"Lorena"
O Érick me empurrou para trás, me fazendo deitar no colchão enquanto ele se acomodava entre as minhas pernas. O beijo tornou-se mais profundo, mais úmido, a língua dele explorando a minha boca com uma urgência que me fez arquear as costas sob ele.
O som da respiração pesada do Érick ressoava com o batido frenético do meu próprio coração, enquanto a língua dele possuía a minha boca sem nenhum decoro. O peso do corpo dele sobre o meu era a única coisa que me impedia de flutuar naquele mar de sensações proibidas. Meus dedos ainda estavam cravados na sua camisa branca semi aberta sem os botões.
Ele interrompeu o beijo por apenas um segundo, mas não se afastou. Ele manteve o rosto a milímetros do meu, os olhos dele perfurando os meus. Ele me olhava como se quisesse me desmontar, peça por peça, até encontrar a verdade que eu escondia sob a pele da babá.
- Você gosta de brincar com o perigo, Lorena? - A voz dele vibrou contra o meu pescoço, um rosnado baixo que fez cada terminação nervosa do meu corpo entrar em curto-circuito.
A sensação da pele dele contra a minha era um choque térmico. O calor que emanava dele era uma força da natureza que me envolvia e me reivindicava. As minhas mãos, espalmaram-se contra os músculos tensos das costas dele.
- Diga de novo... - Ele sussurrou com a voz rouca entre beijos. - Diga que eu não tenho o direito de ter ciúmes. Diga que aquele professor tem o direito de tocar o que é meu.
Eu tentei encontrar fôlego, mas a proximidade dele, o cheiro de sândalo misturado à fúria que ele emanova, estava me deixando sem ar.
- Você... você não é meu dono, Érick! - Eu consegui sussurrar, embora minhas mãos o estivessem puxando para mais perto, desmentindo cada palavra minha.
Ele soltou uma risada, um som gutural que terminou em uma mordida leve, mas possessiva, no meu lábio inferior.
- Dono? Não, Lorena. Eu sou o homem capaz de mover o inferno para que você não tenha com o que se preocupar. - Ele desceu os beijos para o meu maxilar, sua mão subindo por baixo da minha camiseta de pijama, a palma quente queimando minha pele nua. - Mas, isso tem um preço, Lorena. E eu não aceito migalhas. Eu não divido a sua atenção. E eu certamente não vou permitir que você olhe para outro homem com esse mesmo fogo que está nos seus olhos agora.
- O Renato é apenas o professor... - Eu tentei protestar, mas minha voz morreu em um gemido quando sua boca encontrou o ponto sensível logo abaixo da minha orelha.
- Eu vi como ele olhou para você no dia em que eu te apresentei na escola, como se quisesse te devorar. Mas eu... - Ele subiu novamente, me calando com um beijo ainda mais profundo, mais úmido, as mãos agora apertando minha cintura com uma força que prometia deixar marcas. - Eu não quero apenas te devorar, Lorena. Eu quero que você esqueça que qualquer outro homem existe. Eu quero que você sinta como você me deixa louco. Você me desafiou, Lorena...
Eu o desafiei. Eu sabia disso. E agora, sentindo o latejar do seu desejo contra o meu corpo, eu reconhecia a minha derrota. Não havia saída. O beijo dele não era um pedido, era uma invasão voraz, um resgate de algo que ele acreditava que já lhe pertencia.
Meus dedos se enterraram nos cabelos da nuca dele, puxando-o para mais perto, num misto de desespero e rendição. Eu sabia que estava cruzando uma linha sem volta. Se ele descobrisse que a babá e a garçonete eram a mesma pessoa, eu estaria perdida. Mas ali, sob o peso do seu corpo e o fogo do seu toque, a única coisa que importava era que eu estava sendo consumida pelo desejo de ser tomada por ele.
Eu arqueei as costas, entregando-me àquela possessividade deliciosa. A raiva que nos alimentou durante o dia tinha se transformado em um combustível muito mais perigoso, em algo que fazia com que queimássemos de desejo.

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