"Eva"
Eu expliquei para os meus cúmplices o que eu precisava, além de me divertir com as bobagens que o Matheus falaria para a Carmem e esfregar na cara dela que o José Miguel era meu, eu ainda tinha duas cartas na manga! Uma eu tinha certeza que ia dar certo, com a ajuda dos meus cúmplices, a outra eu precisaria ter a sorte do meu amorzinho entrar na minha brincadeira. Mas de toda forma, quando eu saísse daquela casa, a Carminha desejaria nunca ter tentado me colocar para correr!
O Matheus e eu voltamos para a sala rindo e abraçados. Havia cumplicidade entre nós, como dois irmãos que aprontam juntos e se protegem para os pais não descobrirem suas trquinagens.
- Fica atento, José Miguel, ou o seu amiguinho colecionador de piranha de tamanco te passa a perna e leva a sua Maria Madalena pra casa. - A Carmem destilou o veneno dela.
- Ai, tadinha, está tão idosa que está ficando demente! Ou será que está surda? Talvez seja por isso que ela grite tanto! - Eu usei algo que eu já tinha percebido que irritava a Carmem, falar da idade. Então eu me abaixei e aumentei o volume da minha voz. - Vovózinha, a senhora errou o personagem bíblico, eu sou a Eva, a que cometeu o pecado original! Mas ó, fica tranquila que eu só peco com o meu Adão ali! - Eu pisquei para o José Miguel que tentou esconder o riso.
- Eu não sou surda! - A Carmem gritou.
Nós ficamos na sala por uns vinte minutos e durante esse tempo a Carmem ficou quieta, prestou atenção em tudo e eu sabia que ela estava maquinando a melhor forma de me chutar para fora da vida do José Miguel.
Eu a observei disfarçadamente o tempo inteiro e tive tempo para prestar atenção em uma coisa ou talvez fosse loucura da minha cabeça, mas o jeito que ela olhava quando ele me tocava e me dava beijos gentis no rosto, como ela rangia os dentes enquanto ele acariciava a minha mão, aquilo era muito estranho, era mais que raiva, era inveja, me dava a sensação de que ela queria estar no meu lugar. Mas talvez eu só estivesse enxergando coisa demais por causa do quanto eu a detestava.
Assim que a Candinha anunciou o jantar, nós caminhamos para a mesa, a mão do José Miguel estava na base da minha coluna e a Carmem ficou para trás. Quando eu passei por ela, eu quase pude ver a fumacinha saindo pela sua cabeça. Nós nos sentamos e eu olhei em volta da mesa.
- Faltam lugares nessa mesa. - Eu comentei e a Carmem me fuzilou com os olhos.
- Não me diga que você convidou mais algum pulguento para a minha mesa, mnessalina? - A Carmem perguntou.
- Não, cobra de aplique, porque eu não conheço os seus amigos! - Eu respondi e me virei para a Candinha. - Candinha, porque o seu lugar e da Berta não estão postos?
- Ah, mas era o que me faltava, os vassalos sentados à mesa dos patrões! - A Carmem reclamou e o José Miguel bufou.
- É por isso que você come sozinha, Carmem! - O José Miguel respondeu.
- Cobra de aplique, primeiro que esse negócio de vassalo já não existe há muitos séculos! Mas eu entendo que seja difícil compreender isso na sua idade! - Eu levei a mão ao peito e na minha cabeça eu marquei mais um ponto pra mim. - Segundo, como o meu amorzinho disse, a Candinha é como uma mãe pra ele, então ela tem lugar nessa mesa! E, terceiro, se a Berta cuida de você,m te dá afeto, carinho e cuidado, com todo o amor do coração, ela também tem lugar nesta mesa! - Eu me virei para o José Miguel. - Ou eu estou errada, poaixão?
- Não, eu amorzinho, você está certíssima! - O José Miguel respondeu e eu me sentei no colo del,e e o beijei só para irritar a megera. - Candinha, você e a Berta se sentam conosco, por favor!
- Ah, eu mesma vou colocar os lugares de vocês, por favor se sentem! - Eu me levantei do colo do José Miguel e corri pra cozinha, mas ainda ouvi a Carmem protestar pela minha ousadia.
Eu peguei todos os apetrechos que a Candinha já tinha deixado separados e levei para a mesa. Quando cheguei, o Matheus estava alegremente servindo o vinho nas taças enquanto relembrava uma viagem que ele e o José Miguel fizeram para a Itália quando eram mais jovens.
Ela pegou o copo das minhas mãos e experimentou um pouquinho antes de virar todo o conteúdo como se fosse um camelo no deserto. Com certeza a queimação devia estar muito forte, porque eu tinha colocado um vidro de pimenta tabasco no suco de tomate dela.
- Quer mais um leitinho, jararaca? - Eu perguntei e ela me fulminou com o olhar. - Acho que não!- Agora era me sentar e aproveitar o show!
- Já te falei, Carmem, você deve evitar morder a língua para não sofrer os efeitos do seu próprio veneno! - O Matheus aconselhou sério.
- Cala a boca, satanás! - Ela gritou.
- Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu! - O Matheus cantarolou e riu. - Ó, enviada do demo, respira, na sua idade, essas alterações são muito perigosas, podem causar um acidente vascular e você acaba voltando para aquele hospital maravilhoso onde o seu amigo do diploma comprado trabalha! - O Matheus sorriu.
- Ah, coitadinha, nao deseja isso, Matheus, ela viu uma assombração lá o tempo todo, uma tal de Tati, imagina, disse que a moça vestia branco e aparecia pra ela, até o Dr. Mauro se preocupou. Eu achei que era aquela moça que contam que aparece no banheiro, já opuviu essa lenda? - A Berta provocou.
- Sua falsa, não era assombração! Era sua cúmplice, vocês estavam me dopando! - A Carmem gritou e um cheiro ruim foi sentido na sala.
- Nossa, acho que a gente precisa chamar um padre aqui! - A Berta tampou o nariz. - Sentiram o cheiro de enxofre? Acho que a D. Carmem está possuída mesmo!
Nós começamos a rir enquanto a Carmem ficava verde, mas não era só de raiva! As flatulências eram o primeiro efeito do meu leitinho! Esse jantar estava saindo melhor do que pensei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...