerra do cabelo estava superada, agora a Maria cuidava disso todas as manhãs. Assim como todas as manhãs eu via os olhos de reprovação da minha mãe durante o café da manhã.
Mas a vida não parou para que eu pudesse recolher os cacos da minha dignidade e do meu coração partido. Eu administrava uma empresa, tinha que falar com pessoas, mesmo que não quisesse, e fingir o mínimo de civilidade. Mas isso também era irritante.
- Érick, até quando? - A minha mãe irrompeu no meu escritório em casa.
- Até quando o quê, mãe? - Eu perguntei de má vontade, sxem tirar os olhos dos relatórios que eu estava revisando.
- Até quando você vai ficar nessa pirraça? Você está sofrendo, a Alice está sofrendo, a Lorena está...
- Não fala o nome desse mulher! - Eu grunhi e a minha mãe bufou como se eu fosse um adolescente rebelde.
- Érick... - Elaz puxou a cadeira a minha frente e se sentou. - Olha para mim, eu estou falando com você!
Dessa vez eu realmente me senti com dezesseis anos, sendo repreendido por ter consumido bebida alcóolica em uma festa e ter arrumado briga. Eu respirei fundo e a encarei.
- O que a senhora quer, D. Heloísa? Eu não vou falar daquela mulher. Ela morreu para mim. - Eu avisei.
- Morreu? Tem certeza? Porque eu vejo como você está, mais magro, quase não dorme, com esses olhos fundos e essas olheiras horríveis. Você está sofrendo e nem adianta negar. E o Andrey me contou o que aconteceu naquela boate.
- O Andrey anda se metendo demais. - Eu elevei o tom de voz. - Aquele lugar é o maldito inferno, mãe! Aquela mulher está lá outra vez, se exibindo, se vendendo...
- Chega, Érick! Seu orgulho te cega! - A voz da minha mãe se sobrepôs a minha. Ela quase nunca falava alto, o que me fez encará-la surpreso. Ela fechou os olhos por um momento e voltou a falar com a voz mais baixa, porém ainda áspera. - Veja bem, Érick, já tem dois meses que tudo aconteceu. Você não moveu um dedo para saber a verdade.

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