"Érick"
Pareceu levar uma eternidade até que a Scarlat finalmente decidisse me dar o que prometeu. Deixando os meus amigos naquele camarote, tão bêbados que provavelmente nem se lembravam mais do próprio nome, eu fui guiado por ela até o camarote privativo, um lugar que parecia descolado da realidade. Ali o som da boate não entrava e ninguém via o que acontecia dentro daquelas quatro paredes decoradas com veludo vermelho.
Quando a porta do reservado se fechou, isolando o mundo, a Scarlat se virou para mim com aquele sorriso de quem detém as chaves do inferno. Ela era puro fogo, couro e o cheiro inebriante de absinto e fumaça. Eu a queria. Precisava dela para destruir na minha mente a imagem da babá doce gemendo debaixo de mim, aquela imagem de entrega total que vinha assombrando meus sonhos.
Eu a puxei pela cintura com um ímpeto que a fez arfar, colando seu corpo ao meu como se quisesse fundir nossas peles. Meus beijos não eram gentis ou os beijos luxuriosos de um amante; eram como um castigo, como se eu a ensinasse que eu decidia como e quando. Mas ela não era a Lorena que se entregava e se permitia ser levada a apenas sentir; ela era a Scarlat, a que não aceitava as regras, a que me desafiava e tomava o controle. Ela me empurrou para o sofá antes que eu conseguisse prendê-la contra a parede acolchoada. Era um sofá de couro preto, grande e confortável.
- Meu inferno, minhas regras, cavalheiro! - Ela me lembrou e se afastou, apertando um botão no painel.
Os primeiros acordes de "Body Party", da Ciara, saíram pelo sistema de som, prechendo o ambiente com aquela batida sensual. Ela se colocou à minha frente e fez a calcinha escorregar pelas suas pernas magníficas. A cor de hoje: vermelha! Uma pequena e provocante calcinha de renda vermelha que ela tirou e atirou na minha cara com um sorriso convencido. E se aquele era o cheiro do inferno, absinto e... algo que não deveria estar ali, eu estava perdido.
Ela riu, veio em minha direção com uma sensualidade absurda e se sentou no meu colo enquanto a música tocava, uma batida lenta e extremamente sensual. As primeiras batidas graves da música reverberavam nas paredes do camarote privado, e o mundo lá fora simplesmente deixou de existir. Ela não tinha pressa. Sabia que eu estava no limite, e parecia se deliciar com cada grama do meu desespero.
- Relaxe, cavalheiro. - Ela sussurrou, o hálito quente roçando minha bochecha. - Você veio aqui para esquecer, não foi? Então esqueça até como se respira, agora eu guio você!
Ela começou a dança. O modo como o corpo dela ondulava, seguindo a voz arrastada da cantora, era uma tortura calculada. Cada movimento de quadril, cada vez que a sua pele nua roçava na minha calça, pressionando o meu membro ansioso e pronto, era como uma descarga elétrica. Suas mãos subiram pelo meu peito, as unhas negras marcando levemente o tecido da minha camisa, enquanto ela descia lentamente, mantendo os olhos fixos nos meus. Aquele azul e vermelho da peruca que parecia uma chama viva sob a meia luz que refletia nas paredes.
O lapdance que a Scarlat me apresentou era uma obra de arte da sedução. Ela se sentou no meu colo, as pernas envolvendo a minha cintura, e começou um movimento circular, lento e profundo, que me fez travar o maxilar para não rugir de frustração por não estar dentro dela ainda. Ela era puro pecado e técnica. Eu fechei os olhos por um segundo, tentando me perder naquele transe de luxúria. Eu queria que a Scarlat me consumisse por inteiro, que ela arrancasse de mim qualquer rastro do cheiro de coco e açúcar que vinha me assombrando a semana toda. Eu queria ser o "predador" de novo, o homem que só enxergava o prazer imediato, que não se apegava a uma mulher, apenas sentia prazer com elas.



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