"Eva"
Tinha sido uma noite memorável! Eu fui preparada para a batalha e ter o Matheus como aliado não só tornou tudo mais fácil pra mim, como também tornou muito mais divertido. E eu não póderia me esquecer da Gabriele, ela foi perfeita quando bebeu o suco de tomate e suportou a ardência, ela adorava pimenta e como estava bastante acostumada conseguiu fazer aquela cara de quem estava bebendo água. A Carmem ficou roxa de raiva! Mas eu queria dar o golpe de misericórdia, eu queria dormir na cama do José Miguel, só para que ela entendesse que não adiantava, ela não iria nos separar.
Claro que quando eu sugeri para o José Miguel que passássemos a noite lá eu não tinha certeza se ele estava pronto para concordar com isso, afinal eu tinha entendido como aquela casa e a Carmem o levavam de volta para o luto e a culpa e eu respeitava os sentimentos dele, mas eu queria que ele se libertasse daquelas coisas horríveis. Quando ele concordou com o meu pedido, eu percebi que alguma coisa nele tinha mudado, alguma coisa que o trazia mais para perto de mim e eu estava feliz com isso, porque eu percebia que ele estava feliz comigo.
E não adiantou a Carmem bater na nossa porta, meu namorado estava cheio de disposição e praticamente não me deixou dormir e mesmo tendo uma noite tão agitada, na manhã seguinte eu estava cheia de energia. Tão cheia de energia que tive uma idéia que ia muito além de perturbar a cobra de aplique durante o café da manhã e quando ela apareceu na cozinha, eu estava lá, junto com a Gabriele, preparando o café, enquanto o José Miguel e o Matheus estavam nos observando da mesa.
Eu havia convencido o José Miguel a dar uma folga para a Candinha, a Berta e os outros funcionários da casa, dizendo para ele que era melhor tirar todos de casa até a cobra de aplique se acalmar ou ela descarregaria toda a raiva neles. O José Miguel concordou que não era justo que eles sofrerem pelas travessuras que o Matheus e eu aprontamos, principalmente a Candinha e a Berta.
- Onde está a Cândida? - A Carmem perguntou já irritada e todos nós nos viramos para observá-la.
A Carmem estava abatida, com grandes olheiras escuras sob os olhos, nitidamente cansada, mas aquele aplique horroroso já estava pregado na cabeça dela.
- Bom dia, Carmem! Seja educada com os nossos convidados. - O José Miguel respondeu em tom de alerta.
- Eles não são meus convidados! São intrusos! - A Carmem realmente estava mal humorada.
- Você deveria ter seguido o conselho do Matheus, cobra de aplique. - Eu dei um grande sorriso e me sentei no colo do José Miguel. - Funciona! - Eu dei um beijo no José Miguel e abri um sorriso para a Carmem. - Bom dia, mentirosa irritante!
Ela me fulminou com o olhar, mas eu não estava nem aí, eu colocaria todas as mentiras dela na mesa de café da manhã, só para ela ter certeza de que o José Miguel sabia o quanto ela era falsa. Eu teria feito isso no jantar, se já não tivesse sido tão divertido.
- José Miguel, onde está a Cândida e por que o meu café ainda não foi servido? - Ela rangeu os dentes enquanto fazia a pergunta.
- A Candinha ganhou o dia de folga, Carmem. Assim como a Berta, a faxineira, a lavadeira e o jardineiro. - O José Miguel avisou.
- Não tente se matar hoje, imvocação do mal, porque não vai ter ninguém em casa para te socorrer e você pode acabar dando um passeio no inferno. - O Matheus emendou e eu quase deixei o riso escapar.
- E quem vai servir o meu café? Quem vai limpar o meu quarto? - A Carmem elevou o tom de voz. Ela estava começando a se dar conta de que o dia dela não seria fácil.


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