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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 310

"Victória"

Eu chamei um taxi e ainda esperei por vinte minutos ali na rua, para todos os olhos curiosos que quisessem ver, como um espetáculo de circo. Com a maquiagem borrada pelas lágrimas de fúria impotente, eu gritava com o motorista de taxi que colocava as minhas malas no carro sem nenhum cuidado. Assim que eu sentei no banco de trás, eu abri o fundo falso da minha bolsa com os dedos trêmulos e puxei o celular que eu usava para falar com a Verônica. Eu precisava que ela e o Simão me recebessem. Eu tinha que fugir daquela humilhação e o meu dinheiro não dava para manter o meu estilo de vida por muito tempo.

No primeiro toque, a ligação foi atendida.

- Verônica! Pelo amor de Deus, me escuta! - Eu gritei em desespero, a voz estridente falhando. - O Julian e o Andrey invadiram a mansão com a polícia! Eles descobriram tudo, descobriram a gravidez falsa, descobriram que eu sou a filha da empregada e me escorraçaram, me jogaram na calçada como uma indigente! Eu perdi tudo! O meu casamento com o Érick foi anulado e eu ainda estou respondendo a várias ações criminais. Eu preciso sair do país. Manda o Simão alugar um jatinho particular para me levar até vocês. Eu dei a holding de bandeja para vocês, agora vocês têm obrigação de me receber e serem generosos comigo.

Um silêncio pesado estava instalado do outro lado da linha, demorou três segundos longos para a Verônica falar. Ou melhor, gritar. Ela explodiu no alto-falante, espumando de ódio.

- CALE ESSA BOCA IMUNDA, SUA BASTARDA BURRA E INCOMPETENTE! - A Verônica berrou completamente agressiva. - O Simão foi preso, Victória, por causa do e-mail ridículo que você enviou! O Barão nunca foi o sócio oculto do Érick, os relatórios contábeis que você comprou por cem mil dólares são uma fraude amadora fabricada pelo Julian Beaumont de caso pensado para nos caçar! As nossas contas no exterior foram 100% bloqueadas, o Simão está falido e eu perdi tudo!

O meu estômago retorceu por completo. Aquilo só podia ser um pesadelo.

- Como assim era falso, Verônica? A Maria...

- Sua idiota imprestável, a empregada te enganou! Ela é mais fiel aos Albelini que a Adelaide já foi um dia! A empregada para a qual você deu cem mil dólares, te vendeu uma fraude, documentos falsos, uma grande mentira que ferrou com todos nós!

- Ma-mas... o que eu faço agora? Você deve ter algum dinheiro não é, Verônica? Porque as minhas contas também foram bloqueadas. - Eu contei desesperada.

- Eu não tenho nem um centavo, sua estúpida! - A Verônica gritou.

- Mas... Verônica, pede socorro para o seu ex-marido rico... o Albuquerque... ele não vai te deixar na lama... você é a mãe dos filhos dele. Vai, jura pra ele que se arrependeu, pede perdão de joelhos, sei lá...

- AQUELE CANALHA BATEU A PORTA NA MINHA CARA AOS GRITOS DE MADRUGADA! - A Verônica berrou de forma histérica, a voz falhando de tanta raiva. - Eu fui totalmente escorraçada! Até os meus filhos me odeiam, Vioctória! Até o pequeno, que eu tinha orgulho de ser como eu, agora está regenerado e focado em ser um bom menino. Ele mesmo me disse isso de madrugada. Aquele pivete de sete anos me disse que eu sou um tumor maligno que eles tinham arrancado da vida deles!

- Verônica, o que nós vamos fazer?

- Você eu não sei, Victória, mas eu...o Barão, gerente daquela boate Infernal que todos os homens ricos da cidade frequentam, ele me ofereceu um emprego de garçonete e, quer saber, eu acabei de aceitar para não passar fome debaixo da ponte! Eu vou aceitar um emprego, Victória, eu vou trabalhar! Ai, que humilhação. E se não fosse suficiente, vou fazer o que a sua mãe fazia, limpar copos sujos, recolher cinzeiros, aguentar as ordens mal educadas do gerente e tentar arrumar um velho rico para me sustentar e tudo por sua culpa, sua ratazana de subúrbio! A sua burrice me jogou nessa humilhação! E quer saber de uma coisa? Você deveria vir para cá e pegar a outra vaga de garçonete que está aberta. É o melhor que você vai conseguir.

- Verônica... não faz isso comigo... onde eu vou morar? - Eu implorei num sussurro desesperado.

- Quer saber, Victória! Pegue as suas malas e vem para cá, pega esse emprego de garçonete na noite como a sua mãe imunda fazia. Uma das mulheres aqui me indicou um lugar onde alugam quartos que vamos poder pagar, se dividirmos um vamos passar menos dificuldade. E nada de reclamar, porque nós duas fomos reduzidas a nada por sua maldita burrice!

Ela encerrou a chamada sem dizer mais nada. Eu arremessei o celular dentro da bolsa, dizendo ao taxista para onde iríamos. Talvez a Verônica estivesse certa e a única saída para nós duas seria essa boate. Talvez até tivéssemos sorte, afinal, a tal Lorena conheceu o Albelini lá e ele ainda era louco por ela. É, talvez fosse o momento de fingir humildade e tentar laçar o próximo ricaço.

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