"Érick"
Minhas mãos, que estavam segurando os pulsos da Lorena, desceram pelo seu corpo sinuoso e se prenderam no seu quadril, meus dedos pressionando a pele macia como se quisessem marcá-la. No fundo eu queria e não conseguia parar. Eu não conseguia ser gentil. Cada vez que eu me impulsionava contra ela, sentindo o aperto úmido e quente da sua boceta que parecia me sugar para dentro de um abismo sedutor e delicioso, uma parte da minha sanidade parecia ser sacrificada. Cada beijo que eu espalhava pelo corpo dela era como a dose de uma droga viciante que eu ingeria.
O que diabos eu estava fazendo? O pensamento martelava no fundo da minha mente, mas meu corpo o ignorava. Eu tinha vindo aqui para brigar com ela, exigir respeito e... um comportamento adequado, para colocar ordem na minha casa e mostrar para ela como aquele professor era insignificante. Mas agora, sentindo os gemidos da Lorena contra o meu pescoço, ouvindo o meu nome sair da sua boca, eu percebia que os papéis se inverteram e o punido era eu.
Eu estava viciado nessa mulher. Viciado no cheiro de coco que agora exalava ainda mais potente do corpo suado dela, misturado ao cheiro do sexo vibrante e sem pudor que ela me proporcionava. Viciado na forma como ela arqueava as costas, entregando-se sem as máscaras que eu estava acostumado a ver nas mulheres do meu círculo. A Lorena não estava tentando me seduzir pelo meu rosto ou pelo dinheiro, ela estava simplesmente... queimando... no mesmo desejo bruto que eu e isso era um perigo.
E o que mais me assustava, o que me fazia querer rosnar de frustração enquanto a possuía com uma urgência quase violenta, era o reconhecimento. Aquele aperto, aquela forma de enlaçar as pernas na minha cintura, a audácia no olhar... por um segundo, o meu cérebro traidor projetou a imagem da Scarlat sob as luzes de neon da Infernal.
Não. Eu não podia comparar as duas. A ideia era um insulto. A Lorena era a babá da minha filha, a mulher doce que dava carinho a minha filha. Era a mulher que trazia paz para a minha casa. Mas a forma como ela recebia cada estocada bruta do meu corpo, como se tivesse sido feita sob medida para o meu prazer, estava me levando a um nível de intensidade que eu nunca alcancei... nem com a Scarlat. E isso era um problema. Um problema enorme.
Eu era Érick Albelini. Eu não perdia o controle por ninguém. Mas ali, no silêncio daquele quarto, enquanto eu chegava ao meu limite e sentia a Lorena tremer nos meus braços, eu soube: eu estava perdidamente condenado.
- Como você pode ser tão boa assim? Como você consegue esconder tudo isso, Lorena, todo esse fogo? - Eu estava ofegante, sentindo que precisava deixar o prazer tomar conta e saltar naquele abismo, mas eu a queria comigo.
- É você, Érick... é você quem me deixa assim. - A resposta dela foi tudo o que eu precisava. Ela era perfeita pra mim.
- Vem comigo... preciso de você comigo, Lorena! - Eu sibilei.
Meu corpo inteiro tensionou no exatomomento em que a boceta dela contraiu apertando o meu pau como um punho de aço. O meu corpo convulsionou sobre ela e eu derramei o meu prazer dentro dela, enquanto ela derretia sobre o meu pau. O seu corpo tremia, seu prazer evidente, nitidamente tão intenso quanto o meu.
Mas havia algo mai ali entre nós, algo que eu nunca havia sentido antes. O prazer bruto, o tesão acumulado, o desejo incontido, a necessidade do orgasmo, tudo isso estava em uma frequência que era totalmente nova para mim, mas havia mais, havia um resquício de algo que eu não conseguia compreender ou nomear.
Enquanto eu tentrava voltar para a terra e voltar a respirar, eu tomei a sua boca mais uma vez, um beijo carregado de toda aquela tempestade no meu peito que estava longe de se acalmar. Devagar eu saí de dentro dela enquanto a beijava e o gemido dela quase me fez recomeçar tudo, mas eu me agarrei a um fiapinho de autocontrole, eu tinha sido muito bruto com ela.
- Você está bem? - Eu perguntei enquanto tentava encontrar alguma expressão de dor em seu rosto, mas havia apenas um sorriso.
- Eu estou bem... muito bem. - A resposta dela foi suave, como a carícia que ela fazia nas minhas costas.
- Que bom! - Eu a beijei mais uma vez e me levantei. Eu não podia ficar ali, era prerigoso demais ficar naquela cama, trocando aqueles beijos e toques com ela. - É melhor eu ir.
Eu me vesti com uma pressa que beirava a grosseria. O silêncio do quarto, antes preenchido por gemidos, agora pesava com uma tensão carregada. Eu não olhei para a Lorena enquanto abotoava o que restava da minha camisa, mas eu tinha certeza que ela me olhava. E se eu olhasse para aqueles olhos castanhos e para o cabelo bagunçado contra o travesseiro, eu voltaria para aquela cama. E eu não podia me dar ao luxo de ser fraco duas vezes na mesma noite.
- É melhor eu ir. - Eu repeti, minha voz recuperando a cadência fria de comando e até com uma pitada de arrogância. - É melhor evitar perguntas dos funcionários.
A Adelaide se aproximou para servir o café, seus olhos de falcão alternando entre mim e a babá, percebendo o desconforto entre nós e farejando qualquer rastro do que aconteceu na noite anterior. Ela estava louca para se livrar da Lorena e isso me irritava. Eu limpei a garganta, a voz saindo desprovida de qualquer emoção.
- Adelaide. - Eu chamei. - A partir de hoje, a Srta. Valente não ocupará mais o quarto da ala de serviço. Quero que transfira os pertences dela para a suíte ao lado da de Alice, no andar superior. É mais prático para as necessidades da minha filha... e mais adequado.
Lorena travou e rangeu os dentes audivelmente. Alice soltou um gritinho de alegria. E a governanta... ah essa foi boa, seus olhos quase saltaram das órbitas para dentro da minha xícara, seu rosto era uma máscara de choque e desdém contido, mas ela apenas assentiu.
- Como desejar, Sr. Albelini.
- Senhor, eu não fui consultada sobre isso. Eu prefiro o meu espaço, estou bem onde estou. - A Lorena falou com a voz trêmula de indignação.
Eu finalmente ergui os olhos, encontrando os dela. Não havia o calor da noite anterior, havia apenas um brilho frio como uma lâmina.
- Não foi um pedido, Lorena. Foi uma diretriz que você deverá cumprir. - Eu a encarei como se a desafiasse a me questionar ali, na frente da Alice e da Adelaide. Ela não questionou. Eu voltei a minha atenção para o meu café da manhã. - Você agora está sob minha supervisão constante. Prepare-se para a mudança. Ah... - Eu deixei os talheres sobre o prato. - E quanto as refeições, você as faz ao lado da Alice, nem antes, nem depois! Fui claro? - Minha entonação exigia resposta.
- Como um raio de sol! - Ela respondeu irônicamente, com os olhos cintilando de raiva. Assim era melhor!
Eu sabia que ela odiaria a mudança de quarto. Sabia que ela se sentiria invadida. E sabia que haveria burburinho entre os funcionários. Mas se eu ia perder o juízo por causa dessa mulher, ela ficaria exatamente onde eu pudesse monitorar cada passo, cada suspiro... e cada aproximação de professores e advogados indesejados.

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