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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 28

"Erick"

No momento em que eu exigi o vídeo das câmeras que sabia que estavam por toda a escola, eu notei a mudança na sala, tanto a diretora quando a Verônica mudaram de postura, já a Lorena se manteve estóica.

A diretora Mendes engoliu em seco, as mãos tremendo tanto que ela mal conseguia operar o mouse do computador. Enquanto, a Verônica tentou me fazer voltar atrás, como se não conhecesse a minha reputação.

- Quer saber, Érick, eu não tenho tempo para ficar perdendo aqui por causa de uma reles babá. Eu vou ser benevolente desta vez e esquecer esse pequeno incidente em consideração à você. Sra. Mendes, não precisa procurar esse vídeo, eu sei que a senhora também é muito ocupada. Erick, apenas faça com que a sua babá se mantenha no lugar dela, que não nem perto das mães. - A Verônica se levantou colocando a bolsa cara no ombro.

- Você armou esse circo, Verônica, agora sente-se e fique quieta. - Eu a encarei com frieza e me virei para a diretora. - O vídeo!

A minha voz era baixa, mas cheia de autoridade, aquelas duas mulheres sabiam muito bem quem eu era e a Lorena, se não tinha se dado conta ainda, iria descobrir. A Verônica, finalmente em silêncio, murchou na cadeira. Ela conhecia o peso do meu sobrenome nos negócios do marido.

A Lorena voltou a se sentar e puxou a Alice para o seu colo, colocando fones no ouvido da minha filha e apoiando o rostinho da Alice sobre o ombro, para que e minha filha não visse a tela sa sala onde o vídeo foi projetado. Eu assisti em silêncio absoluto.

Eu vi o Miguel barrar o caminho da Alice. Eu vi o deboche no rosto do garoto e a passividade orgulhosa da mãe, como se o que o filho fez fosse digno de elogios. Mas, acima de tudo, eu vi a transformação da Lorena, o exato momento em que ela deixou o sorriso que sempre tinha para a Alice e a postura de gentil e tímida babá para se tornar uma leoa e defender a minha filha com o ímpeto que só uma mãe faria.

No vídeo, ela não parecia a babá assustada que derrubava água na cozinha ou que evitava me olhar nos olhos durante as refeições, ela parecia uma guerreira, uma soldado pronta para a guerra. A forma como ela se colocou entre as crianças, a autoridade no seu gesto... era hipnotizante.

Quando o áudio captou a frase cruel do garoto sobre a mãe da Alicee sobre a própria Alice, eu senti um estalo na minha mente e uma dor no meu coração. Há quanto tempo aquilo acontecia? Há quanto tempo a minha filha era rechaçada como difícil e temperamental por ser orfã e a escola não fazia nada? Eu não fazia nada! A fúria me dominou completamente e eu queria acabar com todos eles um por um.

- Desligue isso! - Eu ordenei, minha voz baixa, mas carregada de ódio e desprezo.

Eu me virei para a Verônica, eu sabia que ela não era a única, afinal as outras mães a colocavam num pedestale eu também vi os rostos sorridentes delas no vídeo, mas eu lidaria com a situação do agora.

- Você tem até o final do dia para retirar a matrícula do seu filho desta instituição. E se eu ouvir o nome da minha filha na sua boca novamente, Verônica, eu farei questão de que o seu marido sequer tenha um escritório para chamar de seu e você terá que esquecer a sua vidinha de madame. Saia. Agora. - A mulher estava petrificada me encarando, como se não acreditasse. - Vai!

Ela se sobressaltou e saiu tropeçando nos próprios saltos, sem dizer uma palavra. A diretora tentou gaguejar um pedido de desculpas, mas eu a silenciei com um olhar.

- Veremos a sua gestão em uma reunião de conselho amanhã, Sra. Mendes. - Meu aviso foi claro, eu resolveria a situação de forma implacável.

Eu me virei e vi a Alice agarrada ao pescoço da Lorena, comos e aquele colo fosse o seu lugar seguro no mundo. Minha filha estava com o rosto escondido no pescoço da mulher que a havia defendido sem se preocupar com o que seria de si mesma. Eu olhei para a Lorena de outra forma e o olhar que ela me retribuiu não tinha cautela nenhuma, somado aos braços dela protetoramente ao redor da minha filha, aquele olhar era um aviso. Ela ainda estava protegendo a Alice, inclusive de mim.

- Srta. Valente. - Eu chamei.

- Eu não vou deixá-la aqui hoje, Sr. Albelini. - Ela respondeu de forma tão protetora quanto a postura dela evidenciava.

- Nós não vamos ixá-la aqui hoje. - Eu concordei. - Leve a Alice para o carro. Eu preciso de um minuto.

Capítulo 28: Não parece mais a babá assustada 1

Capítulo 28: Não parece mais a babá assustada 2

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