Na manhã seguinte, o ar ainda guardava um resto abafado do calor do verão, apesar da brisa fresca que soprava pelas ruas.
De uma barraquinha vinha o cheiro forte do tucupi. Carolina comprou dois cafés da manhã e, por um impulso difícil de explicar, levou também uma cuia de tacacá.
Ela já tinha provado aquilo anos antes, quando Henrique insistira com paciência.
Passara mal na hora.
Não suportava aquele sabor intenso, ácido, com um fundo estranho que tomava a boca inteira.
Henrique, por outro lado, gostava muito.
Talvez fosse o gosto da terra dele.
Quando a saudade apertava, até as menores coisas ligadas a ele bastavam para prender toda a sua atenção.
No caminho para o hospital, carregava a cuia de tacacá em uma mão e o café da manhã da mãe na outra.
O sol suave da manhã caía sobre sua pele e a aquecia aos poucos.
Tomando coragem, ela levou um gole à boca.
No mesmo instante, o sabor forte do tucupi se espalhou pela língua, seguido pela sensação estranha do jambu, que quase a fez engasgar. Seu estômago se revirou na hora, mas ela se obrigou a engolir.
— Ugh...
Uma ânsia violenta subiu imediatamente.
Carolina respirou fundo, conteve o enjoo e tomou outro gole, maior.
Assim que engoliu, o mal-estar voltou ainda mais forte.
E foi assim que uma cena no mínimo peculiar começou a se formar no meio da rua.
Uma jovem de traços delicados, de uma beleza limpa e natural, com os cabelos longos dançando ao vento e um vestido leve esvoaçante. Sob a luz da manhã, Carolina parecia fazer parte da própria paisagem, bonita demais para passar despercebida.
Em uma mão, o café da manhã. Na outra, a cuia de tacacá.
Caminhava pela rua enquanto tomava aquilo... E quase vomitava a cada gole.
Sempre que a ânsia vinha, ela endireitava o corpo, respirava fundo, forçava-se a continuar e o enjoo voltava logo em seguida. Presa naquele ciclo absurdo, acabou esvaziando a cuia inteira, gole após gole.
Pelo caminho, só se ouvia:
— Ugh...
— Urgh...
— Ahn...
A cena era, ao mesmo tempo, bonita e completamente ridícula e, justamente por isso, impossível de ignorar.
Um rapaz que trabalhava produzindo conteúdo para redes sociais acabou filmando tudo e postou o vídeo numa plataforma de vídeos curtos.
Quando chegou ao hospital, Luana já estava acordada e conversava com uma senhora idosa que ocupara a cama ao lado.
Assim que Carolina entrou, Luana a apresentou, visivelmente orgulhosa:
— Esta é a minha filha.
A senhora lançou um olhar demorado sobre Carolina, avaliando-a de cima a baixo, claramente impressionada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
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