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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 23

“Carmem”

Eu sabia que o José Miguel não havia voltado pra casa, eu passei a noite em claro vigiando. Culpa do Matheus, aquele advogado do diabo, aquele amiguinho seboso. No ano anterior tinha sido a mesma coisa, eles saíram, encheram a cara e o José Miguel voltou para casa completamente bêbado e chorando. Foi até bom, eu pude mostrar a ele que ele só tem a mim. Eu dei remédio, fiz a comida, mostrei a ele que ele tem que permanecer fiel a promessa que fez para a Cora.

Então, dessa vez eu me sentei na sala e esperei que ele chegasse desesperado. Era tudo o que ele sentia desde que a Cora e os bebês morreram, culpa e desespero. E eu alimentei isso dia após dia, para mantê-lo ao meu lado, para mantê-lo para mim. Ele era meu! Talvez esse ano ele finalmente percebesse isso.

E enquanto eu esperava, eu fiquei pensando em tudo o que tinha acontecido naquele dia do acidente. Quando ele se casou com a Cora, eu a convenci de que ela era obrigada a me trazer para morar com eles, afinal, ela era a minha única filha e a única família que eu tinha. Mas a Cora era muito ciumenta e não suportava que nem mesmo eu, que era a mãe dela, me aproximasse do José Miguel. Se bem que isso eu até entendia, ele sempre foi um homem lindo! E eu alimentava o ciúme dela, para que ela ficasse atenta e não permitisse que nenhuma mulher o tirasse de nós.

Mas depois que ela engravidou dos gêmeos, ela ficou muito pior, ela se descontrolava e fazia cosas idiotas. Ele já estava se cansando e acabaria nos deixando, mas ela parecia não perceber. No dia do acidente, eles brigaram logo pela manhã, por causa do aniversário de alguém, ela não queria ir e ele insistia que era importante. Mas ela fez uma birra ridícula e bateu o pé.

Ele saiu para o trabalho e não voltou no horário de sempre, eu falei para ela tantas vezes que ela deveria ir atrás dele, que ele deveria estar no tal aniversário e que ela deveria ir e mostrar para todos que ela era a esposa dele. Marcar território e trazê-lo pra casa.

Mas a Cora não sabia o que fazia. Ela foi e o encontrou no bar, no tal aniversário, fez um escândalo e, conhecendo a Cora, foi muito pior do que ele contou. E aí eles saíram do bar e entraram no carro e a cora estava tão abalada que ela fez aquela idiotice de puxar o volante. E ela morreu, porque estava sem cinto de segurança e foi arremessada pelo parabrisa.

Ai, aquela dor de ver a vida se apagando dos olhos da minha única filha e depois vê-la no caixão, eu nunca vou poder esquecer aquilo. E o José Miguel também não! Nós estamos unidos por essa dor!

E enquanto eu revisitava as minhas lembranças eu vi, através da janela, o carro dele chegando e corri para o sofá. Assim que ele abriu a porta eu estava preparada para abrir os braços e receber o homem bêbado, desarrumado e desesperado de sempre, mas eu não estava preparada para receber aquele homem, alinhado, altivo e indiferente. Algo nele estava mudando e eu precisava descobrir o quê e quem estava fazendo isso.

- Isso são horas, José Miguel? Você saiu ontem e me deixou sozinha com os convidados e…

- Seus convidados, Carmem! Duvido que eu tenha feito falta. – Ele respondeu indo direto para a escada.

Eu o observei por um breve mometo, ele estava de roupa limpa, penteado, perfumado, impecável como quase sempre. Sua voz estava firme. Eu me aproximei e ele não tinha cheiro de álcool ou qualquer sinal de ressaca. E quando ele se virou eu notei algo diferente em seu olhar. Alguma coisa tinha acontecido eu precisava descobrir o quê!

Ele se virou pra mim e com a voz firme, aquele tom autoritário, e fez uma exigência:

- Carmem, você tem até amanhã para guardar outra vez todas essas fotos que você espalhou pela casa. Se amanhã, quando eu acordar, você não tiver feito isso, eu mesmo vou tirá-las e vou queimá-las. Você enendeu?

- José Miguel, o que é isso? É a sua família! Sua esposa, seus filhos, e você quer se livrar deles? Ah, claro, você já os matou, agora quer apagar que um dia eles existiram, não é?! Para tentar deixar a sua consciência mais leve. Mas não vai funcionar, José Miguel, você nunca vai se livrar dessa culpa.

Ele me encarou com os olhos frios e o semblante de raiva contida.

- Pode ser, Carmem, pode ser que eu sempre carregue essa culpa comigo. Mas eu não preciso olhar todos os dias para as memórias de um tempo que passou e não volta mais. Então tire essas fotos ou eu vou queimá-las!

- Ah, claro, vossa alteza, afinal você é quem manda aqui, não é?!

Capítulo 23: Esperando por ele 1

Capítulo 23: Esperando por ele 2

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