— Na nossa idade, já está todo mundo dizendo que é hora de se casar. Daqui a dois anos, a gente entra oficialmente para o time dos solteirões encalhados... Você nunca pensou em...
— Nunca. — Carolina a cortou. Baixou os olhos e esboçou um sorriso leve. — Sozinha, eu estou bem. Casamento não é o que faz uma vida ser completa.
Cláudio girou o volante de repente e encostou o carro na beira da rua.
Carolina virou o rosto para olhá-lo, surpresa.
A luz amarelada dos postes envolvia o carro numa claridade morna e difusa. O brilho atravessava os vidros e iluminava o interior, deixando a cabine mergulhada numa penumbra enevoada.
Cláudio apertava o volante com força, os dedos rígidos, como se juntasse toda a coragem que ainda tinha. Então se virou de repente para encará-la e falou com uma sinceridade quase aflita:
— Carolina... Eu ainda gosto muito de você. Você me daria uma chance?
O coração de Carolina não se abalou nem um pouco.
— A gente mal se reencontrou, e você já vem com isso, assim, de cara?
Cláudio abriu um sorriso amargo.
— Você sempre foi o amor que eu nunca consegui esquecer. Naquela época, não ter conseguido ficar com você foi o maior arrependimento da minha vida. Depois disso, eu me envolvi com outras mulheres... Mas, no fundo, acabava procurando nelas alguma coisa sua. Só que nenhuma era você. E por isso nunca dava certo.
Carolina ficou ainda mais sem jeito. Então tentou aliviar o clima com um tom de brincadeira:
— Nossa, você é bem cafajeste, hein? Dá até pena das outras que passaram pela sua vida.
— É porque eu gosto muito de você.
Carolina soltou uma risada curta, sem calor nenhum.
— O que a gente não consegue ter sempre parece mais irresistível. — Ela analisava tudo com a lucidez de quem enxergava a situação com clareza. — Se eu tivesse ficado com você naquela época, você não me veria desse jeito, como esse amor ideal. Muito provavelmente, eu teria terminado igual às suas ex.
— Você nem tentou. Como pode ter tanta certeza?
— E eu não quero tentar. Anda, dirige. É só virar ali na frente que a gente chega.
Cláudio apertou o volante e manteve os olhos na estrada.
— Carol, desta vez eu não vou desistir tão fácil. Eu vou conquistar você.
No mundo dos adultos, as coisas eram assim mesmo: diretas, sem rodeios. Carolina já não se incomodava mais.
Sem deixar espaço para ilusão, ela cortou:
— Faça como quiser. Só não me perturbe. Se passar dos limites, eu peço uma medida protetiva.
Carolina sorriu de leve, soltou o cinto de segurança e disse:
— Obrigada pela carona.
Abriu a porta, desceu do carro e, parada na calçada, acenou brevemente para ele antes de se virar e entrar na pousada.
Cláudio também abriu a porta e desceu. Apoiado no teto do carro, com o cotovelo descansado sobre a lataria, gritou na direção dela:
— Carolina! Eu gosto de você há mais de dez anos. Não vou desistir. Não importa quanto tempo passe... Se um dia você quiser, basta olhar para trás. Eu vou continuar aqui, te esperando no mesmo lugar.
Carolina acelerou o passo e entrou na pousada sem olhar para trás.
"Te esperando no mesmo lugar."
Bonito de ouvir.
O mesmo lugar dele era colecionar namoradas parecidas com ela, procurando sua sombra em mulheres inocentes.
Um amor assim só podia trazer desgaste.
Não era à toa que ele era irmão de Lílian. Os dois tinham saído do mesmo molde: a mesma visão torta das coisas, o mesmo caráter duvidoso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...