Do lado de fora da janela, tudo era escuridão.
O vento uivava com violência.
Carolina se aproximou e puxou a cortina, isolando o quarto daquele caos.
Em seguida, voltou-se para o guarda-roupa e o abriu.
Havia, de fato, algumas roupas, mas poucas. Apenas dois vestidos de festa caros e uma camisola de alças, cor marfim.
Nada mais. Muito menos roupas do dia a dia. E nem sinal de lingerie nova.
Ela pegou a camisola e seguiu para o banheiro.
No armário sob a pia, encontrou kits descartáveis de higiene e toalhas de banho individuais.
Tomou um banho rápido. Lavou o corpo ainda gelado, secou o cabelo e saiu do banheiro.
Quando voltou ao quarto, já eram oito e meia da noite.
Carolina raramente fazia refeições nos horários certos.
De tanto ignorar o próprio corpo, já tinha desenvolvido problemas no estômago. Sempre que passava muito tempo sem comer, a dor aparecia.
Ela ainda não tinha jantado naquele dia.
O ácido começou a queimar a mucosa do estômago, uma dor surda e persistente.
Nesse momento, Henrique bateu à porta.
O coração dela deu um salto.
Ela estava sem lingerie, vestindo apenas aquela camisola fina. Leve demais. Insinuante demais para encarar alguém.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou sem coragem de abrir a porta, falando do outro lado.
— Fiz jantar demais. Não consigo comer tudo. Quer comer um pouco?
A voz de Henrique veio fria, distante, sem emoção.
Carolina ficou confusa.
Ela se lembrava claramente de tê-lo ouvido dizer, na casa de Lílian, que já tinha jantado. E que nem sequer quis provar o caldo dela.
Então aquilo tinha sido apenas uma desculpa para recusar Lílian.
— Você poderia… Me emprestar um casaco seu? Ou uma camisa?
Perguntou, hesitante.
Do outro lado, fez-se silêncio por alguns segundos.
Então veio apenas uma resposta curta, baixa:
— Ok.
Passou mais um tempo, e as batidas soaram outra vez à porta.
Carolina abriu apenas uma fresta. A mão de Henrique entrou pelo vão, segurando uma camisa branca de mangas compridas.
— Obrigada. — Disse baixo, pegando a camisa e fechando a porta em seguida.
Com a peça nas mãos, os dedos tremeram de leve.
Sem perceber, como se fosse guiada por algo além da razão, abaixou a cabeça e aproximou o tecido do rosto, inspirando suavemente.
Era o cheiro de Henrique.
Aquele cheiro só dele, misturado ao perfume discreto do amaciante.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
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