"Gabriele"
Se aquele Carrapato pensou que ia passar todos esses dias, semanas na verdade, me tentando e depois fugiria como um covarde, ele estava enganado. Durante o trajeto eu me distraí um pouco conversando com a Eva e só percebi para onde fomos quando o Rossi passou pela portaria do condomínio.
- O que nós vamos fazer na casa do Carrapato, Rossi? Eu não vou ficar esperando ele chegar! Você vai me levar onde ele está, ainda que seja na casa da coisinha que ele acha que vai pegar. - Eu respondi irritada só com o pensamento.
- Calma, Gabi, o Matheus está em casa. - O Rossi respondeu com aquele jeito calmo dele que, naquele momento, me irritou.
- Não acredito, ele marcou com uma periguete aqui? Na casa dele? Ah, eu sabia que era mentira, sabia! Ele deve encher essa casa de mulheres seminuas! Isso aqui deve ser tipo a mansão daquela revista que publicava fotos de mulheres lindas, peitudas e nuas! Não acredito! E eu idiota acreditei quando ele disse que não trazia mulheres aqui. Claro que ele traz mulheres aqui e traz às pencas! - Eu estava furiosa comigo por ter caído naquela conversinha mole. - Pode voltar, Rossi, me leva pra casa! E nem reclama, você está me devendo.
- Ela é tipo agiota? A gente fica devendo, ela cobra os juros da cabeça dela e a gente nunca consegue pagar? - O Rossi olhou para a Eva que caiu na gargalhada.
- É bem por aí! - A Eva se limitou a responder e o Rossi estaciou em frente a casa do Matheus e se virou para trás para me encarar.
- Pode me levar de volta, Rossi, já disse. - Eu cruzei os braços e olhei para o outro lado.
- Gabizinha, eu gosto muito de você, mas agora você vai me ouvir e bem caladinha! - O Rossi estava sério. - O Matheus não traz mulheres para a casa dele. Ele trouxe você, o que me surpreendeu muito, e isso me diz muito sobre o que você significa para ele. Ele está sim reconsiderando algumas coisas, porque ele se deu conta de que gosta de você, gosta da sua companhia e ele acha que você só quer ser amiga dele e que talvez você ainda sinta algo pelo irmão da Eva.
- Eu não sinto nada por aquele babaca! De onde o Carrapato tirou isso? - Eu perguntei emburrada.
- Tirou do fato de que você o usou para provar sei lá o quê para o babaca! - O Rossi me encarou, mas não parou por aí. - Sabe o que eu acho de verdade?
- O quê? - Eu perguntei meio emburrada.
- Eu acho que na verdade você está muito a fim do Cachorrão e usou o babaca como desculpa para se aproveitar do meu amigo. - O Rossi deu um sorriso atrevido.
- Rossi! Eu não me aproveitei do seu amigo! - Eu respondi com um leve sorriso de diversão.
- Ah, qual é, Gabi? Você usou a desculpa de que queria dar uma lição naquele babaca só para agarrar o Cachorrão e você aproveitou bem as oportunidades. - O Rossi esteitou os olhos pra mim com aquele sorrisinho de quem tinha me pegado no flagra e eu comecei a rir.
- Talvez inconscientemente eu tenha feito isso. - Eu respondi encarando o Rossi e aquela carinha bonita de sabe tudo dele. - Tá, eu me aproveitei um pouco.
- Então desce desse carro, vai lá e agarra o Cachorrão de verdade, porque ele gosta de você e te quer na vida dele e está começando a achar que vai ter que se conformar em ser seu amigo.
- Mas o Cachorrão não se apega, Rossi! - Eu falei, séria dessa vez.
- Caralho, Gabriele! Você é uma mulher linda, bem resolvida, independente, forte e dona de si, está com medo de ir lá e conquistar um homem só porque ele ainda não encontrou uma mulher que abale o mundo dele? Foda-se essa merda toda! Vai lá e mostra pra ele a gostosa que você é e deixa esse homem comendo na sua mão, porra! - A Eva me olhou irritada e o Rossi olhava pra ela com um sorrisinho bobo.
- Rostinho de princesa, boquinha de motorista bringando no trânsito! - O Rossi falou para a Eva e ela olhou para ele como se tivesse recebido uma declaração de amor.
- Cachorrão, entrega pra você, abre depressa! - A Eva falou rápido e eu nem tive tempo de pensar.
Eu ouvi o click do portão sendo destravado, a Eva abriu me empurrou pra dentro e fechou depressa com um baque. Ela fechou, mas não entrou. Só que eu fiquei lá dentro, olhando para o portão travado e que só abriria de novo com um toque do interfone.
Eu respirei fundo e me virei devagar. O Matheus estava parado, encostado na porta da casa, usando um jeans preto e camiseta branca, com os braços cruzados sobre o peito, que ressaltavam seus músculos na camiseta, parecendo esperar que eu me movesse, mas sem dizer uma única palavra. Ele não tinha um sutiã na cabeça, mas eu ainda estava esperando a loira aparecer. Eu caminhei lentamente até ele.
- Quer falar comigo, Peste? - Ele perguntou quando eu parei na frente dele, sem um sorriso, sem mover um músculo da face, mas com todos os músculos dos braços e do peitoral mexendo com a minha cabeça.
- Ah, quer saber, quero mesmo, foda-se, eu coloco essa loira pra fora nem que seja pelos cabelos. - Eu me enchi de coragem.
- Que loira, sua maluca? - Ele me olhou confuso e eu coloquei um dedo na boca dele para silenciá-lo.
- É o seguinte, Carrapato, que porra é essa de ficar no meu pé, me encher o saco, me encher de beijo, me provocar daquele jeito gostoso lá na casa do Rossi, pedir para eu te levar para a minha cama e depois vir com essa de cair fora? Você é oito ou oitenta assim mesmo? Não tem meio termo não? - Eu desabafei tudo de uma vez, com o dedo na boca dele.
Os olhos dele brilharam, ele segurou o meu pulso e mordeu a pontinha do meu dedo, mandando uma corrente elétrica por todo o meu corpo, antes de me puxar pela cintura e me grudar no peito dele.
- Comigo não é oito ou oitenta, Peste, comigo é sessenta e nove!
Enquanto ele me levava para dentro e batia a porta, a boca dele encontrou a minha, nossas línguas se exploraram em um ritmo íntimo e coordenado, numa comunicação silenciosa de "eu te quero". Meu coração estava batendo no peito como um tambor, minhas pernas estavam bambas e eu só queria que aquele beijo durasse para sempre!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...