Depois de beber o leite, Carolina voltou para o quarto e fechou a porta.
O silêncio tomou conta de tudo. A luz alaranjada, fraca e difusa, mal desenhava os contornos do cômodo.
Carolina sentia as pernas pesadas. Até o ar parecia mais espesso, comprimindo seus pulmões a cada respiração, como se nem isso lhe fosse permitido.
Ela se jogou às pressas na cama grande, puxou o cobertor até se cobrir inteira e ficou ali, encolhida, tremendo sem conseguir parar.
Sua mente já estava dominada por todo tipo de emoção ruim. Era aquela maldita doença de novo, despejando dor dentro dela.
Ela não queria se sentir assim, mas não tinha controle sobre os próprios pensamentos. De repente, começava a achar que todo mundo a odiava, que era um peso na vida dos outros, que continuar vivendo era cansativo demais... Exaustivo demais.
Ela não conseguia conter a depressão.
Não conseguia afastar aqueles pensamentos sombrios.
Muito menos controlar as reações do próprio corpo.
Então, só lhe restou suportar tudo em silêncio, afundada no desespero, com as lágrimas escorrendo, as mãos e os pés tremendo, a respiração e o coração completamente fora de compasso... Até que, aos poucos, adormeceu em meio à dor.
Na manhã seguinte, acordou com a cabeça pesada, turva. Saiu da cama e foi ao banheiro se lavar.
Pela manhã, seu humor parecia um pouco melhor. Depois de se arrumar, lavar o rosto, fazer uma maquiagem leve e vestir um vestido bonito, bastava abrir um sorriso discreto ao sair do quarto para parecer uma pessoa saudável e perfeitamente normal.
Ela foi até o quarto ao lado e bateu na porta.
— Pode entrar.
A voz suave de Henrique veio lá de dentro.
Carolina abriu a porta e entrou. Caminhou até Henrique, que estava diante da escrivaninha, ocupado com o trabalho.
— Bom dia, Rick.
Ela sorriu com doçura. Os olhos se curvaram em meias-luas, e seus passos eram leves.
Henrique vestia camisa branca e calça preta. Tinha uma elegância natural, distinta, e aquela frieza refinada só o tornava ainda mais atraente. Sentado diante do computador, analisava os dados na tela.
Ao ouvir a voz de Carolina, ele virou o rosto para encará-la.


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