Carolina sentiu um aperto leve no peito. Baixou o olhar para os documentos nas mãos.
— Eu não tenho dívidas… Mas também não tenho quase nada. Trabalhei tantos anos, e o dinheiro foi todo pro tratamento do Luiz… Não consegui guardar. E o que você me deu… Usei com a minha mãe. O resto foi pra pagar indenizações.
Henrique passou o braço pela cintura dela e a puxou com suavidade, fazendo-a sentar sobre sua perna boa. Os olhos eram intensos, mas a voz continuava calma:
— Eu não estou interessado no seu dinheiro. Nem me importo se você tiver dívidas. Você sabe o que eu quero, não sabe?
— Sei… — Ela respondeu baixo, abaixando ainda mais a cabeça. — Você quer que eu seja sincera… Que não esconda nada.
Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Os dedos longos roçaram de leve sua orelha, enquanto o olhar percorria seus traços com atenção.
— O seu coração… Eu sei que não vou entender completamente. — A voz saiu baixa, quase num murmúrio. — Mas, dentro do que eu posso ver… Seus bens, a senha do seu celular, seus amigos, seus planos, seu trabalho… Eu quero saber de tudo. Sem exceção.
O peito de Carolina apertou.
Ela o encarou, inquieta.
Por um instante estranho… Teve a sensação de que Henrique parecia mais frágil que ela.
Ele ergueu levemente o queixo dela. O olhar queimava em intensidade.
— Não guarda nada. Nem segredo, nem distância… Eu não quero nada escondido de mim.
O coração dela acelerou.
Sem saber bem como reagir, assentiu.
Mas, por um segundo fugaz…
sentiu que havia algo ali, perigoso.
Uma linha tênue sendo atravessada.
O peito apertou de novo.
Carolina passou os braços pelo pescoço dele e se aninhou no ombro dele. A voz saiu baixa, embargada:
— Rick… Você tá doente?
A mão de Henrique subiu devagar até a nuca dela, acariciando com cuidado. Ele fechou os olhos e afundou o rosto nos cabelos dela, respirando fundo. Quando falou, a voz saiu rouca, abafada:
— Talvez… Foi você que me deixou assim. Eu já não sou mais normal. Só… Não me engana de novo. E não diz aquelas coisas que me machucam… Senão eu acabo enlouquecendo de verdade.
— Não vou mais… — Ela o abraçou com mais força. As lágrimas começaram a cair, uma atrás da outra. — Me desculpa…
— Carol… Eu odeio quando você fala isso. Não diz mais "desculpa", tá?
— Certo… — A voz saiu presa na garganta enquanto ela assentia.
— Então não fala… E também não faz mais. Combinado?
— Combinado.
No papel, mal dava meia página.
Ela também listou os poucos amigos com quem ainda mantinha contato, além dos planos de trabalho para os próximos seis meses, organizando tudo em uma tabela para entregar a ele.
Aquilo que, à primeira vista, parecia exagerado…
Na verdade nascia da insegurança dele.
E, se abrir mão de tudo pudesse tranquilizá-lo…
Então ela estava disposta a não esconder nada.
No fim da tarde, Carolina recebeu uma notificação do tribunal.
A audiência do caso de contaminação da fábrica química do Grupo Nogueira Lima já tinha data marcada.
Mas as provas que ela tinha ainda eram insuficientes.
Depois de pensar por um bom tempo, considerou recorrer a quem estava ao seu lado.
Henrique poderia ajudá-la.
Mas ele ainda estava se recuperando.
E ela não queria sobrecarregá-lo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...