Elizabeth
As chamadas se sucediam, e John não atendia. O coração de Elizabeth batia acelerado, a respiração curta. James estacionou diante da entrada principal do hospital com uma freada firme.
Elizabeth não esperou que ele abrisse a porta; saltou do carro e correu até a recepção.
— Em que posso ajudá-la? — Perguntou a atendente com voz tediosa e mau olhando para Elizabeth.
— Minha filha, Mary Walker! — disse ofegante. — Ela caiu na escola e foi trazida para cá. Sou a mãe dela, Elizabeth Walker.
A atendente, que até então digitava no computador sem levantar a cabeça, ergueu os olhos de repente. Ao ouvir o nome “Walker”, sua expressão mudou: o tédio deu lugar a uma falsa simpatia.
— Claro, senhora, um momento.
Elizabeth tamborilava os dedos sobre o balcão, ansiosa. James chegou logo atrás, o olhar varrendo o ambiente com cautela, atento a qualquer movimento suspeito.
— Mary Walker está no quarto 5021, quinto andar. — disse a atendente após alguns cliques. — Aqui está o crachá.
Elizabeth pegou o crachá de imediato. James deu um passo à frente.
— Senhora, quer que eu a acompanhe?
Antes que Elizabeth respondesse a atendente interveio.
— Somente a mãe pode subir ou parente mais próximo.
Elizabeth hesitou por um segundo, mas a preocupação falou mais alto.
— Espere aqui, James.
Ele franziu o cenho, desconfiado, mas obedeceu, mantendo-se próximo ao balcão.
Elizabeth entrou no elevador, ainda tentando ligar para John. Mais uma vez, chamada sem resposta. Apertou o botão do quinto andar com força. A cada parada do elevador, mais pessoas entravam e saíam, e sua impaciência aumentava.
Quando finalmente chegou ao quinto andar, saiu apressada, os saltos ecoando no corredor silencioso. Encontrou o número “5021” e girou a maçaneta sem pensar, entrou.
O quarto estava quase na penumbra. A cama arrumada, os aparelhos desligados. Nenhum sinal de Mary.
— Mary? — chamou com a voz embargada.
Não houve resposta. O silêncio era denso.
Antes que pudesse reagir, braços fortes a agarraram por trás. Elizabeth tentou gritar, mas uma mão tapou sua boca. Um pano úmido foi pressionado contra seu rosto, e um cheiro forte invadiu suas narinas. A visão embaçou, e tudo escureceu em segundos.
O telefone vibrava na mão de Elizabeth e escorregou de sua mão, batendo no chão. Na tela ainda acesa, o nome: “John”. A chamada tocava em vão, sem ser atendida.
*****
No escritório de John Walker
Pouco antes…
O som abafado do celular vibrou sobre a mesa quando John retornou ao escritório. Ele estranhou: raramente deixava o aparelho para trás, mas havia saído apenas por alguns minutos para conversar com o gestor financeiro. Ao pegar o celular, franziu a testa ao ver a tela iluminada.
Oito chamadas perdidas de Elizabeth.
O coração de John deu um salto desconfortável. Elizabeth nunca insistia dessa forma sem motivo. Apertou de imediato o botão de retorno.
Chamou uma vez… duas… três… até cair na caixa postal.
— Atende, Lizzie… — murmurou, sentindo uma inquietação incomum.
Tentou de novo, com a mesma resposta. Nesse instante, Bruce entrou na sala.
— Senhor Walker, está tudo bem? — perguntou, percebendo a tensão estampada no rosto do chefe.
— Não. Elizabeth me ligou insistentemente e agora não atende. Quero que rastreie o telefone dela. Agora.
Bruce pegou o tablet, acessando o sistema.
— O último registro mostra que ela seguiu para o Hospital Saint Michael. Não há atualização desde então.
John fechou os punhos, respirando fundo para conter o pânico que queria dominá-lo.
— Prepare o carro. Vamos imediatamente para lá.
— Senhor… — apontou.
John se aproximou. Era o celular de Elizabeth, caído no chão. O visor piscava a última chamada não atendida: “John”.
Por um instante, o mundo pareceu girar. John fechou os olhos, inspirou fundo e segurou o celular com força.
— Eles a levaram… — murmurou, a voz rouca, grave.
Virou-se para Bruce e James, os olhos faiscando de determinação.
— Fechem este hospital. Agora. — A voz saiu firme, quase um rugido contido. — Ninguém entra, ninguém sai.
James saiu imediatamente a procura do chefe de segurança do hospital
John, com a mão ainda trêmula, ligou para o celular corporativo de emergência. A ligação foi atendida em segundos.
— Carlson.
— Senhor Walker. — A voz grave do investigador soou alerta. — O que houve?
— Elizabeth foi levada. — John quase não conseguiu pronunciar, o peso daquelas palavras parecia lhe arrancar o ar. — No hospital, quarto 5021. Preciso de você aqui agora com toda a sua equipe. Quero varredura completa em câmeras, entradas e saídas. Nenhum funcionário sai sem ser interrogado.
Do outro lado da linha, Carlson não hesitou.
— Estamos a caminho, senhor. Preciso acionar a polícia, neste caso é protocolo.
— Faça isso, mas sem alarde. — John encerrou a chamada, respirando fundo, antes de se virar para Bruce. — Eles a levaram.
*****
Assim que desligou, Carlson girou nos calcanhares e encarou a equipe.
— Atenção. — Sua voz cortou o silêncio da sala. — Dois na tecnologia, agora. Quero rastrear cada sinal de celular que entrou no Hospital Saint Michael na última hora. Se usaram linhas descartáveis, triangulem as torres e cruzem com padrões de movimentação. Nada passa.
Dois analistas já se curvavam sobre seus laptops, conectando-se a softwares de interceptação e ao banco de dados das operadoras.
— O restante, comigo. — Carlson ajustou o coldre e indicou a saída. — Tragam os kits de varredura, scanners de rede e equipamentos de campo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...