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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 231

"Julian"

Eu estava sentado em minha sala no Grupo Albelini olhando mais uma vez para a mensagem que a Lorena havia me mandado depois do fora que a Marcelina me deu na boate. Eu não havia respondido, porque eu não conseguia entender o medo da Marcelina. Eu sabia quem ela era e eu não ia ser um babaca como o Érick, ela sabia disso. Então do que ela tinha medo?

Eu estava me sentindo pressionado e nervoso. Por um lado a Lorena estava destruída e o Érick cego de raiva. Por outro a Marcelina estava me afastando. Tinha a Alice, que dava pena de ver o quanto estava sofrendo. E eu mesmo estava sentindo falta do meu amigo. O Albelini era um idiota orgulhoso, mas nós éramos amigos desde sempre e eu sentia falta da nossa amizade. Por fora, eu tentava manter a barreira fria e estritamente profissional que o Albelini havia imposto nas reuniões. Mas por dentro... por dentro o meu peito sangrava com uma frustração brutal. No fim, o Érick e a Marcelina estavam agindo da mesma forma.

Eu deslizei o dedo pela tela do celular mais uma vez, encarando a mensagem da Lorena. Do que a Marcelina tinha medo? Tinha algo por trás disso que ninguém estava me contando. Algo grande. O meu instinto me dizia que tinha algo que eu ainda não sabia, mas a Lorena sim.

Eu fui tirado dos meus pensamentos pela entrada abrupta do Andrey, que entrou sem bater, apressado, parecendo assutado, fechando a porta atrás de si com um baque nada educado. O rosto dele estava pálido e a expressão de choque nítida nos seus olhos indicava que um desastre tinha acontecido. Mas eu nem precisei perguntar, ele já foi falando.

- O Albelini perdeu o juízo de vez, Julian. - O Andrey desabafou, a voz carregada de um profundo desagrado contido. Ele se jogou na cadeira à minha frente, jogando a pasta em suas mãos sobre a mesa. - Acabo de cruzar com ele no corredor da diretoria. Ele estava de braço dado com a Victória Lemos. E a apresentou oficialmente para mim como a sua nova namorada. Na-mo-ra-da! - O Andrey falou pausadamente. - Entende o tamanho desse problema?

O meu sangue congelou por um milésimo de segundo. As pupilas dos meus olhos dilataram. Aquilo era o fim dos tempos.

- Namorada? - Eu perguntei, a minha voz saindo num tom cortante, como se eu não pudesse acreditar. - Rápido assim? O Albelini mal conhece essa mulher, não fez investigação nenhuma sobre ela e assume um relacionamento público com ela? Ele está querendo provar o que com isso? Que uma engomadinha de merda metida a besta é melhor que a Lolô? O Érick está completamente louco, acho que deveríamos sugerir a D. Heloísa que o interne.

- Você falou igual a Marcelina. - O Andrey me observou por um segundo, mas logo voltou a se concentrar no Érick. - Eu não gostei disso, Julian. Nem um pouco. - O Andrey balançou a cabeça de forma categórica. - O tom daquela mulher... a calma e a doçura dela enche a cabeça dele de um jeito esquisito. Ela parece forçada, parece um personagem. Eu nao gosto dela, todos os meus instintos me dizem que isso é problema, mas eu investiguei a terceirizada dela e a empresa parece limpa.

- Parecer não significa que é, Andrey. - Eu comentei, já começando a pensar no que fazer.

- O Érick estufa o peito ao lado dela, dá aquele sorriso frio... ah, você se lembra como ele agia com a mãe da Alice? Está do mesmo jeito. Se lembra como ele se tornou? Frio, distante, praticamente sem sentimentos? É para isso que vamos caminhar de novo. - O Andrey se agitou. - Ele está indo direto para a infelicidade.

- É, mas a diferença é que a mãe da Alice nós conhecíamos muito bem e o Érick não estava separado da mulher que ele amava. - Eu lembrei o Andrey. - Ele ama a Lorena, Andrey, não importa o que ele diga. Mas às vezes o Érick parece gostar de sofrer.

- Eu me pergunto o que foi que a Adelaide entregou a ele, porque ele tem uma certeza inabalável de que a Lorena é garota de programa.

- E daí se fosse? - Eu bufei. - Ele não te mostrou as tais provas?

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