No Morada One, Carolina havia reservado todo o fim de semana para a mudança e fez tudo sozinha.
Quando terminou, já passava da meia-noite. O cansaço pesava tanto que parecia que os ossos iam se desfazer. Tomou um banho rápido e foi para o quarto dormir.
Entre o sono e a vigília, ouviu um barulho vindo de fora.
Morando sozinha havia anos e sendo uma mulher solteira, Carolina desenvolvera um instinto de alerta quase automático. Acordou num sobressalto, completamente desperta.
Pegou o celular e conferiu a hora.
Cinco e meia da manhã.
Era, de fato, um horário perfeito para a ação de ladrões.
O medo subiu pelo peito. Carolina vestiu uma jaqueta fina, revirou a bolsa até encontrar o bastão elétrico e avançou em direção à porta do quarto, medindo cada passo com extremo cuidado.
Quando encostava a orelha na madeira, de repente...
As batidas ecoaram, fazendo-a recuar dois passos, assustada.
"O ladrão ousava bater na porta?
Era ousadia demais.
Não podia ser a Larissa…"
O coração disparava, as mãos suavam. Carolina apertou o bastão elétrico e gritou, a voz tensa:
— Quem é?
— Sai um instante.
A voz masculina do lado de fora era conhecida. Grave, calma, com um timbre quente e magnético.
Soava como a de Henrique.
Carolina ficou atônita, achando que tinha ouvido errado.
— Quem é você, afinal? Como entrou na minha casa? Eu já chamei a polícia. É melhor ir embora agora, se tiver juízo.
— Sou o Henrique. Sai um pouco pra gente conversar.
Dessa vez, ela teve certeza absoluta. Era mesmo ele.
Carolina travou. Largou o bastão elétrico, pegou o celular às pressas e ligou para Larissa.
Do outro lado da linha, Larissa dormia profundamente, com o mau humor típico de quem fora arrancada do sono.
— Pra quê isso, minha filha do céu? São cinco e meia da manhã. Meu marido chegou agora há pouco e nem me acordou. E você me liga?
Carolina não conseguia se acalmar.
— O Henrique está aqui, do lado de fora da porta. O que está acontecendo?
— E eu vou saber? Vai perguntar pra ele.
— A casa é sua. Você não sabe?
Ainda meio grogue, Larissa gritou para o lado:
— Amor! Por que o Henrique estaria lá no apartamento do Morada One?
Pelo telefone, a voz de Leandro soou distante, sonolenta:

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