Leandro ficou em silêncio. Baixou os olhos, a mandíbula travada, o maxilar se contraindo de leve.
— Se você conseguir fazer tudo isso, eu garanto que a Larissa vai ficar ao seu lado de corpo e alma. Por mais difícil e cansativo que seja, ela não vai reclamar de nada. — Carolina deu um sorriso amargo, tomada pela indignação. — Mas você... Além de não ajudar em nada na vida dela, ainda mantém contato com a ex. Acha que só traição física conta como traição? Para uma mulher, a traição emocional machuca ainda mais.
— Carolina... — Leandro deu um passo à frente, sem forças, e suspirou, exausto. — Eu sei que errei. A Larissa sempre te escutou. Me ajuda a falar com ela mais uma vez. Eu não vou repetir esse erro.
— Se ela realmente me escutasse, não teria se casado com você tão depressa. Além disso, ela já te deu uma chance.
— Eu...
Leandro cobriu o rosto com a mão, abatido, e abaixou a cabeça. Um suspiro pesado, carregado de amargura, escapou de seu peito.
— Então deixa a Larissa em paz. Vai viver com a sua ex. Ajuda a criar a filha dela, serve de degrau para ela subir na vida. É disso que ela precisa, não é? De um homem que banque a filha autista, impulsione a carreira dela e esteja disponível sempre que ela chamar. Alguém disposto a se sacrificar, resolver todos os problemas dela e correr atrás dela feito um cachorrinho. — Carolina o encarou com frieza. — E você, Leandro, nasceu para esse papel.
As palavras de Carolina vinham cheias de ironia. Depois de despejar tudo com uma calma quase indiferente, ela se virou e entrou no carro.
Assim que ela se acomodou no banco do passageiro, Henrique também entrou. Ligou o carro, passou por Leandro e entrou na C&H.
Leandro permaneceu parado no mesmo lugar, os ombros caídos.
Ergueu a cabeça e encarou o céu já escurecido. De repente, seus olhos arderam.
Cachorrinho?
Era isso mesmo.
Depois de rastejar tanto atrás de Vitória, tinha perdido a esposa e o filho. E o que ganhou em troca?
Ser chamado de bom homem?
Ou talvez uma gratidão vazia?
Naquele instante, ele se perdeu por completo. Já nem sabia mais o que, afinal, esperava conseguir de Vitória.
Com passos lentos, voltou até o carro estacionado não muito longe, entrou e foi embora.
O carro de Henrique parou na garagem da C&H.
Ele desceu segurando a mão de Carolina, e os dois caminharam devagar pela trilha do jardim.
Henrique soltou uma risada baixa.
— Carol, como foi que você me chamou agora há pouco?
A casa onde crescera nunca lhe ensinara a falar de amor.
Seus pais eram rígidos, fechados, do tipo que não demonstrava afeto em palavras. Por isso, Carolina tinha dificuldade para se abrir. Não sabia muito bem como demonstrar amor, às vezes, nem como recebê-lo.
Sem conseguir vencer a vergonha, ela mudou depressa de assunto:
— Rick, como é que você virou amigo de uma pessoa como o Leandro?
— No começo, a gente era só colega de trabalho.
— Seus amigos costumam ter outro nível. São inteligentes, têm cabeça boa, sabem pensar. Já o Leandro é meio perdido, tem uma visão tão limitada... Não parece o tipo de pessoa que você aceitaria como amigo. Por quê? Você se enganou sobre ele?
Henrique sorriu e balançou a cabeça.
— Não me enganei. Foi por sua causa.
— Por minha causa?
Carolina ficou imóvel, surpresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...