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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 50

"Érick"

O rastro da Scarlat ainda queimava na minha pele quando estacionei o carro na garagem da mansão, mas o silêncio que me recebeu foi um incômodo profundo e opressivo. Eu esperava que a noite na Infernal purgasse o nome de Lorena do meu sistema, mas, ao subir as escadas, eu percebi que o efeito foi o oposto. Eu estava com os nervos em frangalhos, dividido entre o fogo da pecadora e a doçura da santa. E isso se intensificou quando eu passei pela porta do quarto da babá e senti o seu perfume emando de dentro daquele cômodo.

Eu estava tão fora do meu habitual controle que eu liguei para a minha mãe e pedi que ficasse com a Alice mais um dia, dizendo que eu precisava trabalhar, o que nem era tão mentira assim. Mas eu passei o dia como um animal enjaulado. Tentei trabalhar, mas as planilhas se transformavam em flashes da noite anterior na Infernal. O brilho da peruca de Scarlat, o gosto do champanhe... e, inexplicavelmente, a imagem de Lorena me desafiando no jantar.

Eu vagava pela casa como um intruso em meu próprio império. Cada vez que passava pela porta do quarto da Lorena meus pés hesitavam e o cheiro de coco me assombrava. Eu estive a ponto de ligar para ela e dizer que precisava que ela voltasse e se o Julian não tivesse chegado, eu teria ligado.

- Cara, eu precisava te ver! - O Julian parecia acabado, profundos círculos roxos sob os olhos evidenciavam uma noite de farra. Ele se jogou no meu sofá como se o mundo estivesse caindo. - Que noite, meu amigo! Que noite! - Ele deu uma risada de satisfação, mas diante do meu silêncio ele se sentou e me encarou. - Qual é, Albelini? A capetinha não escapou, eu vi bem quando ela te pegou pela mão e levou para fora do camarote.

- Ela não escapou. - Eu grunhi e então eu perdi toda a compostura. - Aquela capetinha me deu um lapdance estelar! Ela me deu... nós fizemos sexo outra vez, foi surreal, mas...

- Olha, olha... temos um mas. Mas não é bom. Mas é sinal de problema. - O Julian apontou e eu fiquei de pé irritado e inquieto.

- A porra de um problema com cheiro de doce! - Eu confessei.

- Ah, mas eu sabia! A semana inteira com um humor do cão, gritando com os funcionários... Érick, você fez a secretária chorar. - O Julian me encarou. - Bem que eu estava desconfiado, você quer a babá também. Vai, me diz, você tentou se aproximar e ela te deu um fora? - O Julian estava sorrindo, pronto para debochar.

- Pior que isso. Eu a beijei finalmente no meu escritório. Depois fiquei puto porque ela saiu para ver o advogado e levou uma cantada do professor da Alice. Nós discutimos e terminamos na cama.

O Julian me olhava de boca aberta, como se estivesse paralisado.

- Fala alguma coisa, Julian! - Eu pedi e ele piscou.

- Por que eu, o seu melhor amigo só estou sabendo disso agora?

- Porque eu estava tentando esquecer.

- Foi tão ruim assim?

- Foi tão bom que aquela babá estava na minha mente enquanto a capetinha estava no meu colo. - Eu tornei a me sentar. Colocar aquilo em voz alta me deixou desesperado.

- Espera, a doce e quieta babá, aquela que o noivo abandonou, é melhor que a capetinha? - O Julian parecia ter ouvido uma blasfêmia.

- Elas são... diferentes. Mas... cara, minha mente me pregou uma bela peça e no final eu já estava vendo a babá na Scarlat.

- Ca-ra-lho! - O Julian parecia custar a acreditar no que ouvia.

Capítulo 50: O Deserto do Albelini 1

Capítulo 50: O Deserto do Albelini 2

Capítulo 50: O Deserto do Albelini 3

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