— Não.
— Vá embora, Carolina. Eu não preciso da sua pena.
Carolina não disse mais nada. Deu meia-volta e saiu, levando nos passos uma solidão impossível de esconder.
No instante em que a porta se fechou, Henrique cobriu o rosto com a mão e puxou o ar fundo. Em seguida, manobrou a cadeira de rodas às pressas até o computador, abriu o sistema de câmeras da casa e começou a procurá-la entre as várias janelas na tela.
Foi então que a encontrou.
No canto do corredor, ao fim da passagem, a figura magra de Carolina aparecia agachada contra a parede, com os joelhos encolhidos junto ao peito e o rosto escondido entre os braços.
Henrique ampliou a imagem várias vezes.
Só então percebeu que o corpo frágil dela tremia.
Naquele momento, Carolina parecia um gatinho machucado, abandonado num canto, tentando se curar sozinho.
Henrique afastou as mãos da mesa e se recostou na cadeira. Ficou encarando a mulher na tela de vigilância, enquanto os olhos iam ficando vermelhos aos poucos.
Já era tarde da noite, e a casa inteira estava mergulhada em silêncio.
Depois de comer o mingau, Carolina arrumou a cozinha e voltou para o quarto.
O cômodo era um pouco menor que o de Henrique, mas também era aconchegante e decorado com bom gosto. Não faltava nada. Os itens de uso diário estavam todos ali, e até absorventes haviam sido separados com cuidado dentro do armário.
O quarto tinha de tudo.
Menos remédio.
Ela sofreu com a insônia. Passou a noite dormindo mal e, na manhã seguinte, não conseguiu acordar cedo.
Só despertou de verdade quando o celular apitou.
Carolina abriu os olhos de repente e esfregou a testa pesada. A mente ainda estava enevoada, confusa. Tateou a cama até encontrar o telefone e olhou as horas.
Já eram quase dez da manhã.
Que desastre.
Ela tinha ido para lá para cuidar de Henrique e, ainda assim, dormira até quase dez. Quem tinha preparado o café da manhã dele?
Carolina se levantou às pressas e olhou a notificação que acabara de chegar.
Bastou uma única mensagem do banco para fazê-la entrar em pânico.
O Grupo Nogueira Lima havia transferido duzentos mil reais para a conta dela.
Na descrição, constava uma única palavra: "Agradecimento."
Foi como levar um choque.
Ela era a advogada que representava os moradores. A outra parte depositar dinheiro na conta dela e ainda usar uma palavra daquelas só podia ser uma armação.
"Primeiro, o sumiço das provas. Agora isso.

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