Diante da frieza de Carolina, Tainá também deixou de lado qualquer verniz de cordialidade.
— Muito bem. Então vai ser aqui mesmo. Vou direto ao assunto.
Carolina não respondeu. Apenas a encarou.
Tainá mantinha as mãos elegantemente entrelaçadas à frente da cintura. Havia nela uma autoridade refinada, quase sufocante. O olhar permanecia sereno, mas cada palavra vinha carregada de aviso, quase de ameaça.
— Carol, o que eu tinha para dizer com delicadeza, já disse há seis anos. Na época, achei que você fosse sensata. Achei que, pensando no futuro e na carreira do Rick, saberia se afastar. Mas eu me enganei. No ano em que ele foi transferido para Porto Velho, você voltou a se envolver com ele.
Carolina apertou os lábios, tomada por um amargor silencioso.
Não era difícil imaginar. Lílian devia ter contado tudo.
Ela não negou, mas também não confirmou.
O semblante de Tainá escureceu, e sua voz ficou mais dura:
— A família Queiroz é uma família tradicional. Não é qualquer mulher que pode entrar nela. Muito menos alguém como você. Seu pai foi preso, e isso é uma mancha para todos nós. Uma vergonha que nem em três gerações desaparece. Eu jamais permitiria que uma mulher com esse tipo de origem ficasse com o Rick.
Fez uma breve pausa antes de continuar, ainda mais fria:
— O Rick já tem noiva. Ela é executiva de uma grande empresa. Os pais são professores universitários, gente culta, de família respeitável. Espero que você tenha o mínimo de noção do seu lugar. Seu pai é um criminoso, sua mãe mal tem estudo... E você não passa de uma advogada mediana. Em outras palavras: você não está à altura do Rick. Nem você, nem a sua família estão à altura dos Queiroz. Então, de agora em diante, mantenha distância. E pare com esses truques baixos.
As mãos de Carolina se fecharam com força.
As unhas se cravaram na palma, abrindo uma dor fina e aguda.
Seu peito parecia preso por uma corda invisível, tão apertada que mal a deixava respirar.
Ela conhecia muito bem a própria realidade.
Mas, por mais lúcida que fosse, ouvir aquilo da boca de outra pessoa ainda feria. Ainda sufocava. Ainda a obrigava a engolir a humilhação em seco.
Carolina já ia responder, quando a voz furiosa da mãe explodiu atrás dela, cortando o corredor como um chicote:
— E quem o Henrique pensa que é? E você, então, quem é?

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