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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 40

"Lorena"

O som da porta batendo atrás de mim foi o único sinal de que eu ainda estava viva e não em algum tipo de transe hipnótico causado pelo cheiro da pele dele e pela visão daquele abdômen definido. Eu disparei pelas escadas, passando pela Adelaide sem sequer me preocupar com o que ela tinha a dizer.

E enquanto eu corria pelo corredor em direção ao meu quarto, eu me lembrei. Eu não tinha encontrado a calcinha. E agora, além de lidar com o segredo da Scarlat, eu teria que enfrentar o que ele faria comigo e o que ele tinha a dizer sobre a história do golpe.

Ele acabaria comigo. E o pior de tudo? O gosto do "quase beijo" dele ainda queimava na minha boca e bem no fundo a verdade era uma só: eu queria muito que ele não tivesse sido tão diplomático. E que aquela toalha não fosse tão obediente e tivesse caído.

- Respira, Lorena. Pelo amor de Deus, respira! - Eu ordenei a mim mesma assim que fechei a porta do meu quarto.

Eu estava um desastre. Meu uniforme estava desalinhado, meu cabelo desgrenhado e a minha respiração ofegante. Eu não parecia a babá invisível que a Aselaide exigia. Eu parecia uma mulher que tinha acabado de sair da cama de um amante. E foi quase isso mesmo!

Apertei as mãos contra a pia do banheiro, sentindo o frio do mármore tentar acalmar o fogo que subia pela minha pele. E um novo pânico começou a tomar conta de mim. Dez minutos. O "senhor do tempo que odeia atrasos" me deu dez minutos para me recompor e enfrentar o que quer que ele fosse aprontar comigo naquele escritório.

E a calcinha? Era melhor esquecer e fingir de sonsa.

- Já era, Lorena. - O sussurro saiu trêmulo.

Eu tirei o uniforme amassado com movimentos bruscos, trocando-o por um limpo, engomado. Enquanto escovava o cabelo e reaplicava a maquiagem, o ponteiro do relógio era como a contagem regressiva de uma bomba. Eu precisava manter a calma. O que eu poderia fazer? Entrar naquele escritório, ser humilhada e escorraçada desta casa. Talvez se eu me ajoelhasse e implorasse para que ele não me demitisse...

No momento em que eu parei diante da porta dupla do escritório eu respirei fundo e tentei manter o meu exterior calmo. Eu bati. O som ecoou pelo corredor vazio, não havia nem sinal da Adelaide por ali.

- Entre. - A voz do Érick veio de lá de dentro. Fria. Distante. O oposto do homem que me prensou no colchão há pouco.

Eu entrei e o encontrei sentado atrás da mesa. Ele estava impecável. O terno grafite não era o mesmo que eu havia deixado amarrotado sobre a cama, o nó da gravata era perfeito, nem um fio de cabelo estava fora do lugar. Como ele podia transitar entre o desejo bruto e a frieza corporativa em questão de minutos?

- Sente-se, Lorena. - Ele disse, sem olhar para mim, e se virou abrindo a gaveta de cima da mesa, retirando de lá uma pasta azul, depois de tirar de cima dela um tecido preto que eu reconheci na hora, mesmo que ele tenha sido muito discreto em seus movimentos. A calcinha estava ali, ele a tinha encontrado.

Eu estremeci e obedeci, me sentei na ponta da cadeira, as costas eretas, o coração batendo tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir. Eu estava esperando pelo pior.

- Vamos falar sobre o seu "erro de cálculo"... - Ele começou, finalmente levantando o olhar. - E sobre o preço que você vai pagar para que eu não o corrija pessoalmente.

O Érick soltou um suspiro pesado, um som que carregava uma irritação contida. Ele se levantou da cadeira e começou a caminhar lentamente pelo escritório, parando diante da estante de livros, mas seus olhos nunca deixavam os meus por muito tempo. Então ele voltou e se encostou na mesa, bem ao meu lado, onde eu podia sentir o perfume dele.

- Eu vi os processos, Lorena. As provas. Cada transferência, cada assinatura falsificada com uma perfeição assustadora. Vi como o Carlos Eduardo te afundou na lama. Eu vi inclusive a última foto que você recebeu enquanto o oficial de justiça estava te colocando na rua. - Havia uma ponta de fúria na voz dele que me fez estremecer. - Você foi brilhante como contadora, mas uma amadora completa no amor. Como pôde ser tão cega?

Eu me afundei na cadeira. A vergonha queimando em minha face. O golpe doeu mais do que eu esperava. Senti as lágrimas de raiva e humilhação pinçarem os meus olhos.

- O senhor não tem o direito de me julgar. - Eu rebati, minha voz saindo embargada, mas carregada de irritação. - Eu tinha dezoito anos quando conheci o Carlos Eduardo. Eu acreditava em contos de fadas, o tipo de história que eu leio para a sua filha quase todas as noites. Eu amava aquele homem, eu confiei nele por anos e ele usou cada grama desse sentimento para me destruir.

- E por que não me contou? - Ele exigiu, se curvou sobre mim e segurou o meu rosto com uma possessividade que me tirou o ar. - Por que você prefere ser humilhada por cobradores a pedir a minha ajuda?

Capítulo 40: A primeira máscara caiu 1

Capítulo 40: A primeira máscara caiu 2

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