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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 235

"Érick"

Eu acordei e olhei para o lado, a mulher deitada de costas para mim não tinha absolutamente nada a ver com a outra, nem mesmo a forma de dormir comigo ou de acordar. Eu fui para o banheiro e quando saí do quarto já pronto para ir para o trabalho, ela continuava imóvel na cama. Eu fui direto para o escritório, o único lugar naquela casa que não parecia vazio demais. E depois de responder a alguns e-mails e ver alguns contratos, eu fui para a sala de jantar.

O café da manhã estava silencioso e isso deveria me acalmar, mas cada vez que eu olhava para a Alice comendo de cabeça baixa, como se o espírito feliz dela já não habitasse mais o seu corpo, eu sentia como se levasse uma chicotada direto no coração. E secretamente eu sentia a ausência da minha mãe com um certo abandono.

A Alice estava sentada na minha lateral, o cabelo perfeitamente alinhado sem nenhum laço, apenas caindo para frente como uma cortina conforme ela abaixava a cabeça, como se pudesse escondê-la. Mas eu ainda via o seu rosto infantil coberto de tristeza e ela mal tocava no prato. A Maria servia o café de forma robótica, agindo como uma incógnita sem emoções que ignorava a minha presença. Ela realmente parecia não se incomodar com a presença da Victória.

A Victória estava sentada na outra ponta da mesa, com aquela formalidade antiquada que antes era exigido da dona da casa, usando um robe de cetim claro, exalando aquele perfume sutilmente doce de bergamota e um sorriso de pura felicidade. Ela quebrou o silêncio com aquela suavidade impecável que costumava me acalmar, mas que hoje me causou um leve desconforto no peito.

- Érick, meu querido, eu estive dando uma olhada na estrutura da casa logo cedo. - A Vicky murmurou, dando um gole no chá com elegância. - Como eu me mudei definitivamente e nós vamos nos casar em dez dias, acho que não faz sentido ocuparmos aquele quarto do corredor oposto. Não entendo porque você o prefere. Nós deveríamos ocupar a suíte maior da casa, no mesmo corredor do quarto da Alice. É o maior quarto, claramente a suíte master, o nosso espaço de direito como casal. Eu vou dar a ordem para a Maria mudar as nossas coisas para lá antes do almoço.

O meu estômago revirou no mesmo milésimo de segundo. Algo no meu peito pareceu gritar. A suíte master. Aquele quarto era o refúgio onde eu havia feito amor com a Lorena apaixonado, cego, totalmente entregue. Era o lugar onde eu a possuía sentindo o cheiro de coco e açúcar mascavo na pele dela. Ver a Victória sugerindo ocupar aquela cama, espalhar os vestidos em tons pastel dela no closet que a Lorena ocupava, me causou uma repulsa primitiva que eu precisei lutar para esconder. Aquele quarto havia se tornado o meu túmulo, uma cripta intocável.

- Não, Vicky! - Eu respondi, a minha voz saindo mais áspera e fria do que eu pretendia, fazendo a Alice se sobressaltar na cadeira ao meu lado. - O quarto de hóspedes serve perfeitamente por enquanto. Nós podemos fazer uma reforma depois da cerimônia no cartório, derrubar alguma parede e unir dois quartos, mas aquele quarto está trancado e ninguém pisa nele. A estrutura da casa fica como está até nos casarmos.

A Victória arregalou os olhos verdes, surpresa com a minha frieza repentina, mas recuperou o sorriso dócil e compreensivo em dois segundos.

- Como você quiser, meu querido. Eu respeito o seu tempo. - Ela respondeu com mansidão, mas o olhar dela me avisou de que o "ambiente controlado" que ela queria impor teria um preço.

- Maria, suba, tranque aquele quarto e me entregue a chave. - Eu avisei a funcionária. - É melhor mantê-lo trancado por enquanto. - Eu suavizei a voz ao olhar de novo para a Victória. A empregada se virou para cumprir a tarefa.

Capítulo 235: O quarto trancado 1

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