"Érick"
O silêncio que desabou na sala de estar foi cortante. O Andrey se levantou, parecendo desconfortável, sem saber para onde olhar. A minha mãe caminhou até mim, ignorando a presença da Victória, e me encarou com uma severidade e uma tristeza profunda.
- Você também está me expulsando da sua casa, Érick Albelini? - A minha mãe perguntou, a voz mansa, mas que carregava um peso opressor. - Está me enxotando de perto da minha neta por causa dessa pressa estúpida e injustificada?
- Não é expulsão, mãe. É lógica. - Eu respondi com um cinismo frio, me forçando a não alterar a voz para não demonstrar o quanto aquela pergunta me atingia. - Será melhor para a Alice. Vai ser mais fácil para que ela aceite a nova madrasta e a nova ordem se a senhora não estiver aqui para mimar a rebeldia dela e passar a mão na cabeça das pirraçaslém do mais, a senhora precisa voltar para o seu espaço, para as suas coisas, já se sacrificou demais. E eu não dou um garoto, não vou tolerar que questione as minhas decisões, mesmo sendo a minha mãe.
A D. Heloísa me encarou por cinco segundos longos e mortaism, quase conseguindo que eu me arrependesse do que havia acabado de dizer. Ela olhou para mim e em seguida desceu o olhar para o sorriso doce da Victória.
- D. Heloísa, não nos leve a mal. Nós apenas queremos dar estabilidade e rotina para a Alice, para o bem dela. Eu quero ser como uma mãe para ela, mas com a sua presença, eu não terei chance de me aproximar. - A Vicky falou gentilmente, com uma doçura, como se explicasse a uma criança. Mas a minha mãe parecia não querer a minha felicidade.
- Muito bem, Albelini. - A minha mãe falou de forma severa, dando um passo para trás. - Se você prefere queimar todas as pontes por causa da sua soberba, a escolha é sua. Eu vou arrumar as minhas malas. Mas reze, Érick... reze para que essa sua certeza baseada no seu orgulho não se transforme na ruína definitiva do seu amado sobrenome. Porque quando você acordar desse delírio, eu posso não estar mais aqui para recolher os cacos por você. - A minha mãe virou as costas para mim. - Andrey, você se incomoda de me acompanhar até em casa?
- Mãe, o Alberto te leva. - Eu respondi, mas os olhos dela estavam fixos no Andrey.
- Ah, por favor não me tire o prazer da companhia desta grande dama, Albelini. - O Andrey sorriu para mim e olhou para a minha mãe. - Será uma honra acompanhá-la, senhora.
- Obrigada, Andrey. - A minha mãe se virou para mim. - As sextas feiras eu busco a Alice, não se esqueça disso.
- Mãe, é melhor dar um tempo. Para o bom da Alice. Deixe que ela se acostume com a Vicky...
- Não se atreva, Érick, a me privar de estar com a minha neta! - A minha mãe se aproximou com o dedo em riste. - Tente me proibir de vê-la e eu entro na justiça e tomo a guarda dela. E isso não é uma ameaça vazia!
- A senhora não...
- Ah, eu faria! Pela Alice eu faria! - Ela respondeu e pela primeira vez a frieza do seu olhar rachou e eu vi a mágoa ali. - Eu estou saindo da sua casa, mas eu vou ver a minha neta e falar com ela sempre que eu quiser ou que ela me chamar. E às sextas feiras eu a levarei comigo, como sempre foi!
A minha mãe se virou e subiu os degraus com passos firmes e cabeça erguida, me deixando na sala com a Victória e o Andrey. No meio da escada ela encontrou a Maria e a Alice e pegou a minha filha pela mão, a levando com ela para o quarto. Eu apertei a cintura da Vicky, que exalava aquela calmaria mesmo depois dessa tensão.

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