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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 234

"Érick"

O silêncio que desabou na sala de estar foi cortante. O Andrey se levantou, parecendo desconfortável, sem saber para onde olhar. A minha mãe caminhou até mim, ignorando a presença da Victória, e me encarou com uma severidade e uma tristeza profunda.

- Você também está me expulsando da sua casa, Érick Albelini? - A minha mãe perguntou, a voz mansa, mas que carregava um peso opressor. - Está me enxotando de perto da minha neta por causa dessa pressa estúpida e injustificada?

- Não é expulsão, mãe. É lógica. - Eu respondi com um cinismo frio, me forçando a não alterar a voz para não demonstrar o quanto aquela pergunta me atingia. - Será melhor para a Alice. Vai ser mais fácil para que ela aceite a nova madrasta e a nova ordem se a senhora não estiver aqui para mimar a rebeldia dela e passar a mão na cabeça das pirraçaslém do mais, a senhora precisa voltar para o seu espaço, para as suas coisas, já se sacrificou demais. E eu não dou um garoto, não vou tolerar que questione as minhas decisões, mesmo sendo a minha mãe.

A D. Heloísa me encarou por cinco segundos longos e mortaism, quase conseguindo que eu me arrependesse do que havia acabado de dizer. Ela olhou para mim e em seguida desceu o olhar para o sorriso doce da Victória.

- D. Heloísa, não nos leve a mal. Nós apenas queremos dar estabilidade e rotina para a Alice, para o bem dela. Eu quero ser como uma mãe para ela, mas com a sua presença, eu não terei chance de me aproximar. - A Vicky falou gentilmente, com uma doçura, como se explicasse a uma criança. Mas a minha mãe parecia não querer a minha felicidade.

- Muito bem, Albelini. - A minha mãe falou de forma severa, dando um passo para trás. - Se você prefere queimar todas as pontes por causa da sua soberba, a escolha é sua. Eu vou arrumar as minhas malas. Mas reze, Érick... reze para que essa sua certeza baseada no seu orgulho não se transforme na ruína definitiva do seu amado sobrenome. Porque quando você acordar desse delírio, eu posso não estar mais aqui para recolher os cacos por você. - A minha mãe virou as costas para mim. - Andrey, você se incomoda de me acompanhar até em casa?

- Mãe, o Alberto te leva. - Eu respondi, mas os olhos dela estavam fixos no Andrey.

- Ah, por favor não me tire o prazer da companhia desta grande dama, Albelini. - O Andrey sorriu para mim e olhou para a minha mãe. - Será uma honra acompanhá-la, senhora.

- Obrigada, Andrey. - A minha mãe se virou para mim. - As sextas feiras eu busco a Alice, não se esqueça disso.

- Mãe, é melhor dar um tempo. Para o bom da Alice. Deixe que ela se acostume com a Vicky...

- Não se atreva, Érick, a me privar de estar com a minha neta! - A minha mãe se aproximou com o dedo em riste. - Tente me proibir de vê-la e eu entro na justiça e tomo a guarda dela. E isso não é uma ameaça vazia!

- A senhora não...

- Ah, eu faria! Pela Alice eu faria! - Ela respondeu e pela primeira vez a frieza do seu olhar rachou e eu vi a mágoa ali. - Eu estou saindo da sua casa, mas eu vou ver a minha neta e falar com ela sempre que eu quiser ou que ela me chamar. E às sextas feiras eu a levarei comigo, como sempre foi!

A minha mãe se virou e subiu os degraus com passos firmes e cabeça erguida, me deixando na sala com a Victória e o Andrey. No meio da escada ela encontrou a Maria e a Alice e pegou a minha filha pela mão, a levando com ela para o quarto. Eu apertei a cintura da Vicky, que exalava aquela calmaria mesmo depois dessa tensão.

- Boa noite, Srta. Lemos! - A voz da Alice saiu como um fio e ela se virou para a Maria. - Eu estou com fome, posso jantar agora?

- Nós vamos comer todos juntos na sala de jantar, Alice. - Eu respondi e a única resposta da minha filha foi um suspiro triste.

- Alice, nós vamos ser boas amigas. Eu vou ser como uma mãe para você. Você vai gostar de mim. - A Vicky deu um passo em direção a Alice e ela deu um passo atrás.

Eu esperei pelos gritos, mas eles não vieram. A Alice se virou para a minha mãe, que se abaixou para abraçá-la e dizer qualquer coisa. A minha mãe não se despediu de mim, apenas me olhou mais uma vez e saiu.

- Nos vemos no escritório. - O Andrey se despediu com um aceno, mas antes que ele passasse pela porta eu me lembrei de algo.

- Ah, Andrey! Você não precisa mais buscar a Alice para o café da manhã as quartas feiras. Ela precisa se acostumar com a Vicky, acho que pelo menos você entende. - Eu avisei e ele não me respondeu, apenas olhou com tristeza para a Alice que estava de olhos arregalados como se tivesse levado um ta'pa. Com certeza na sua cabecinha eu estava tirando algo bom dela, mas um dia ela entenderia que era para dar algo melhor, a estabilidade de uma família perfeita.

Mas eu não teria tempo para me adaptar a nova rotina, embora exigisse isso da Alice. Na manhã seguinte, eu fui atingido pelas demandas inesperadas do novo sócio da holding e eu nem sabia quem ele era ainda.

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