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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 9

Do lado de fora da janela, tudo era escuridão.

O vento uivava com violência.

Carolina se aproximou e puxou a cortina, isolando o quarto daquele caos.

Em seguida, voltou-se para o guarda-roupa e o abriu.

Havia, de fato, algumas roupas, mas poucas. Apenas dois vestidos de festa caros e uma camisola de alças, cor marfim.

Nada mais. Muito menos roupas do dia a dia. E nem sinal de lingerie nova.

Ela pegou a camisola e seguiu para o banheiro.

No armário sob a pia, encontrou kits descartáveis de higiene e toalhas de banho individuais.

Tomou um banho rápido. Lavou o corpo ainda gelado, secou o cabelo e saiu do banheiro.

Quando voltou ao quarto, já eram oito e meia da noite.

Carolina raramente fazia refeições nos horários certos.

De tanto ignorar o próprio corpo, já tinha desenvolvido problemas no estômago. Sempre que passava muito tempo sem comer, a dor aparecia.

Ela ainda não tinha jantado naquele dia.

O ácido começou a queimar a mucosa do estômago, uma dor surda e persistente.

Nesse momento, Henrique bateu à porta.

O coração dela deu um salto.

Ela estava sem lingerie, vestindo apenas aquela camisola fina. Leve demais. Insinuante demais para encarar alguém.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou sem coragem de abrir a porta, falando do outro lado.

— Fiz jantar demais. Não consigo comer tudo. Quer comer um pouco?

A voz de Henrique veio fria, distante, sem emoção.

Carolina ficou confusa.

Ela se lembrava claramente de tê-lo ouvido dizer, na casa de Lílian, que já tinha jantado. E que nem sequer quis provar o caldo dela.

Então aquilo tinha sido apenas uma desculpa para recusar Lílian.

— Você poderia… Me emprestar um casaco seu? Ou uma camisa?

Perguntou, hesitante.

Do outro lado, fez-se silêncio por alguns segundos.

Então veio apenas uma resposta curta, baixa:

— Ok.

Passou mais um tempo, e as batidas soaram outra vez à porta.

Carolina abriu apenas uma fresta. A mão de Henrique entrou pelo vão, segurando uma camisa branca de mangas compridas.

— Obrigada. — Disse baixo, pegando a camisa e fechando a porta em seguida.

Com a peça nas mãos, os dedos tremeram de leve.

Sem perceber, como se fosse guiada por algo além da razão, abaixou a cabeça e aproximou o tecido do rosto, inspirando suavemente.

Era o cheiro de Henrique.

Aquele cheiro só dele, misturado ao perfume discreto do amaciante.

— Você já comeu?

— Já. Sobrou um pouco.

A resposta veio fria, com um ar de concessão indiferente. Os olhos dele permaneciam grudados no celular.

Carolina entrou na sala de jantar.

Sobre a mesa havia um prato de arroz branco. Ao lado, dois acompanhamentos e uma tigela de sopa.

Fatias de carne bovina grelhada.

Couve refogada com alho.

Uma sopa leve de legumes.

A quantidade não era grande. Exata para uma pessoa.

Mas a carne e os vegetais estavam praticamente intactos. Arrumados demais. Não tinham a menor aparência de "resto".

Aquilo… Ele realmente já tinha comido?

Carolina sentou-se, pegou o garfo e a faca, e não resistiu a lançar um olhar para Henrique no sofá.

Com a habilidade que ele tinha na cozinha, preparar três pratos em uma hora era mais do que tranquilo.

Ele tinha feito comida demais por acaso…

Ou tinha preparado aquele jantar especialmente para ela?

Não importava qual fosse a resposta.

Só o fato de, depois de tantos anos, ainda poder comer algo feito por ele fez o peito de Carolina aquecer de um jeito difícil de conter.

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