Henrique respondeu à mensagem do irmão pelo celular e combinou que a garota iria no fim de semana para uma entrevista.
Depois de resolver aquilo, virou o rosto e baixou os olhos. Só então percebeu que Carolina, encostada em seu ombro, já havia adormecido.
O perfume suave dos cabelos dela preenchia a respiração dele, fresco e delicado, como o de flores recém-desabrochadas na primavera. Adormecida, ela tinha uma expressão serena e mansa, daquelas que despertam ternura só de olhar. O corpo esguio e macio repousava sobre as pernas dele, tão leve que mal parecia ter peso.
Tinha acabado de almoçar e já dormira?
Carolina raramente pegava no sono com tanta facilidade.
Seria sonolência depois de comer carboidrato?
Fosse como fosse, conseguir dormir um pouco mais já era uma coisa boa.
Henrique pousou o celular com cuidado. Passou uma das mãos por baixo das pernas dela, apoiou a outra em suas costas e se levantou devagar, levando-a nos braços até a cama.
Seus movimentos eram extremamente leves. Ao chegar à beira da cama, apoiou um joelho no colchão e a deitou aos poucos, com toda a delicadeza que conseguia reunir.
Carolina dormia profundamente. No instante em que tocou o travesseiro, moveu-se de leve, sonolenta e confusa.
Henrique ficou rígido por um segundo.
Só quando percebeu que ela continuava dormindo tranquila é que puxou o edredom para cobri-la e ajustou o ar-condicionado para os vinte e sete graus de que ela gostava.
Ele não foi embora.
Apenas se deitou devagar ao lado dela, de lado, apoiando a cabeça em uma das mãos. Em silêncio, ficou olhando para Carolina, sem piscar.
Seus dedos, movidos por um impulso, quiseram tocar aquele rosto bonito.
Mas ele não se atreveu.
Tinha medo de perturbar o sono leve dela e acordá-la.
Seu olhar percorreu, centímetro por centímetro, os traços de Carolina.
As sobrancelhas e os olhos pareciam desenhados à mão. A pele era delicada como jade, suave como uma pétala. Havia nela uma beleza calma, mansa, dessas que aqueciam sem fazer barulho.
O coração de Henrique foi afundando, pouco a pouco, naquela ternura.
De repente, aquela felicidade pareceu irreal demais.
A mulher que havia ocupado seus sonhos e pensamentos por tantos dias e noites… agora pertencia mesmo a ele?
Os dias em que a saudade quase o enlouquecera, em que a dor mal cabia no peito, pareciam ter sido ontem.
Naquela época, ele bebia como se a própria vida não tivesse importância. Acordava de ressaca, fumava um cigarro atrás do outro e trabalhava como quem tentava se destruir. No auge do desespero, chegou a pensar em encontrar qualquer mulher para passar o resto da vida ao lado, só para ver se conseguia arrancar do peito aquela dor insistente.
Aqueles anos.
Aqueles dias.
Agora, ao lembrar, tudo parecia envolto por uma névoa pesada, como tardes nubladas sem fim. Ele nunca tinha sido realmente feliz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...