O coração de Carolina se apertou de repente.
Era como se uma mão enorme o tivesse agarrado com força. Seu corpo enrijeceu, e ela olhou para Saulo, surpresa, achando por um instante que tinha ouvido errado.
O pai de Henrique estava mesmo pedindo desculpas a ela?
Ela nunca imaginara que um homem tão respeitado, alguém de posição tão alta, fosse se desculpar com ela por algo que, aos olhos dos outros, talvez nem passasse de uma bobagem.
Quando era pequena, mesmo depois de a mãe quase espancá-la até deixá-la sem vida, tudo terminava sempre com a mesma frase:
— Eu fiz isso para o seu bem. E você ainda é ingrata.
E pronto.
O assunto morria ali.
Com o pai, era igual.
Não importava se a acusavam injustamente, se passavam a mão na cabeça do irmão mais novo ou se erravam com ela. No fim, sempre faziam de conta que nada tinha acontecido ou empurravam tudo para debaixo do tapete, como se evitar confusão fosse mais importante do que reconhecer a dor dela.
Ninguém se importava com o que ela sentia.
Aquele pedido de desculpas, porém, tinha outro peso.
Era como se caísse com força na balança dentro do seu coração, endireitando algo que, havia muito tempo, permanecia torto e fora do lugar.
De repente, a garganta de Carolina ardeu. Um nó apertado se formou ali, e seus olhos ficaram úmidos. Ainda assim, ela forçou um sorriso e balançou a cabeça.
— Eu não levei aquilo a sério. O senhor não precisa pedir desculpas.
Saulo, porém, respondeu com seriedade:
— Preciso, sim. Agora me diz: você me perdoa?
Vanessa olhava para Carolina com um sorriso carinhoso, enquanto Saulo aguardava a resposta dela.
Henrique pegou alguns camarões e, imitando o pai, começou a descascá-los e colocá-los em uma tigelinha. Com um leve sorriso nos lábios, continuou em silêncio, ouvindo tudo com atenção.
Carolina já não conseguia manter o sorriso. Estava prestes a chorar. Apertou os lábios e assentiu com força.
— Sim.
Saulo a aconselhou:
— Então fica bem com o Rick.
— Sim.
Naquele momento, Carolina não conseguia dizer mais nada. Apertou os lábios com força, segurando as lágrimas, e assentiu várias vezes.
— Vamos comer.
Saulo pegou os talheres outra vez e colocou um pedaço da barriga do peixe no prato dela.
— A barriga é a parte mais macia. Come mais um pouco.
— Sim…
Carolina abaixou bem a cabeça. As lágrimas já enchiam seus olhos, prestes a cair. Sua mão tremia um pouco quando pegou o pedaço de peixe e o levou à boca. A garganta continuava apertada demais para engolir direito.
O ponto mais sensível do seu coração doía.
Mas aquela dor não era sofrimento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...