Dentro da casa.
A comitiva do noivo tinha vindo em peso: padrinhos, parentes, amigos próximos. Lílian também estava lá.
Ver Carolina no meio das madrinhas não surpreendia Lílian. O que a irritava era perceber que Carolina mal tinha se produzido e, ainda assim, parecia uma fada caída do céu. Bonita demais. Impossível de ignorar. Aquilo fazia o sangue de Lílian ferver sem motivo aparente.
Em frente à porta do quarto da noiva, estavam alinhados dezenas de banquinhos vermelhos. Sobre cada um, um copinho com tampa preta.
Uma das madrinhas explicava, com um sorriso travesso:
— Em três desses copos tem bebida alcoólica. Quem não pegar bebida, dá um envelope com dinheiro. Mas, se alguém tiver sorte de beber os três copos com álcool, aí pode entrar pra buscar a noiva. Nada de cheirar, hein!
Na verdade, não havia uma gota de álcool em copo nenhum.
Era só um truque do grupo das madrinhas para dificultar a vida do noivo e, de quebra, arrancar mais envelopes com dinheiro das mãos dos padrinhos.
O jogo começou.
Copo após copo daquele suco intragável fazia os padrinhos torcerem o rosto. As expressões se contorciam em caretas hilárias, dignas de virar meme.
As madrinhas se divertiam, felizes, recebendo envelopes enquanto riam sem parar. Até o grupo de parentes caía na gargalhada ao assistir à cena.
Carolina ficava de lado, sorrindo.
O sorriso dela era doce demais. Iluminava o ambiente.
De repente, ela sentiu um olhar especialmente intenso pousar sobre si.
Ergueu os olhos e acabou cruzando com os de Henrique. Profundos. Escuros.
No instante em que os olhares se encontraram, ele fez um gesto sutil com os olhos, apontando discretamente para os copos à sua frente.
Eles tinham namorado por quatro anos. Carolina entendia aquele olhar sem esforço.
Só não esperava que ele tivesse a ousadia de pedir ajuda justamente à ex-namorada.
Ingênuo.
"Será que ele tinha subestimado o quanto uma ex podia ser… Perigosa?"
Carolina virou o rosto e cochichou algumas palavras com a madrinha ao lado. Depois de trocarem olhares cúmplices, caminhou devagar até um dos banquinhos.
Ergueu os olhos e encarou Henrique.
O olhar dela se fixou, firme, em um copo específico.
Henrique não hesitou nem por um segundo. Foi direto naquele que Carolina tinha indicado.
No instante em que levantou a tampa…
Era suco de boldo. Justamente a coisa que ele mais odiava.
O enjoo veio na hora. Por pouco não vomitou ali mesmo.
— Bebe! Bebe! Bebe! — O grupo das madrinhas, já com mais um envelope com dinheiro garantido, batia palmas e fazia coro, animado.
Henrique franziu a testa. A mão segurando o copo tremia levemente. Ele prendeu a respiração, fazendo um enorme esforço psicológico para se preparar.
Lílian não aguentou ver aquilo.
— O Rick odeia boldo. Deixa que eu bebo por ele.
Uma das madrinhas a impediu de imediato:
— Não pode substituir! Se não for alérgico, quem escolhe é quem bebe.
Henrique inspirou fundo. Afastou a mão que Lílian estendia e ergueu o olhar escuro diretamente para Carolina.


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