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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 44

"Lorena"

À medida que o dia foi passando eu fui ficando cada vez mais nervosa. Pelo menos o Érick tinha ido para o escritório e, se eu tivesse bastante sorte, o Julian poderia levá-lo para a Infernal e eu conseguiria fugir dele esta noite e talvez até nos próximos dias.

Mas a Adelaide ainda estava ali, pairando como uma sombra de mau agouro atrás de mim. Aquela mulher estava começando a me dar calafrios.

Eu não tive tanta sorte. O Érick voltou para o jantar e quando eu me ajoelhei com a Alice para fazer a oração, ele estava lá também, sério e silencioso. Eu nunca desejei tanto que aquele pedido que ela fazia na oração todos os dias pelo bom humor do bicho papão fosse atendido. Mas o olhar carregado dele me dizia que não era assim tão fácil.

Eu dei boa noite para a Alice e para o pai dela, passei por ele e desci as escadas, respirando aliviada quando não ouvi os passos dele atrás de mim. Eu fui para o meu quarto, tomei um banho e deixei a água lavar toda a tensão daquele dia. Depois eu escolhui um pijama confortável de calça e camiseta e me deitei, aliviada por ter sido deixada de lado e poder ter a minha noite de sono. Mas a minha ilusão não durou mais que meia hora. Um bipe do celular me fez sobressaltar, era uma mensagem dele, um simples "abra a porta".

Eu queria ignorar, fazer de conta que estava dormindo e não tinha visto, mas era o Érick Albelini, eu já sabia que ele não desistia. Eu acendi a luz e me levantei. Abri a porta e ele estava parado, encostado na parede do outro lado do corredor, as mãos enfiadas nos bolsos da calça preta, a camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos e os primeiros botões abertos. Nós nos encaramos por um momento, ele não era apenas lindo, ele exalava poder e confiança.

Ele se afastou da parede devagar, atravessou o corredor e entrou no meu quarto, transcando a porta atrás de si sem dizer palavra. O quarto pareceu pequeno com ele ali, como se ele ocupasse todo o espaço. Ele respirou porofundamente e deu mais um passo em minha direção, aquela manis de sempre chegar perto demais.

- Achou que a oração da Alice ia me amolecer, Lorena? - A voz dele vibrou no quarto.

- Eu apenas estava me preparando para dormir, senhor. - Eu sussurrei, sem me atrever a encará-lo.

- Entendo. Onde você foi essa manhã, Lorena? - A pergunta foi baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma autoridade que me fez estremecer. - O comentário da Adelaide foi realmente inconveniente e eu já a repreendi por isso, mas ela me informou que você pediu para sair para resolver um "assunto de família". No entanto, se eu não estou enganado, você não tem família.

Eu engoli em seco, sentindo o meu rosto queimar.

- O senhor não está enganado. Eu apenas não quis expor a minha situação delicada para a Adelaide. Ela não é uma grande fã minha, senhor. Eu de fato tive uma emergência com o meu advogado.

O Érick deu um sorriso de lado, aquele mesmo sorriso que ele deu antes de guardar meu sutiã no bolso do paletó.

- É, a Adelaide por não ser uma fã sua, mas parece que o professor e o advogado fazem parte de um fã-clube. - Ele cruzou os braços sobre o peito. - E o fã-clube está ficando lotado, não acha? - ele continuou, a voz tornando-se perigosamente rouca. - Primeiro o advogado, pelo que sei um homem jovem e que está sendo muito atencioso com esse caso. Agora o professor que quer te levar para a natureza. O que você faz com eles, Lorena? Você olha para eles como a babá tímida e contida, quase frágil, ou você mostra a eles o mesmo fogo que eu vi hoje?

Capítulo 44: Não tive sorte 1

Capítulo 44: Não tive sorte 2

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