"Lorena"
Eu me sentia uma voyeur ali, observando algo tão íntimo e que só dizia respeito a eles dois, mas não tinha como sair, não tinha como evitar e eu sabia que a Marcelina estava prestes a desmoronar.
O silêncio que desabou no balcão do Trono após a Marcelina cortar o Julian foi tão pesado que o Andrey largou o copo de tequila intocado. O Julian continuava estático, o corpo inclinado para a frente, as mãos pairando no ar onde segundos atrás ele segurava a cintura dela. O choque nos olhos dele se transformou em uma fúria possessiva e cega que fez os músculos do seu rosto ficarem rígidos e a sua jugular pulsar visivelmente.
- Você está louca, Marcelina? - O Julian sibilou, os dentes trincados. Ele tentou se aproximar dela, mas a minha amiga recuou mais um passo, batendo as costas no balcão e colocando a mão espalmada na frente dele, claramente dizendo para ele não se aproximar mais. Ela ergueu o queixo com aquela dignidade que eu já reconhecia. Mas ele continuou a falar. - Você me beija desse jeito, se entrega nos meus braços e no segundo seguinte diz que o nosso acordo virou cinzas? Que porra de joguinho é esse?
- Não é joguinho, Beaumont. É a realidade. - A Marcelina rebateu. - Foi o beijo de despedida. Aceita e some daqui.
- Não, não não... - O Julian não queria aceitar. E a própria Marcelina fazia um grande esforço para levar aquilo adiante. - Eu sei quando uma mulher me quer, Marcelina. E reconheço também quando é mais que atração física. E quer saber? Entre nós dois... tem muito mais rolando do que tesão. Eu não estou louco, Marcelina, e você sabe.
- Julian, você realmente é um homem lindo. Capaz de deixar qualquer mulher interessada. Eu não sou de ferro, Baby. - Ela suavizou o olhar, mas não recuou. - Mas nós dois... não rola. Não dá. Não tem futuro.
- Por que você tem tanto medo de admitir que me quer, Marcelina? De entrar nessa comigo? - Ele perguntou com a voz ferida.
- Eu não tenho medo, Julian. Eu tenho é os dois pés no chão. - Ela respirou fundo antes de continuar. - O contrato acabou. Você queria o seu bônus? Você acabou de receber. Aquele beijo foi o pagamento final e a rescisão de qualquer pacto que existia entre nós.
- Eu não aceitei rescisão nenhuma! - O Julian vociferou. - Você e eu temos contas a acertar, Marcelina, e eu não vou ceder ao seu chilique de "ai, somos diferentes... ai, engomadinho de merda... ai, o Albelini..." - O Julian agitou as mãos para cima enquanto falava com uma voz fina e afetada, como se imitasse a Marcelina.
- Não vai rolar, Julian. Não tem acordo, não tem nós dois, não tem nada. - Ela falou cada palavra com aquele tom vazio. - Você quer falar de contas a acertar? Pois olha bem para o que o seu mundo de elite fez com a gente. O preço que estamos pagando. O seu melhor amigo escorraçou a Lorena como se ela fosse lixo. Chamou a gente de puta. Jogou esmola na cara dela na porra do camarote privado! E você... você ficou dizendo que ia nos ajudar e sumiu por semanas!
- Eu estava tentando resolver essa merda toda para salvar vocês duas, porra! - O Julian vociferou, a fúria quebrando o controle dele, o rosto ficando pálido.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite