Carolina esboçou um sorriso amargo. Hesitou por um bom tempo. Então deixou a romã sobre o banco de pedra, levantou-se e se preparou para ir embora.
— Carolina?
A voz masculina, surpresa, surgiu de repente.
Ela se virou.
Viu Antônio se aproximando, animado, com um cachorro na coleira.
O olhar de Carolina caiu imediatamente sobre o animal. Um Tosa Inu enorme, desajeitado, de aparência intimidadora. O coração dela disparou. Instintivamente, deu alguns passos para trás, tensa, assustada.
Antônio percebeu na hora. Sabia que ela tinha medo de cães. Ajustou a coleira, segurou o cachorro com firmeza e parou onde estava. Falou num tom exaltado, quase empolgado demais:
— Você veio me procurar, não veio?
— Não. — Respondeu Carolina, seca.
— A Larissa já se casou. Aqui nesse condomínio, além de mim, quem mais você conhece? — Antônio parecia cheio de si. Segurava a guia com uma mão, a outra enfiada no bolso do casaco. O olhar era provocador, o sorriso torto nos lábios. — Carolina, admite logo. Você veio atrás de mim.
Era ridículo.
E, ainda assim, ela não conseguiu rir.
Carolina não disse mais nada. Virou-se e seguiu em direção ao prédio onde morava.
A frieza constante de Carolina sempre fora algo que Antônio tolerava à força. Por muito tempo.
Ele sentia por ela uma mistura confusa de desejo e ressentimento. Gostava. E odiava ao mesmo tempo.
Antônio já tinha sido ignorado vezes demais. A raiva subiu de uma vez, sem aviso. Num impulso cruel, ele soltou a guia da mão e rosnou em voz baixa:
— Trovão, vai.
Trovão era um Tosa Inu, raça originária do Japão, conhecida como uma das mais ferozes do mundo, proibida de criação no país. Pouca gente reconhecia a raça e, exatamente por isso, ninguém denunciava. Sempre havia quem apostasse na sorte e criasse escondido.
Ao ouvir a ordem do dono, o cão entrou em frenesi.
O corpo enorme se tensionou e, num segundo, avançou com violência selvagem na direção de Carolina.
Carolina sempre teve pavor de cachorros. No instante em que o animal a atacou, o rosto perdeu toda a cor. O terror tomou conta dela por completo.
— Ah.
Ela foi derrubada no chão. O cachorro cravou os dentes na roupa dela e começou a arrastá-la. Carolina tremia sem controle, gritando em desespero:
— Socorro… Socorro…
O casaco estava preso na boca do animal, sendo rasgado e puxado com brutalidade.
Para ela, aquele Tosa Inu era simplesmente um pesadelo vivo.
Antônio observava a cena, parado.
A mulher que diante dele sempre fora fria, distante, bonita como uma deusa inalcançável, agora estava no chão, sendo humilhada, arrastada pelo próprio cachorro.


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