Quando John abriu os olhos, o cenário diante dele havia mudado em um piscar de olhos. David já não estava em pé. Ele jazia no térreo do galpão, o corpo contorcido pela queda. Sobre ele, também caída, estava Lily.
O coração de John disparou. Num único instante, ele compreendeu: no exato momento do disparo, Lily havia se lançado contra David, empurrando-o com toda a força. David desviou a arma, atingindo Lily. O impacto arrastou os dois para fora da laje, despencando no vazio até o concreto abaixo.
A arma escorregou da mão de David, batendo no chão com um estrondo metálico.
Elizabeth, ainda com o saco cobrindo a cabeça, tremia em silêncio. Mary gritava o nome da mãe.
John sentiu o peito explodir. O choque da cena, o peso da decisão arrancada à força, a súbita intervenção de Lily… tudo se misturava num turbilhão de emoção e descrença.
O galpão estava mergulhado em silêncio, quebrado apenas pelo choro de Mary e o gemido fraco de Lily no térreo.
John disparou em direção à escada enferrujada que levava até a laje com Mary no colo tentando desviar o olhar da menina da cena horrível no chão de dois corpos estendidos e sangue, muito sangue.
Seus pés batiam forte no metal corroído, cada passo movido pelo desespero.
— Elizabeth! Elizabeth! — sua voz ecoava, entrecortada pela urgência.
Chegando ao topo, correu até ela. Com mãos trêmulas, arrancou o saco que cobria a cabeça da esposa.
Elizabeth piscou rápido, tentando se adaptar à luz, e assim que viu o rosto dele, lágrimas escorreram.
— John… você veio.
Mary se lançou para os braços da mãe, enquanto John tentava desarmarar Elizabeth da estaca.
— Mamãe, eu fiquei com tanto medo.
John abraçou as duas ao mesmo tempo, pressionando-as contra o peito, como se pudesse fundi-las a si e protegê-las de todo o mal.
— Nunca mais… eu nunca vou deixar acontecer isso de novo.
Elizabeth soluçava, ainda em choque, mas acariciava o rosto do marido.
— John… ele ia me matar…
John a segurou firme, os olhos ardendo de raiva e dor.
— Eu sei, amor. Eu sei. Acabou.
— O que aconteceu, onde está o David? — Perguntou olhando ao redor, sem ver mais ninguém
Um gemido fraco vindo do térreo os fez desviar a atenção.
— Lily… — murmurou Elizabeth, surpresa.
John a olhou, confuso.
— Ela… empurrou ele e salvou você.
Ele a encarou por um segundo, incrédulo, mas não havia tempo para perguntas. Pegou Mary no colo e, com a outra mão, puxou Elizabeth, conduzindo-as pela escada até o chão.
No térreo, David estava caído de lado, o corpo imóvel, mas a respiração pesada denunciava que ainda estava vivo. O sangue escorria de um ferimento na cabeça, fruto da queda.
Ao lado dele, Lily gemia, a mão pressionando a barriga ensanguentada. Seus olhos úmidos encontraram os de Elizabeth por um instante. Havia dor, mas também uma centelha de arrependimento.
Foi nesse momento que passos apressados romperam pelo galpão. Em poucos segundos, a porta principal foi arrombada e agentes armados invadiram, tomando posições em todas as direções, homens armados rapidamente,vasculharam o local procurando por David e os capangas.
Adam veio logo atrás, vestido de médico e mais dois paramédicos e enfermeiros. Imediatamente John pediu para cuidar de Mary e tirá-la de lá. Adam pediu para a enfermeira levar Mary e entregar a Sara que estava do lado de fora na ambulância angustiada.
Do lado de fora, veículos pretos, carros de polícia e ambulâncias cercavam a área. Os drones sobrevoavam mais baixo a procura dos sequestradores
— Área segura! — gritou um dos líderes da equipe, correndo até Carlson que comandava a operação.
Lily fechou os olhos por um instante, uma paz inesperada suavizando seu semblante. Padre Robert, ministrando os sacramentos derramando um pouco de água de um frasco e depois traçou o sinal da cruz em sua testa com óleo da unção dos enfermos.
Lily olhou para Elizabeth que correu para segurar sua mão. — Obrigada… Murmurou, quase sem voz.
Elizabeth apertou com força a mão de Lily e não conseguiu conter as lágrimas. Lily fechou os olhos lentamente.
— Vai em paz, filha. O Senhor já te espera.
Um último suspiro escapou de seus lábios, e sua mão, ainda entrelaçada à de Elizabeth, caiu lentamente para o lado.
Elizabeth não conteve o choro, escondendo o rosto no ombro de John.
John, com a voz grave, murmurou:
— Ela escolheu no fim… salvar vocês.
Carlson se aproximou, o olhar sério, mas com respeito no tom.
— Que descanse em paz.
— Obrigada padre. — Disse Elizabeth, olhando para o corpo de Lily. — Agora eu sei porque eu pedi para chamar o senhor. Foi um pedido de Deus para não perder uma alma.
Padre Robert assentiu.
— Ele espera até o último minuto por nós.
O corpo de Lily foi coberto com um lençol branco, enquanto ao fundo agentes prendiam David Graham, desacordado mas vivo, arrastando-o para fora.
No meio da dor e da tensão, havia uma certeza: Lily, mesmo depois de toda traição, encontrou a chance de redenção no último suspiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Foi a 1 vez que li um romance onde se fala em Deus, rezar, perdão, inveja etc...amor é tudo. Parabéns e sucesso...
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...