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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 33

"Lorena"

Eu fechei a porta do meu quarto e me encostei nela, sentindo minhas pernas cederem. Eu deslizei pela porta e me sentei no chão frio. Meus lábios ainda formigavam e o cheiro de sândalo e couro do Érick parecia ter grudado na minha pele, misturado ao cheiro de uísque e tabaco que ele trouxe da rua. De todas as formas ele parecia um deus, cheirava como um deus e, eu sabia, beijava como um pecador.

E eu quase cedi. De novo. Porque eu não tinha forças para resistir àquele homem lindo e sedutor que ele era.

Mas a imagem da Adelaide aparecendo na porta da cozinha, com aquele olhar de triunfo maligno, não saía da minha mente. Ela viu tudo. E tinha o suficiente para cortar a minha cabeça e me demitir. Minha nossa, eu estava cercada! De um lado o Érick havia prometido lidar comigo do jeito dele e eu sabia que o jeito dele era implacável. De outro lado a Adelaide me vigiando como se fosse uma hiena preparada para atacar a presa assim que o predador desse as costas. E nomeio disso tudo tinha a Alice, a menininha doce para quem eu prometi estar sempre com ela.

- Ela vai me colocar na rua antes do sol nascer. - Eu sussurrei para o escuro do quarto, abraçando meus joelhos. - Ela vai dizer para ele que eu não passo de uma aproveitadora e ele... ele vai acreditar. Porque, no fundo, ele já me olha como se eu fosse um pecado capital.

Eu passei o resto da madrugada em claro. Cada estalo da madeira da casa parecia o som dos passos do Érick vindo terminar o que começou ou da Adelaide vindo me escorraçar. Eu estava exausta de tudo, exausta de lutar contra o homem que deveria ser apenas o meu patrão mas que me fazia desejar a perdição com ele.

Quando o sol nasceu, eu estava um trapom com grandes círculos roxos sob os olhos e o aspecto de quem foi torturado por uma noite inteira. Eu tomei um banho gelado tentando apagar o rastro da insônia e o calor que ainda insistia em queimar minhas bochechas sempre que eu me lembrava da proximidade do Érick Albelini. Eu vesti o uniforme azul marinho e fui para o quarto da Alice.

O meu celular vibrou no bolso do vestido. Eu verifiquei a mensagem da Marcelina, contando que o Érick esteve na boate e que saiu furioso, me deixando um recado: "tempo dele é caro demais para ser jogado fora em camarotes vazios". Outra vez o tempo, aquele homem parecia o próprio "Chronos", o velho impiedoso tempo que consome tudo! Eu digitei uma mensagem rápida para a Marcelina antes de abrir a porta do quarto da Alice.

- Você escapou de novo! - A voz rouca e baixa sussurrou no meu ouvido como uma lufada de ar que fez o sangue disparar nas minhas veias.

Eu teria gritado de susto, não fosse pelo reflexo rápido dele que tapou a minha boca com a mão, prendendo as minhas costas contra o seu peito enquanto o outro braço apertou a minha cintura. Ele deu uma risadinha luxuriosa no meu ouvido, que fez o meu baixo ventre se contrair.

O calor do seu corpo contra as minhas costas era familiar e o seu cheiro de sândalo e couro ocupou todo o ar a minha volta. Érick Albelini era realmente um pecado ambulante!

- Bom dia, Lorena! - A voz dele ressoou no meu ouvido sedutora e convidativa. Ele tirou a mão da minha boca, a descendo lentamente pelo meu percoço, mas não soltou a minha cintura. Aquele toque era quase obsceno!

- Bom dia, senhor. - Eu engoli em seco, os olhos fechados, sem saber o que esperar dele, mas certa de que eu era uma presa fácil já nas garras do meu predador. - O senhor já pode me soltar.

- Calma, Lorena! Eu não vou te beijar... não agora, em frente a porta do quarto da minha filha. - Ele sussurrou no meu ouvido.

Mas a promessa dele era sem efeito, porque só aquilo já era como um beijo atiçando os meus hormônios. Depois de falar sua boca deslizou até o meu pescoço e ele depositou um beijo ali, curiosamente bem em cima de onde a marca que ele havia feito na semana anterior esmaecia sob a maquiagem.

- Eu só quero te dizer para não se preocupar com a Adelaide. Ela já sabe que você não responde a ela, só a mim. - A garantia dele me fez girar a cabeça para o lado para encará-lo completamente surpresa e ele sorriu como se tivesse ganhado exatamente o que queria. - Eu quero falar com você assim que a Alice sair para a escola. No meu escritório.

Aquilo era como ser atraída para uma armadilha. Uma armadilha que beijava bem e era lindo e gostoso, mesmo assim uma armadilha.

- E-eu... eu vou acompanhar a Alice até a escola, senhor. Farei isso todos os dias. - Eu avisei e vi o meio sorriso surgindo no rosto dele.

- Melhor ainda! Eu vou levar vocês, nós conversamos no caminho de volta pra casa. - Ele respondeu copmo se tivesse sido convidado. - Agora vá acordar a nossa menina.

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