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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 236

"Érick"

Eu encarava o sorriso profissional e a atitude confiante do Balthazar De La Vega como uma ofensa pessoal. Ele apareceu primeiro dizendo que não iria interferir e de repente está de volta antes do previsto e pelo visto pensando em interferir muito.

- Pensei que o seu cliente estava interessado apenas nos lucros. - Eu respondi e me sentei, recebendo uma pasta dele.

- O meu cliente é paciente e silencioso, mas ele não j**a diamantes fora, Sr. Albelini. Quando ele encontra algo ou alguém valioso ele não descarta, cuida e garante que esteja protegido, independente de como algo ou alguém chegou até ele. Esse é o caso da sua empresa, ela é um diamante. - O De La Vega sorriu e se sentou.

- Pensei que ele confiasse na minha administração... - Eu comecei a falar, mas fui suavemente interrompido pelo Balthazar.

- Ele confia, mas está preocupado com alguns detalhes. E um deles é que nós precisamos assinar essas novas cláusulas de reestruturação de ativos, Sr. Albelini. A holding precisa de um choque de conformidade.

- Resumindo: vocês não estão satisfeitos com o nosso compliance. - O Julian fechou a pasta com um leve baque e me olhou com as sobrancelhas erguidas.

- Ah, por favor, não levem para o lado pessoal. Nós apenas consideramos o seu sistema atual... inseguro. - O Balthazar sorriu como se não estivesse criticando a minha administração. - Eu avisei, Albelini, eu voltaria se vocês precisassem e parece que estão precisando. Essa empresa que vocês contrataram para a auditoria do compliance não é satisfatória, ela é pequena demais e pouco ágil. Para o meu cliente, não está funcionando.

- Isso é um absurdo... - Eu comecei, mas ele ergueu o dedo.

- Leia os arquivos que eu trouxe. Talvez eu veja a situação melhor por estar de fora. - Ele sugeriu.

Nós passamos os dois dias seguintes em um embate técnico exaustivo. O Balthazar era meticuloso demais, travando o Andrey e o Julian a cada linha de documento. Ele conhecia as nossas estruturas de mercado com uma precisão surpreendente. Nós chegávamos muito cedo e quando eu voltava para casa todos já dormiam e o silêncio era tudo o que me esperava. No final do segundo dia, a sala de reuniões estava sufocante. O pior de tudo? O Balthazar tinha razão, a empresa da Vicky estava falhando em alguns processos, mas devia ser minha culpa por estar ocupando tanto do tempo dela.

No fim da tarde o Balthazar fechou o notebook com um estalo seco, ajeitou as abotoaduras de ouro e abriu um sorriso presunçoso e dócil.

- Senhores, nós temos uma reunião marcada com o Consultor Independente de Gestão Corporativa que mencionamos e que exige discrição absoluta e um ambiente reservado, longe dos olhos dos auditores comuns. - O Balthazar declarou, levantando-se com uma elegância natural. - Eu encaminhei os detalhes do agendamento para vocês.

- Uma reunião desse nível fora da empresa, Balthazar? - Eu perguntei, não muito feliz com aquilo.

- Foi ele quem escolheu o lugar, Albelini. Mas não se preocupe. Eu já me certifiquei que se trata de um lugar muito exclusivo, com um camarote privado para assinarmos os termos dos contratos e blindado a vazamentos. Eu espero os senhores mais tarde.

Eu abri os olhos e me virei, dando mais um passo para dentro do camarote. Eu fiquei de frente para ela. A Lorena estava de pé ao lado do bar de cristal, um homem quase da minha altura, provavelmente da mesma idade, com um sorriso muito amigável pegou o copo entre os dedos dela e virou de uma vez, o devolvendo vazio e a encarando com um fascínio escancarado.

Ela usava a mesma fantasia, a mesma maquiagem, mas o espartilho preto parecia apertado de uma forma que parecia não deixá-la respirar. Ela não sorria. O olhar castanho dela, escondido atrás da franja lateral da peruca, travou nos meus olhos azuis no mesmo milésimo de segundo.

O tempo parou na boate. O mundo ao redor perdeu o som. Vi a expressão nos olhos dela mudar do tédio com o qual ela atendia aquele homem, para algo que parecia desespero e magoa. Ela não sabia que éramos nós os clientes da noite, isso era óbvio. Ela foi pega de surpresa no seu próprio inferno, do mesmo jeito que eu fui empurrado para o meu.

O Balthazar De La Vega deu um sorriso enigmático ao notar o choque elétrico que paralisou o camarote, porque igualmente a mim, o Beaumont encarava a Marcelina e era encarado de volta por ela. O Balthazar caminhou com elegância natural, cumprimentou o homem que já estava no camarote com uma camaradagem que me deu certeza de que eram amigos e depois se sentou na poltrona de couro de frente para o bar como o dono soberano do lugar.

- Boa noite, garotas. Parece que o Trono realmente tem as suas rainhas para nos governar! - O Balthazar falou, a voz grave e mansa destilando um prazer indecifrável. Ele me olhou de relance, os olhos brilhando com uma malícia assustadora. - Sente-se, Albelini. Eu soube que neste camarote precisamos selar o pacto antes de descer ao inferno. E nós ainda temos muitas cláusulas e relatórios para revisar sob as garras adas das nossas anfitriãs esta noite.

- Ah, meu caro Balth, eu desceria a esse inferno todas as noites se o preço fosse me submeter a estas duas. - O homem que estava olhando para a Lorena quando chegamos falou de forma animada. - Especialmente a Scarlat. Esses fios vermelhos me encantam!

Eu dei um passo firme na direção do balcão, o meu peito subindo e descendo rápido, a calma que eu havia tentado construir nos braços da Victória se quebrando. Eu estava cego de ciúme, sangrando por dentro de pura fúria, trancado no Trono com a única mulher capaz de me levar à loucura.

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