Henrique enrijeceu por um instante. Ao ouvir o murmúrio engasgado dela, o rosto mudou bruscamente. Irritado, arrancou a mão de Carolina, que se agarrava ao seu pescoço.
Ele segurou os pulsos dela e os prendeu de cada lado do travesseiro. O olhar, frio como gelo, carregava uma fúria contida. De cima, fitou-a sem piscar.
— Carolina, quem foi que te abandonou, afinal? Abre os olhos e olha direito para mim. Eu passei a noite inteira bebendo com você, e mesmo assim a pessoa em quem você pensa é o Marcelo. Encare a realidade. Ele já foi embora da sua vida. — Disse Henrique com a voz dura.
Do lado de fora, o luar parecia levemente embriagado. Até o vento frio que entrava pela sacada vinha carregado de uma languidez estranha, fazendo as cortinas ondularem.
As bochechas de Carolina estavam coradas. Seus olhos semicerrados, como vidro submerso na água da primavera, brilhavam úmidos, enevoados por lágrimas, enquanto o encaravam.
Ela enxergava com clareza agora.
Era Henrique. Não havia dúvida.
"Por que, até no sonho, ele precisa ser tão duro comigo?"
Ela sabia que estava errada.
Mas não tinha forças para mudar a realidade. Não havia como voltar para o lado dele. Era pequena demais diante do mundo, frágil, perdida, impotente.
"Só nos sonhos posso tê-lo sem reservas."
— Não briga comigo…
A voz de Carolina saiu embargada.
As lágrimas se acumularam em seus olhos, límpidas e trêmulas. Embriagada, ela soluçava baixinho, como um gatinho abandonado, murmurando entre choros:
— Eu errei… Não vai embora… Por favor…
A respiração de Henrique ficou pesada. O peito subia e descia com violência, queimado pela raiva. Um vermelho súbito tomou conta de seus olhos. Ele a encarou, tomado por uma fúria sem saída, incapaz de se acalmar por um longo e doloroso momento.
Durante aqueles cinco anos, todo o ressentimento, a raiva, a repressão e a obsessão que ele carregara se condensaram, naquele instante, em uma única frase amarga.
— Carolina, você realmente não merece que eu seja bom com você. — A voz saiu rouca, trêmula.
Cada palavra vinha impregnada de ódio.
Essa frase o despedaçou.
E despedaçou também Carolina, bêbada demais para se proteger.
Ela não conseguiu conter o choro.
Virou o rosto lentamente, fechou os olhos e deixou que as lágrimas escorressem pelos cantos, encharcando o travesseiro.
"Nem mesmo nos sonhos consigo manter Henrique ao meu lado."

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