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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 239

"Lorena"

A claridade da manhã entrava pela janela da pequena sala, onde eu estava encolhida e imóvel no sofá desde que saí da cama naquela manhã. O jornal jogado sobre a mesinha de centro ainda mostrava a foto que destruiu o que restava do meu mundo no dia anterior. E ainda teve a noite na boate, o Érick aparecendo com toda a sua arrogância, como se tivesse o direito de me controlar. Como se pudesse aparecer quando bem entendesse e me usar como se eu não tivesse sentimentos. A luz do dia não trazia nenhum alívio para o inferno que eu carregava no peito.

- De novo, Lô. - A Marcelina entrou em casa, trazendo consigo as sacolas da padaria. Ela deixou tudo sobre a mesa e veio se sentar ao meu lado, me puxando para o seu colo. - Eu vou colocar fogo nesse jornal. E depois vou arrancar as orelhas do Mariano por ter trazido isso para você.

- O Mariano só quis ajudar, Lina. - Eu funguei, deixando as lágrimas caírem.

- Lô, você precisa parar de chorar. Pelo bem do bebê. Ele sente tudo o que você sente. E você precisa comer direito. Faz um esforço, Lô, pelo bebê. - A Marcelina pediu, a preocupação nítida na sua voz.

Eu sabia que ela tinha razão, mas o meu estômago continuava revirado pela dor.

- Lina, eu não vou aguentar, se ele continuar aparecendo e fazendo o que fez ontem... ele vai se casar, Lina. - Eu solucei e a minha amiga me abraçou.

Nesse momento a porta da frente se abriu com um clique suave e a Dalva cruzou o portal carregando a sua bolsa de mão. Era o fim de semana, o dia de folga dela no novo emprego. Eu sentia falta dela em casa todos os dias, mas ela vinha cada vez menos. Assim que os olhos da minha Dalvinha pousaram no meu estado deplorável, ela largou a bolsa de qualquer jeito sobre uma cadeira e correu na nossa direção, se sentando do meu outro lado e me puxando para os seus braços.

- Ah, minha Lô... o que aconteceu, meu amor? - A Dalva murmurou, a voz maternal transbordando aquela compaixão firme que só ela possuía. Ela me apertou no seu abraço caloroso, limpando as minhas lágrimas com cuidado.

- O Albelini esteve no Trono ontem, Dalvinha. - A Marcelina respondeu por mim, o tom de Pandora rígido de raiva e frustração contida. - Ele agiu feito um animal. Puxou a Lô para o colo na frente de todo mundo, ela deu um tapa nele e depois ele a encurralou nos corredores. A Lô teve que botar ele pra correr. E ele vai se casar.

- Ele vai se casar, Dalvinha... em poucos dias. - Eu desabafei entre os soluços, o meu peito subindo e descendo rápido. - Ele seguiu em frente com uma loira metida a besta. E agora, a única coisa que eu tenho é o meu bebê e se o Érick descobrir sobre isso... se ele farejar que eu carrego o sangue dele na minha barriga, ele usa todo o poder que tem para acabar comigo de vez. Ele tira o meu filho de mim igualzinho fez com a Alice. Eu preciso sair daquela boate antes que o espartilho não possa mais esconder a minha barriga e o Barão perceba.

- Ele não vai descobrir, Lô. Acalma o seu coração. - A Dalva me confortou, com uma certeza que quase me acalmou, me aninhando contra o peito. - Nós vamos proteger esse bebê. O Érick Albelini está cego na própria soberba. Se ele decidiu seguir em frente, então ele não vai colocar os olhos em você de novo. Sai da boate, Lô. Sai de uma vez e a gente vê o que faz.

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