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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 244

"Dalva"

No fim da tarde o Alberto nos buscou na casa da D. Heloísa. A Alice estava tristinha e silenciosa, ela já não era a menina sorridente e falante que a Lorena contava. Eu a mandei entrar em casa, dizendo que levaria um suco para ela no quarto. Então eu entrei pela porta de serviço, deixei as minhas coisas no meu quarto, pequei o suco e fui em direção a sala. Eu travei ao entrar na sala.

A Alice estava parada perto da escada, segurando a mochila com as mãozinhas trêmulas e a cabeça baixa. A Victória Lemos estava de pé na frente da Alice e de costas para mim. Era óbvio que o Sr. Albelini não estava em casa. Somente longe dos olhos dele, a máscara dela de santa era posta de lado. Ela vinha sendo antipática e grosseira com todos os funcionários, mas agora ela estava intimidando a pobre garotinha. Ela segurou o braço da Alice com força com uma mão e com a outra apertou o seu queixo, forçando o rosto da garotinha para cima.

- Escuta bem, sua pirralha irritante. - A Victória sibilou, a voz dócil substituída por um tom ríspido. - A sua avó intrometida não mora mais aqui para passar a mão na cabeça das suas birras. Eu vou me casar com o seu pai e eu sou a nova dona desta casa. Se você ousar fazer mais uma cena de choro ou gritar o nome daquela babá barata de novo, eu vou trancar você naquele porão escuro e garantir que o seu pai te coloque num internato na Suíça antes do final do mês. Você vai engolir essa rebeldia e vai sorrir para mim e vai me chamar de mamãe se for preciso. Você entendeu?

A Alice engoliu um soluço longo e doloroso, os olhinhos azuis arregalados de puro terror infantil, paralisada diante do monstro em sua frente.

- Tá me machucando... - A menina choramingou.

- Ah, não seja manhosa! Se ficar roxo, fala para o seu pai que você caiu. E presta atenção, você já viu que ele faz tudo o que eu quero, então não se atreva a falar mal de mim para ele, ou eu te afogo na piscina e falo que foi um acidente. - A Victória riu. - E ele vai acreditar. E sabe o que mais? Quando eu estiver esperando um filho dele, ele vai te...

- Senhorita! - Eu me recuperei daquele horror e interferi antes que aquela mulher falasse mais algum absurdo para a Alice.

A Victória soltou a Alice que quase caiu e se virou para mim como se fosse próprio demônio. O meu estômago revirou de puro ódio. Os nós dos meus dedos ficaram brancos apertando o copo que eu segurava. Eu engoli cada palavra que eu queria dizer a ela à força, mantendo o rosto como uma incógnita.

Ela se aproximou de mim, me encarando como se me escrutinasse. Em uma fração de tempo inacreditável, ela reergueu a máscara de santa, ajeitou o vestido amarelo claro e abriu aquele sorriso dócil e perfeito, como se estivesse apenas acariciando a menina.

- As crianças precisam de pulso firme, você não acha, Maria?

Eu me mantive calada. Ela estreitou os olhos para mim.

- Que ótimo que você já voltou dessa folga. Leve-a para o quarto e a faça tomar um banho, sim? E não a permita sair de lá até a hora do jantar.

- Sim, Srta. Lemos. - Eu respondi de forma fria, robótica, sem dar um único olhar para ela.

- E, Maria... - A voz dela me fez parar no momento em que eu peguei a mochila das mãos da Alice. - Uma única palavra ao Sr. Albelini e eu te coloco na rua. Ele não precisa se ocupar dos assuntos domésticos. Tenho certeza que você me entende.

Eu peguei a mochila da Alice e a guiei pela mão em direção quarto. A minha princesinha se agarrou aos meus dedos com força, assustada e trêmula. A casa dos Albelini estava nas mãos de uma verdadeira bruxa, como bem dizia a Alice.

Quando chegamos ao quarto a Alice se agarrou a mim e chorou muito. Ela estava triste, nervosa e com medo. Ela tomou um banho e acabou pegando no sono. E enquanto eu observava a minha princesinha dormir a D. Heloísa me ligou para dizer que tinha conseguido o trabalho para a Lorena. Eu agradeci e mandei uma mensagem para o celular do Alberto, que rapidamente pedindo que ele fosse até o quarto da menina. Assim que ele bateu na porta eu saí.

- O Sr. Albelini já chegou? - Eu perguntei baixinho.

- Ainda não. O que houve?

- Essa mulher... ela não gosta da Alice, Alberto. - Eu sussurrava ao mesmo tempo que olhava em volta. - Nós precisamos ficar de olho e proteger a menina.

- Eu também, querida. Se cuidem e se alimente bem. - Eu desliguei o telefone com um sorriso e o coloquei no bolso.

- E com quem você estava falando, Maria? - A voz fria da Victéria soou bem atrás de mim, me fazendo arrepiar de aflição.

- Com as minhas filhas, senhorita. Duas moças. - Eu respondi sem me virar.

- Sei. Não as quero perambulando por aqui, ouviu?!

- Pode ter certeza de que elas não colocarão os pés sequer neste bairro, senhorita.

- Melhor assim! Tem muitas mulheres oportunistas por aí, que vêem em um homem como o meu noivo a chance de mudar de vida. - Ela falou descaradamente e aquela altura eu queria jogar a faca em minhas mãos nela. - O que você está fazendo?

- Uma sopa para a menina Alice. Pensei que talvez a senhorita queira aproveitar a companhia do seu noivo durante o jantar. - Eu respondi friamente.

- É, pensou bem. Faça o jantar.

- Eu ainda estou de folga, senhorita, até amanhã às sete da manhã. Se quiserm pode perguntar para o patrão. Mas ele não precisa se ocupar dos assuntos domésticosm não é mesmo?! Estou fazendo a sopa para a menina porque ela é uma criança. Mas a senhorita... - Eu me virei com um sorriso afável no rosto. - Tenho certeza que vai adorar preparar a refeição para o seu noivo.

Ela queria me pegar pelos cabelos, eu tinha certeza, os olhos dela crispavam de raiva. Mas ela pensou melhor e se virou nos calcanhares, saindo da cozinha sem dizer mais nada. Se ela pensou que meteria medo em mim, ela estava enganada, eu não me assustava tão fácil assim.

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