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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 39

"Lorena"

O ar parecia ter fugido do quarto. Meus olhos traidores teimavam em seguir uma gota de água que escorregava pelo abdômen dele, sumindo perigosamente sob o nó da toalha branca. Eu engoli em seco e forcei minha vista a subir, encontrando o olhar do Érick. Ele não parecia irritado como sempre, parecia... divertido. E isso era mil vezes mais perigoso.

- Eu... eu sinto muito, Senhor Albelini! - Minha voz saiu um pouco mais alta que o normal. Eu me dei conta de que ainda estava com as mãos no paletó e me afastei como se ele estivesse em chamas. - O-o senhor disse que queria falar comigo e eu vim avisá-lo que já voltei da escola da Alice e... eu pensei que o senhor já tivesse saído, porque eu bati à porta e... aí eu vi que algumas roupas ficaram fora do lugar. Achei que poderia ajudar a organizar antes de... - Eu tinha que parar de falar, estava ficando pior.

- Organizar? - Ele deu um passo à frente. O cheiro de sabonete caro e pele quente me atingiu em cheio. - Desde quando a babá da minha filha acumula funções de camareira, Lorena?

- E-eu gosto de ser útil, senhor. - Eu menti descaradamente, sentindo minhas bochechas queimarem ainda mais. - E como a Adelaide é muito severa, eu achei que se eu colaborasse mais ela ficaria de melhor humor.

O Érick soltou uma risada baixa, dando mais um passo. Eu estava encurralada entre a cama e o homem mais gostoso e intenso que já tinha conhecido na vida.

- Você é uma péssima mentirosa! - Ele sussurrou, parando tão perto que eu podia sentir o frescor do seu banho. - Seus olhos estão disparando para aquele paletó como se você estivesse ansiosa para tocá-lo. Ou talvez... sentir o meu cheiro nele?

- É apenas um paletó, senhor. Eu só pretendia pendurá-lo no closet. - Eu respondi, tentando recuperar um pouquinho a dignidade. - Se me der licença, vou organizar o quarto da Alice e se o senhor ainda quiser falar comigo pode me encontrar lá. - Era isso, no quarto da Alice eu estaria segura.

Eu tentei passar por ele, mas a mão dele, ainda úmida, segurou o meu braço. O toque enviou uma descarga elétrica que quase me fez perder os sentidos.

- O quarto da Alice pode esperar. - Ele disse, a voz subindo de tom, voltando àquela autoridade de comando. - Já que você está aqui, no meu quarto, antes mesmo de eu me vestir... talvez devêssemos ter aquela conversa agora. Sobre as suas contas, o seu passado... e talvez eu possa finalmente descobrir se você é assim tão doce como parece.

Ele deu mais um passo em minha direção e eu dei um passo atrás, porém atrás de mim estava a cama e eu caí sobre ela, ou melhor sobre o terno impecável que estava sobre ela. Érick Albelini realmente não jogava o tempo fora. Assim que as minhas costas bateram sobre o colchão ele espalmou as mãos ao lado da minha cabeça, se curvando sobre mim, o peito nu e apenas aquela maldita toalha em volta dos quadris brincando com o meu bom senso.

Ele não se apressou. Ele manteve o peso do corpo sustentado pelos braços, as mãos espalmadas ao lado da minha cabeça, prendendo-me no seu espaço pessoal com cheiro de banho recém tomado.

- O que foi, Lorena? - Ele sussurrou, a voz vibrando tão perto que meus lábios formigaram. - O gato comeu a sua língua atrevida? Onde está a mulher que ontem à noite me disse que açúcar em excesso fazia mal à saúde e que fechou a porta na minha cara?

Eu tentei encontrar fôlego, mas meus pulmões pareciam ter esquecido como funcionar. Minha mente era um campo de batalha. Eu deveria o empurrar e fugir, mas isso significava tocá-lo, semi nu, e eu não sabia se tinha força de vontade suficiente para empurrá-lo sentindo a sua pele quente sob os meus dedos ou se o puxaria para mim como a Scarlat dentro de mim gritava para fazer.

- O senhor... o senhor está sem roupa. - Eu consegui articular, embora soasse mais como um convite do que como uma reclamação.

- E você está na minha cama. - Ele rebateu prontamente, um sorriso de lado brincando em seus lábios, algo que me deu um frio na barriga. Isso era muito perigoso. - Parece que ambos quebramos o protocolo hoje, não é?

Ele inclinou a cabeça, o nariz roçando o meu, uma tortura lenta. O cheiro da pele dele me fazendo esquecer de tudo enquanto o calor do corpo dele se infiltrava na minha pele.

Capítulo 39: Sendo diplomático 1

Capítulo 39: Sendo diplomático 2

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