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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 213

Na manhã seguinte, o ar ainda guardava um resto abafado do calor do verão, apesar da brisa fresca que soprava pelas ruas.

De uma barraquinha vinha o cheiro forte do tucupi. Carolina comprou dois cafés da manhã e, por um impulso difícil de explicar, levou também uma cuia de tacacá.

Ela já tinha provado aquilo anos antes, quando Henrique insistira com paciência.

Passara mal na hora.

Não suportava aquele sabor intenso, ácido, com um fundo estranho que tomava a boca inteira.

Henrique, por outro lado, gostava muito.

Talvez fosse o gosto da terra dele.

Quando a saudade apertava, até as menores coisas ligadas a ele bastavam para prender toda a sua atenção.

No caminho para o hospital, carregava a cuia de tacacá em uma mão e o café da manhã da mãe na outra.

O sol suave da manhã caía sobre sua pele e a aquecia aos poucos.

Tomando coragem, ela levou um gole à boca.

No mesmo instante, o sabor forte do tucupi se espalhou pela língua, seguido pela sensação estranha do jambu, que quase a fez engasgar. Seu estômago se revirou na hora, mas ela se obrigou a engolir.

— Ugh...

Uma ânsia violenta subiu imediatamente.

Carolina respirou fundo, conteve o enjoo e tomou outro gole, maior.

Assim que engoliu, o mal-estar voltou ainda mais forte.

E foi assim que uma cena no mínimo peculiar começou a se formar no meio da rua.

Uma jovem de traços delicados, de uma beleza limpa e natural, com os cabelos longos dançando ao vento e um vestido leve esvoaçante. Sob a luz da manhã, Carolina parecia fazer parte da própria paisagem, bonita demais para passar despercebida.

Em uma mão, o café da manhã. Na outra, a cuia de tacacá.

Caminhava pela rua enquanto tomava aquilo... E quase vomitava a cada gole.

Sempre que a ânsia vinha, ela endireitava o corpo, respirava fundo, forçava-se a continuar e o enjoo voltava logo em seguida. Presa naquele ciclo absurdo, acabou esvaziando a cuia inteira, gole após gole.

Pelo caminho, só se ouvia:

— Ugh...

— Urgh...

— Ahn...

A cena era, ao mesmo tempo, bonita e completamente ridícula e, justamente por isso, impossível de ignorar.

Um rapaz que trabalhava produzindo conteúdo para redes sociais acabou filmando tudo e postou o vídeo numa plataforma de vídeos curtos.

Quando chegou ao hospital, Luana já estava acordada e conversava com uma senhora idosa que ocupara a cama ao lado.

Assim que Carolina entrou, Luana a apresentou, visivelmente orgulhosa:

— Esta é a minha filha.

A senhora lançou um olhar demorado sobre Carolina, avaliando-a de cima a baixo, claramente impressionada.

Sem dizer mais nada, largou o café da manhã sobre a mesa e saiu do quarto.

Na cabeça de mulheres tradicionais como sua mãe, o destino de uma mulher era o casamento. E, se os filhos não se casassem, elas pareciam acreditar que morreriam sem conseguir fechar os olhos em paz.

Carolina acabara de sair da enfermaria e atravessava o corredor quando viu, mais à frente, um rosto conhecido.

Tainá.

Ela conversava com uma enfermeira, aparentemente pedindo alguma informação. A enfermeira apontou na direção de Carolina. No instante em que virou o rosto, Tainá encontrou o olhar dela.

Vestida com elegância impecável, num luxo discreto, mas evidente, Tainá vinha de salto alto, com uma bolsa sofisticada no braço, e caminhou diretamente até ela.

— Que coincidência, Sra. Tainá. — Disse Carolina, cumprimentando-a.

Tainá sorriu com formalidade.

— Coincidência nenhuma. Vim aqui especialmente para falar com você. Vamos nos sentar em algum lugar para conversar.

Os dedos de Carolina se fecharam lentamente em punho.

Ela já sabia o motivo daquela visita.

— Não precisa procurar lugar nenhum. Pode falar aqui mesmo. O que a senhora quer, diga logo.

Tainá franziu levemente a testa e lançou um olhar ao redor, percorrendo o corredor de um lado ao outro, visivelmente incomodada.

Conversar ali, no corredor de um hospital?

Para alguém como ela, aquilo beirava o insulto, um ambiente indigno, vulgar demais, muito abaixo do que considerava aceitável.

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