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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 30

"Lorena"

O mundo parecia ter se reduzido àqueles milímetros que separavam nossas bocas. O cheiro de sândalo e couro do Érick parecia estar dentro de mim. Eu sentia o calor do corpo dele, a firmeza da sua mão na minha cintura e a promessa de um incêndio que eu sabia que não conseguiria apagar. Eu queria aquele beijo. Mais do que qualquer coisa que já desejei na vida. Aquele beijo como Lorena e não o pecado da Scarlat.

Porém, três batidas violentas na porta cortaram o silêncio. O Érick soltou um rosnado baixo, uma praga abafada contra a minha pele, e apoiou a testa na minha por um segundo que pareceu eterno. Suas mãos apertaram minha cintura uma última vez antes de ele recuar e se afastar, deixando um rastro de frio onde antes havia fogo.

- Érick! Abre essa porta. É urgente! - A voz do Julian atravessou a madeira.

Meu coração disparado não se acalmava, havia um leve tremor no meu corpo. E algo me dizia que aquela urgência do Julian só podia significar uma coisa: ele tinha se lembrado do meu nome.

- Parece que o mundo inteiro... - O Érick deixou a frase inacabada e soltou um suspiro pesado. - Vá, Lorena. Eu preciso resolver... seja lá qual for o problema agora. - Ele passou as mãos nos cabelos frustrado.

Eu não disse uma palavra, apenas caminhei até a porta e quando a abri dei de cara com o olhar perscrutador do Julian Beaumont.

- Srta. Valente! - Ele deu um meio sorriso, mas estreitou os olhos como se me avaliasse. - A senhorita está bem? Parece que foi pega cometendo um crime.

- Com licença, Sr. Beaumont. - Eu abaixei a cabeça e passei por ele quase tropeçando.

A porta do escritório foi fechada, mas eu não consegui me afastar. Aquilo só podia ser sobre mim. Eu olhei para todos os lados e não havia ninguém por ali, então eu encostei o ouvido na porta, meu peito subindo e descendo freneticamente.

- Sente-se, Julian! - A voz do Érick agora era fria e autoritária.

- Desculpe interromper... a sua "reunião" com a babá, Albelini. - O Julian ironizou, como se soubesse exatamente o que estava acontecendo naquele escritório um minuto antes.

- Sem gracinhas, Julian! Eu tive uma manhã difícil! - O Érick avisou.

- O que aconteceu na escola da Alice? O Albuquerque está desesperado atrás de você. Ele falou alguma coisa sobre um suposto show que a sua babá deu na escola. Ele está disposto a tudo para que você a demita e esqueça o incidente.

- Deixe-o desesperado mais um pouco, Julian. Ele sabe que se eu der o sinal, ele quebra antes do almoço. E se for minimamente inteligente não vai se meter com a minha babá. - O Érick falou e um pequeno calor subiu pelo meu peito, mas não durou muito. - Depois te conto, me diga primeiro que urgência foi essa que te trouxe aqui e o fez interromper a minha reunião com a Lorena.

- Reunião?! Sei. - O Julian deu uma risadinha curta. - Acho que o que me trás aqui te interessa muito. O advogado ligou. Sobre a nossa investigação do caso da contadora.

Eu senti o meu sangue congelar. Meus dedos cravaram no batente da porta. Eu estava acabada, o Julian havia se lembrado de mim, e o Érick me colocaria na rua, me arrancaria de perto da minha menina. Ele não me queria na empresa dele, certamente não iria me querer na casa também.

- E então, o que ele disse? - A voz do Érick era neutra, impenetrável. Era impossível ter alguma idéia sobre a reação dele.

- Ele falou com várias pessoas, vários dos nossos clientes, e conseguiu os acessos digitais. Parece que você tinha razão sobre haver algo errado. A sua babá, Lorena Valente, foi exatamente o que o dossiê dizia: a peça-chave de um golpe de milhões. Você ainda é um excelente julgador de caráter, Erick.

Minhas pernas fraquejaram. Eu estava certa, o Julian estava falando de mim. E estava falando sobre eu "ser a peça-chave", significava que ele tinha certeza de que eu era a culpada, não a vítima desse esquema ardiloso do Carlos Eduardo.

- Ótimo! Eu lidarei com a Lorena do meu jeito. - A voz fria do Érick foi como uma faca cravada no meu coração.

A minha mente travou e eu já não ouvi mais nada. As palavras do Érick ecoaram como uma sentença de morte para mim. Ele sabia. Ele estava me investigando. Mas... e o que tinha acontecido pouco antes naquele escritório? O jeito diferente que ele me tratou, a proximidade, a defesa na escola... tudo tinha sido um jogo para me manter por perto até ele ter as provas?

Capítulo 30: A decisão 1

Capítulo 30: A decisão 2

Capítulo 30: A decisão 3

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