"Lorena"
Ele se virou para mim outra vez, seus olhos desviando para o jornal sobre a mesinha de centro. O desagrado passando em seu rosto que ficou sério e tenso.
- Imaginei mesmo que você já soubesse desse desastre. - Ele falou e sentou ao lado da Dalva como se estivesse em casa.
Eu segurava uma almofada sobre o colo, imóvel, para que ele não notasse nada. O meu coração estava disparado no peito. Eu precisava manter o autocontrole absoluto, o Julian não podia perceber que eu estava grávida.
- O que você quer de mim, Julian? - Eu perguntei, ainda sem entender a visita.
O Julian passou a mão pelo rosto, o esgotamento nítido em sua postura. Ele se virou para mim com uma incerteza e uma seriedade profundas.
- Eu ainda não consegui descobrir como aquela víbora da Adelaide conseguiu as informações sobre você. - Ele respirou fundo. - E o Érick está me mantendo fora.
- Esquece, isso não tem mais importância, Julian. - Eu respondi num tom de voz frio.
- Eu não vou esquecer. Nós fizemos um acordo, Lolô, um ajuda o outro. Lembra? Eu não esqueci. Julian me lembrou.
- Não há mais como me ajudar, Julian. - Eu abaixei a cabeça, sentindo o peso daquela sentença.
- Eu me recuso a acreditar nisso. Lorena, você precisa fazer alguma coisa. Precisa dar um jeito de trazer o Érick de volta à realidade. - O Julian revelou, a voz carregada da lealdade ao amigo que ele se recusava a abandonar. - O Albelini perdeu o juízo de vez por causa desse orgulho idiota. Como você já sabe, ele vai se casar. E ele já enfiou aquela mulher insosa dentro de casa. Ele não fala comigo. A Alice está sofrendo muito. Pelo que o Andrey disse, ela odeia essa mulher e agora o Andrey me avisou que o Érick proibiu os nossos cafés da manhã...
- Eu não vou mais falar com a minha menina? - O meu coração despencou no peito e as lágrimas caíram de novo. - Julian, é tudo o que eu ainda tenho, suas ligações rápidas nas manhãs de quarta.
- Lolô, eu sei. E sei que para ela isso também é valioso. Mas o Érick proibiu. Nós vamos encontrar um outro jeito. - O Julian suspirou. - Mas, Lô, nós precisamos fazer alguma coisa, o Albelini vai se casar por pura soberba, apenas para provar ao mundo que te esqueceu. E esse casamento é um edrro monumental.
- Eu não posso fazer nada, Julian. - Eu respondi derrotada, o meu peito sangrando de dor e culpa. - O Érick não vai me ouvir. Ele tem nojo de mim. Se eu me aproximar, ele cumpre a ameaça de chamar a polícia. Eu não posso, Julian. Mas eu sei que a D. Heloísa vai proteger a Alice. Eu preciso confiar nisso.
O Julian me encarou por longos e mortais segundos, processando o peso da minha recusa definitiva. Ele olhou para a Marcelina, que mantinha a porta aberta com o olhar assassino, engoliu em seco e se levantou.
- Muito bem, Lorena... a escolha é sua. - O Julian murmurou, a voz falhando de frustração. - Mas quando aquele império desabar por completo e a Alice pagar o preço da soberba do pai, não diga que eu não avisei. - Ele foi em direção à porta e se virou antes de sair. - Lolô, não importa o que aconteça, eu vou te ajudar. Lembra?
A pergunta dele me fez lembrar do acordo que fizemos antes de tudo isso ruir. Mas o celular dele tocou antes que eu pudesse responder.
- O que foi, Andrey? - Ele perguntou impaciente ao colocar o aparelho no ouvido. - Estou indo. - Ele desligou o aparelho e olhou intensamente para a Marcelina. - Eu ainda não desisti!
O Julian deu as costas e passou pela porta com passos rápidos e determinados. A Marcelina bateu a tranca imediatamente, desabando na cadeira em silêncio. Eu voltei a me sentar no sofá, sentindo a dor e a tristeza me sufocarem. O Érick estava marchando para a própria ruína, foi o que o Julian disse, e eu não podia fazer nada, agora eu tinha um bebê para cuidar.

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