Parada diante da porta do quarto de Henrique, Carolina hesitou.
A luz lá dentro já estava acesa e escapava em filetes pela fresta da porta.
Ela ergueu a mão e bateu de leve.
Do outro lado, ouviu a voz suave de Henrique:
— Pode entrar.
Não havia frieza nenhuma naquele tom.
Talvez ele tivesse pensado que era Lívia. Só isso explicaria uma recepção tão branda.
Carolina girou a maçaneta e entrou.
O quarto estava inundado por uma luz branca e fria, forte o bastante para deixar cada detalhe à mostra.
Era um espaço amplo, impecavelmente arrumado. A cama grande, em tons de cinza, estava coberta por roupa de cama xadrez em branco e chumbo. Ao lado, dois criados-mudos de desenho elegante exibiam pequenos modelos aeroespaciais.
Mais ao fundo, havia uma área que lembrava um escritório, separada por um biombo. O espaço era ainda maior. Uma mesa de trabalho curva, extensa e imponente, dominava boa parte do ambiente. Sobre ela, havia vários equipamentos, dois computadores grandes, além de algumas máquinas e módulos que Carolina não fazia ideia de para que serviam.
Atrás da mesa, uma estante inteira reunia livros, maquetes, troféus e medalhas que Henrique havia acumulado ao longo dos anos.
Naquele momento, ele estava sentado diante da mesa, com parte do rosto encoberta pela tela do computador.
Carolina parou por um instante.
De repente, ficou nervosa.
Tinha medo de que ele se irritasse e a mandasse embora de novo. Permaneceu ali, indecisa, por alguns segundos, até criar coragem para se aproximar. Então, com um sorriso forçado, falou baixinho, num tom suave:
— Henrique, eu fiz um mingau de arroz com carne e ovo para você.
Aproximou-se da mesa e pousou a bandeja sobre ela.
Henrique lançou um olhar para a tigela e, em seguida, ergueu os olhos escuros para encará-la.
Carolina sustentou aquele olhar por um segundo.
No instante em que os olhos dos dois se encontraram, seu coração pareceu tropeçar, e um nervosismo sem explicação tomou conta dela.
Naquele momento, Carolina chegou a pensar que Henrique não parecia tão abatido quanto na foto que Lívia lhe mandara. A barba por fazer o deixava com um ar mais cansado, mais maduro. E, ainda assim, ou talvez por isso mesmo, ele parecia ainda mais bonito, mais viril. Já não era só o homem gentil e refinado de sempre. Havia nele algo mais bruto, mais instintivo, quase selvagem.
Ser olhada daquela forma a deixou desnorteada. Sem saber onde pôr as mãos, ela se apressou em explicar, em voz baixa:
— A Lívia foi embora. Ela disse que amanhã viaja para o exterior e que não tem como continuar cuidando de você. Então pediu para eu ficar.

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