"Lorena"
À medida que o dia foi passando eu fui ficando cada vez mais nervosa. Pelo menos o Érick tinha ido para o escritório e, se eu tivesse bastante sorte, o Julian poderia levá-lo para a Infernal e eu conseguiria fugir dele esta noite e talvez até nos próximos dias.
Mas a Adelaide ainda estava ali, pairando como uma sombra de mau agouro atrás de mim. Aquela mulher estava começando a me dar calafrios.
Eu não tive tanta sorte. O Érick voltou para o jantar e quando eu me ajoelhei com a Alice para fazer a oração, ele estava lá também, sério e silencioso. Eu nunca desejei tanto que aquele pedido que ela fazia na oração todos os dias pelo bom humor do bicho papão fosse atendido. Mas o olhar carregado dele me dizia que não era assim tão fácil.
Eu dei boa noite para a Alice e para o pai dela, passei por ele e desci as escadas, respirando aliviada quando não ouvi os passos dele atrás de mim. Eu fui para o meu quarto, tomei um banho e deixei a água lavar toda a tensão daquele dia. Depois eu escolhui um pijama confortável de calça e camiseta e me deitei, aliviada por ter sido deixada de lado e poder ter a minha noite de sono. Mas a minha ilusão não durou mais que meia hora. Um bipe do celular me fez sobressaltar, era uma mensagem dele, um simples "abra a porta".
Eu queria ignorar, fazer de conta que estava dormindo e não tinha visto, mas era o Érick Albelini, eu já sabia que ele não desistia. Eu acendi a luz e me levantei. Abri a porta e ele estava parado, encostado na parede do outro lado do corredor, as mãos enfiadas nos bolsos da calça preta, a camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos e os primeiros botões abertos. Nós nos encaramos por um momento, ele não era apenas lindo, ele exalava poder e confiança.
Ele se afastou da parede devagar, atravessou o corredor e entrou no meu quarto, transcando a porta atrás de si sem dizer palavra. O quarto pareceu pequeno com ele ali, como se ele ocupasse todo o espaço. Ele respirou porofundamente e deu mais um passo em minha direção, aquela manis de sempre chegar perto demais.
- Achou que a oração da Alice ia me amolecer, Lorena? - A voz dele vibrou no quarto.
- Eu apenas estava me preparando para dormir, senhor. - Eu sussurrei, sem me atrever a encará-lo.
- Entendo. Onde você foi essa manhã, Lorena? - A pergunta foi baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma autoridade que me fez estremecer. - O comentário da Adelaide foi realmente inconveniente e eu já a repreendi por isso, mas ela me informou que você pediu para sair para resolver um "assunto de família". No entanto, se eu não estou enganado, você não tem família.
Eu engoli em seco, sentindo o meu rosto queimar.
- O senhor não está enganado. Eu apenas não quis expor a minha situação delicada para a Adelaide. Ela não é uma grande fã minha, senhor. Eu de fato tive uma emergência com o meu advogado.
O Érick deu um sorriso de lado, aquele mesmo sorriso que ele deu antes de guardar meu sutiã no bolso do paletó.
- É, a Adelaide por não ser uma fã sua, mas parece que o professor e o advogado fazem parte de um fã-clube. - Ele cruzou os braços sobre o peito. - E o fã-clube está ficando lotado, não acha? - ele continuou, a voz tornando-se perigosamente rouca. - Primeiro o advogado, pelo que sei um homem jovem e que está sendo muito atencioso com esse caso. Agora o professor que quer te levar para a natureza. O que você faz com eles, Lorena? Você olha para eles como a babá tímida e contida, quase frágil, ou você mostra a eles o mesmo fogo que eu vi hoje?
- Ciúmes? - Ele sibilou, a voz tão baixa que era quase um rosnado. Ele se inclinou sobre mim, as mãos espalmadas no colchão, uma de cada lado das minhas coxas, me prendendo em seu espaço pessoal. - Você acha que o que eu sinto por você é algo tão medíocre quanto ciúmes, Lorena?
- Não, claro que não. - Eu dei um sorriso frio para ele. - Então admita o que é! - Eu o desafiei, sentindo apenas a raiva me dominar. - Admita que o incomoda saber que não controla todo o meu tempo, que o incomoda saber que eu não sou sua propriedade!
- Você não faz ideia. - Ele murmurou, o rosto a milímetros do meu. - Você quer que eu admita, Lorena? - A sua voz saiu tão baixa que era quase um rosnado, o hálito roçando meu rosto. - Você quer que eu pare de ser diplomático?
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, ele abandonou qualquer vestígio de controle. Ele segurou minha nuca com uma mão possessiva, os dedos se enroscando no meu cabelo, e atacou minha boca com um beijo que carregava toda a fúria e o desejo que ele vinha acumulando.
Não foi um beijo qualquer. Foi um beijo de reivindicação, como se ele quisesse me provar que eu era dele. Eu tentei protestar, um som abafado morrendo na minha garganta, mas minhas mãos, que deveriam estar empurrando-o, subiram desesperadas pelo peito da sua camisa branca, agarrando o tecido fino.
O último vestígio de controle de Érick Albelini rompeu-se ali. Ele atacou minha boca com uma voracidade que me tirou o fôlego, uma mão possessiva subindo para a minha nuca e puxando meu cabelo para trás, expondo minha garganta ao seu domínio. Eu soltei um gemido agudo, mas minhas mãos, traidoras, não o empurraram, elas subiram desesperadas pelo seu peito, arrancando os botões daquela camisa branca impecável enquanto eu o puxava para cima de mim, querendo ser esmagada pelo peso do homem que eu não deveria tocar, mas que agora eu desejava mais do que a minha própria liberdade.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite