Na escola das crianças - Horas antes
Lily se aproximou da recepção da escola com passos contidos. O porteiro verificou a lista e confirmou seu nome entre os autorizados a retirar as crianças. O peso daquela informação a sufocava, alguém havia manipulado o sistema para inserir sua permissão.
Poucos minutos depois, uma das monitoras trouxe Mary pelo corredor. Ao avistar Lily, a menina abriu um sorriso radiante e correu até ela, abraçando-a com força.
— Lily! Eu senti tanto a sua falta! — disse Mary, com os olhos cheios de alegria.
Lily ficou imóvel por um instante. Seus olhos também se encheram de lágrimas, mas não de felicidade. Era dor, dúvida, culpa. Ela acariciou o rosto da menina, tentando disfarçar a hesitação.
— Eu também, querida… eu também. — sua voz soou embargada. — Que tal brincarmos e depois tomarmos um sorvete?
Mary arregalou os olhos, animada.
— Claro! Mas… a mamãe e o papai sabem?
Lily forçou um sorriso e assentiu.
— Sim, está tudo combinado. Depois nós vamos encontrar sua mãe. Está bem?
— Eu disse pra ela que estava com saudades e que era pra te ligar. E olha só, você veio mesmo! — Mary sorriu inocente, apertando a mão de Lily.
O aperto no peito de Lily se intensificou. Ela sabia que estava prestes a trair a confiança não só de John e Elizabeth, mas daquela criança que a via como parte da família.
— Onde nós vamos? — perguntou Mary, curiosa.
Lily a conduziu até o carro estacionado na frente. Ao vê-lo, Mary franziu a testa.
— Esse não é o nosso carro.
A dúvida infantil transformou-se em cautela. Ela nunca havia entrado em carros de estranhos. Lily respirou fundo e tentou soar tranquila.
— É o carro de uma amiga da sua mãe… Ela está louca para te conhecer.
A porta se abriu e uma voz feminina, suave e melódica, ecoou de dentro.
— Entre, querida. Finalmente vou te conhecer.
Mary, confiante, entrou sem hesitar, segurando firme a boneca que carregava. Lily entrou logo atrás, com o coração pesado. O carro partiu.
No banco de trás, Pamela observava Mary com um sorriso encantador, mas os olhos frios denunciavam outra coisa: inveja, rancor, ódio.
— Então você é a Mary… — disse com uma calma perturbadora. — É muito parecida com sua mãe. Esses olhos grandes olhos azuis acinzentados, a mesma cor de cabelo… tão linda quanto ela.
Mary sorriu tímida.
— Obrigada. Você é amiga da minha mãe?
— Digamos que nos conhecemos há muito tempo. — Pamela respondeu, seu tom doce contrastando com o veneno que carregava no olhar.
Ela pegou uma bela caixa com um laço grande e entregou à menina.
— Lily me contou que você gosta de bonecas de pano. Espero que goste dessa.
Mary abriu a caixa e seu rosto se iluminou. Dentro havia uma boneca grande, colorida, feita à mão, com detalhes delicados.
— Nossa! É linda! Obrigada!
— Isso confirma que estavam próximos, controlando tudo em tempo real.
Ele se voltou para John, que ouvia cada palavra com o maxilar cerrado.
— Senhor Walker, eles não improvisaram. O plano foi arquitetado com antecedência, com conhecimento do hospital, da rotina da sua família e acesso a informações sensíveis. Estamos lidando com uma célula organizada, não um sequestro comum.
John cruzou os braços, a voz baixa, mas carregada de fúria:
— Eu quero nomes, Carlson. Rastros, conexões, qualquer coisa. Não me importa se estão atrás de dinheiro, vingança ou poder. Eu quero minha esposa e minha filha de volta.
Carlson pousou a mão no ombro dele por um breve instante, gesto raro vindo de um homem tão rígido.
— E vamos encontrá-las.
O delegado responsável pela investigação após ficar a par de tudo, virou-se para John
— Senhor, precisamos trabalhar com várias hipóteses. Se alguém quiser extorquir dinheiro eles vão entrar em contato.
John respirou fundo.
— Eu pago o que for preciso. Só quero minha família de volta.
— O senhor tem ideia de quem está por trás desse sequestro? Algum inimigo?
— Nós temos uma possível ligação, mas ainda não foi confirmado. — Disse Carlson.
As investigações prosseguiram em ritmo tenso. John, com o semblante pesado, pediu para James manter as crianças e as babás dentro de casa. O silêncio era necessário, mas doloroso. Não queriam alarmar ninguém até terem alguma notícia de Elizabeth e Mary.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...