“Eva”
Eu tinha feito de novo! Eu tinha cometido o erro idiota de ir pra cama com aquele homem. E por quê? Porque eu bebi um pouquinho, fiquei corajosa e ele é um tremendo gato! Mas o pior é que dessa vez eu sabia quem ele era e ele era o meu chefe, só que eu esqueci! E nós também esquecemos de um detalhezinho de nada chamado preservativo. Eu realmente merecia o prêmio de idiota do ano.
Como uma pessoa adulta e responsável, se esquece do preservativo? Mas, também, com aquele homem gostoso arrancando a minha roupa ficava difícil de lembrar até o meu próprio nome. Mas era melhor eu nem pensar nisso, porque eu estava curtindo todos os efeitos da ressaca, não só a moral, a do álcool também, incluindo o estômago ruim que não deixava parar nada do que eu comia.
E entre sair da cama com vontade de vomitar e conseguir ficar de pé, eu precisava correr, se não quisesse me atrasar para o meu primeiro dia, então eu engoli os dois comprimidos para a dor de cabeça e saí de casa apressada.
- Está com pressa, Eva? Acho melhor remarcar o seu compromisso, porque você está me devendo algumas explicações. – O Leon estava do lado de fora do meu portão, encostado no carro, aparentemente me esperando.
- Leon, vai procurar a Carla, vai. Não estou com tempo nem com paciência! – Eu olhei para ele irritada, mas ele segurou o meu braço e me puxou.
- Não banque a engraçadinha, Eva. Você me deve explicações. – Ele repetiu e eu me virei para ele.
- Leon, me solta! Eu não te devo nada! Eu não sou sua namorada, aliás, nunca fui, não é, Leon! – Eu puxei meu braço e saí andando em direção ao ponto de ônibus.
- Não é assim, Eva, a gente tem um lance. – Ele veio andando atrás de mim. – Eva, para com essa pirraça! Eva! – Ele aumentou a voz e eu o ignorei. – Eva, chega! – Ele segurou o meu braço de novo, com mais força e me virou para ele. – Agora você vai entrar no meu carro e vai me explicar direitinho quem é aquele babaca que estava com você ontem.
- Meu solta, Leon! Ou eu vou gritar. – Eu ameacei e ele me soltou. – Eu não te devo explicação nenhuma, Leon! Eu nunca fui mais do que um passatempo pra você, mas isso acabou. Acabou, Leon! Vai resolver os seus problemas com a Carla, vai procurar outra otária pra você fazer ciúme na sua namoradinha, mas me esquece, tá bom. Esquece! Eu cansei, Leon! E, na verdade, te olhando agora, eu já nem sei o que foi que eu vi em você.
Eu o olhei e foi como se um encanto tivesse sido quebrado ou uma venda sido tirada dos meus olhos, eu simplesmente percebi que eu estava sendo apenas uma criança mimada que só queria o brinquedo porque não podia tê-lo. A verdade é que se eu senti algo pelo Leon, aquilo não existia mais e foi ali na calçada perto da minha casa que eu percebi isso. Ele me encarou surpreso, mas logo começou a rir.
- Essa é a sua nova tática para chamar a minha atenção? Me desprezar para me fazer correr atrás de você? – Ele perguntou e deu uma risada. – Ah, Eva, essas coisas não funcionam comigo! Vai, entra no carro, eu ainda tenho um tempinho antes de ir para o trabalho, a gente pode parar em algum lugar e matar a saudade.
- Leon, isso é ridículo! – Eu olhei para ele percebendo como eu fui idiota, achar que gostava de um cara que me tratava como uma qualquer. Eu realmente estava cega. – Sabe, Leon, eu me dei conta de que eu não sinto nada por você. É, eu só estava iludida, atraída por um cara que ficava brincando comigo. Mas foi isso, Leon, só atração e já passou. Faz um favorzinho pra nós três? Vai atrás da Carla.
Eu vi um taxi se aproximando, fiz sinal e entrei assim que ele parou, mas o Leon segurou a porta antes que eu a fechasse.
- Eva, se você me deixar aqui, pode esquecer que eu existo. – Ele me ameaçou e eu dei uma risada.
- Ai, Leon, você não percebeu ainda? Eu já te esqueci! – Eu vi o queixo dele literalmente cair, o que fez o meu sorriso ficar ainda maior. Então eu fechei a porta do taxi e deixei o Leon para trás. Até que o meu dia não estava tão ruim.
Eu saí do taxi em frente ao prédio onde eu iria trabalhar, era um prédio imponente, com a fachada toda em vidro espelhado e logo na entrada eu vi um sorriso agradável que eu já conhecia.
- Eva! Você voltou. – O Julio, que havia me ajudado no dia anterior, me cumprimentou alegremente.
- Bom dia, Julio. Vamos nos ver todos os dias, já que eu vou trabalhar com o Sr. Rossi. – Eu contei e ele continuou sorrindo.

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