Hospital Saint Michael
Enquanto isso, John permanecia imóvel no quarto 5021, os dedos fechados com força em torno do celular de Elizabeth. Sua expressão era aço, mas nos olhos havia um medo contido.
O silêncio foi quebrado pela entrada de Adam. A família de Adam eram os proprietários do Hospital Saint Michael e assim que soube do ocorrido correu para o local apreensivo.
— John… é verdade? — a voz dele falhou, incrédula.
John se aproximou, tenso.
— Eles a levaram. Não sei como, mas conseguiram.
O chefe de segurança do hospital entrou às pressas com dois homens.
— Senhor, estamos isolando as saídas e iniciando uma varredura em todos os andares.
O som das botas ecoava pelos corredores do hospital. Homens de terno escuro e postura rígida se espalhavam em formação precisa. Cada andar era tomado por agentes discretos, que se apresentavam apenas como “equipe de segurança especial”. A direção do hospital e os funcionários e os que estavam dentro do hospital, atônitos, obedeciam sem questionar, mas os murmúrios e curiosidade correram por todo hospital.
Carlson surgiu no corredor do quinto andar com um semblante fechado. Carregava o tablet onde já recebia os primeiros relatórios. Aproximou-se de John, que permanecia junto à porta do quarto 5021, imóvel, como uma sentinela.
— Senhor Walker. — Carlson fez um aceno breve.
— Quero respostas. — A voz de John era baixa, mas cortante. — Lizzie esteve aqui… e sumiu.
Carlson examinou o quarto. Nenhum sinal de luta, cama impecável, móveis intactos. Só o celular, entregue por John, era prova do ocorrido.
Carlson entrou no quarto, observou cada detalhe com uma frieza experiente. Aproximou-se da cama impecável, dos móveis intocados, e então fixou o olhar no celular que John ainda segurava.
— O aparelho dela estava no chão?
— Sim. Caído bem ali. — John estendeu o celular.
Carlson o entregou a um dos peritos, que já preparava os equipamentos.
— Varredura completa. — ordenou, passando o aparelho a um perito. — Impressões, resíduos, metadados. Quero cada detalhe extraído.
Um dos técnicos conectou o celular a um dispositivo forense, iniciando o espelhamento de dados.
Carlson voltou-se a John.
— Já requisitamos as imagens das câmeras. Os analistas estão cruzando horários das ligações da senhora Walker com acessos de entrada e saída. Se a levaram daqui, alguém deixou rastro digital ou físico.
John respirou fundo.
— Foi planejado.
— Confirmado: o sistema de câmeras foi invadido. Todas as imagens apagadas. Também adulteraram o banco de dados de pacientes.
— Como? — Adam parecia não acreditar.
— Injetaram informações falsas. — Disse o alnalista.
— Que informação? — Perguntou Adam ainda não acreditando que conseguiram entrar no seu sistema de informática.
— Mary. — Murmurou John. — Elizabeth veio aqui porque recebeu uma ligação da escola dizendo que Mary havia caído e que tinha sido encaminhada ao hospital.
Imediatamente ele pegou o telefone e ligou para a escola das crianças.
— Aqui é John Walker. Quero notícias dos meus filhos. — Sua voz era de urgência.
A supervisora atendeu rápido.
— Senhor Walker, todos estão em sala… exceto Mary. Ela foi retirada por uma pessoa designada pela senhora Elizabeth Walker, com autorização registrada no sistema para levá-la ao médico.
John sentiu o mundo girar. O sangue pareceu fugir de seu rosto, e a respiração acelerou.
— Autorização? Quem a levou?
Uma pausa breve do outro lado da linha.
— Segundo o registro… foi Lily Wattson.
O chão pareceu desaparecer. John cambaleou, precisando se apoiar na cadeira. Bruce pegou o celular de sua mão.
— Obrigado. — desligou, antes de olhar para John. — O que aconteceu?
A voz dele saiu quase um sussurro.
— A Lily… a Lily levou a Mary.
Um silêncio pesado caiu sobre eles. Adam e Bruce se entreolharam, alarmados. Carlson foi o primeiro a reagir. Endireitou-se e saiu para o corredor, já falando ao celular.
— Quero um especialista em cibernética na linha. Verifiquem se o sistema da escola também foi invadido. Rastreio completo de IPs, VPNs, qualquer nó de rede usado. Preciso de uma assinatura digital agora.
Ele voltou-se para os agentes que esperavam ordens.
David com o rosto carregado de sombras.
— Da primeira vez eu falhei, mas agora não fui tão ingênuo.
— Do que você está falando?
Elizabeth estava apavorada, nunca tinha visto aquele homem antes.
— Uma vez eu tentei te sequestrar…
Ele a olhou divertido.
Elizabeth arregalou os olhos, lembrando do dia em que quase foi sequestrada e foi salva por James.
— Subestimei seu motorista e contratei uns incompetentes que ainda por cima me entregaram a seu marido. Está vendo isso?
Ele apontou para a perna que parecia defeituosa.
— Foi presente de John Walker. Ele acabou com minha vida duas vezes. Agora eu vou fazê-lo pagar por tudo que me fez.
— O que vocês pretendem fazer comigo?
Pamela se aproximou de Elizabeth novamente, baixando a voz e a olhou com um brilho divertido e maléfico ao mesmo tempo.
— Nós, nada, querida, mas John sim. Tudo dependerá dele.
Pamela lhe lançou um sorriso mortal enquanto a gargalhada de David ressoava pelo local fechado e úmido.
— Não se preocupe querida, em breve você terá uma pequena companhia. Logo, muito em breve, John receberá notícias suas. E aí… o jogo realmente vai começar.
Ela acariciou de leve o rosto de Elizabeth, quase como uma provocação, antes de se afastar.
Elizabeth fechou os olhos por um instante, lutando para não chorar. Seu pressentimento estava certo: algo terrível estava para acontecer a ela, pelo menos era o que ela pensava.
Um barulho de porta metálica se fechando a fez abrir os olhos e se viu sozinha. Olhou em volta, o local não tinha janela e era mal iluminado por uma luz amarela.
Um medo a invadiu como nunca antes.
— Oh, meu Deus, me ajude e proteja meus filhos e John. Não importa o que aconteça comigo.
E mesmo amarrada ela não se desesperou e se entregou aquilo que sempre a sustentou: a oração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...