“José Miguel”
O Matheus parecia não ter nada para fazer da vida, como se tivesse decidido passar a manhã ali no meu escritório observando o que não era da conta dele. E ele cismou em falar com o Enzo e estava me enlouquecendo, mas eu não queria o Enzo xeretando no meu andar, por outro lado, eu também não pisava naquele recursos humanos a menos que fosse totalmente necessário, a diretora daquele departamento era insuportável.
- Já chamou o garoto, Rossi? – O Matheus me perguntou enquanto tirava do lugar qualquer coisa na estante.
- Já chamei, Matheus! Agora senta e fica quietinho, eu estou trabalhando. Ah, e você não vai dar nem uma palavra sobre a minha relação com a Srta. Sanchez. Se o Enzo cismar com isso, ele não vai me dar paz nunca mais.
- Ah, já está admitindo que existe uma relação entre vocês?
- Não seja palhaço, Matheus! Você entendeu o que eu disse.
- Perfeito, pelo amor de Deus, me tira daquele inferno daquele departamento. – O Enzo entrou no meu escritório reclamando. – Aquela dominatrix é o demônio!
- Ah, garoto, você não conhece o demônio ainda! – O Matheus comentou olhando pra mim e deu um abraço no Enzo.
- E aí, cachorrão! Fala para o seu amigo fazer essa caridade pra mim, eu não suporto aquela chata! Poxa, eu tirei aquela mulher do seu pé, Perfeito! – O Enzo reclamou e eu ri.
- E até hoje eu não sei como você fez isso, mas eu agradeço. – Eu comentei.
- Eu tenho meus métodos! – O Enzo se sentou em minha frente.
- E falando em métodos, Enzo, você bem que podia me ajudar com uma gata. – O Matheus se sentou ao lado do Enzo.
- Não me diga que você já notou a nova assessora? – O Enzo perguntou ao Matheus, mas estava de olho em mim.
- Ah, a nova assessora… ela é de virar o juízo de qualquer homem! – O Matheus comentou, também olhando pra mim. Mas eu fingi que estava ocupado com meu relatório e ignorei os dois. – Mas não, tem uma outra aí que está bancando a difícil.
- O seu problema, Cachorrão, é que você é muito fácil! – O Enzo deu uma risada.
- O que você acha de sairmos no sábado? Você leva a Luna, eu convido a garota, você e a Luna falam bem de mim, dão aquela forcinha… – O Matheus era um cara de pau, mas eu tinha certeza que não era por esse caminho que ele chegaria a Gabriele.
- Sábado eu não posso, é o casamento da Melissa. Você vai, não é, Perfeito? – O Enzo me encarou e se não fosse a Melissa eu não iria, eu odiava casamentos.
- O Rossi? Em um casamento? – O Matheus deu uma risada. – Ele não é muito fã dessas coisas.
- É, não sou, mas nesse eu não poderia deixar de ir. A Srta. Melissa merece toda a consideração. – Eu expliquei.
- Sei! E quem você vai levar com você? – O Matheus estava com a língua coçando para contar da Srta. Sanchez para o Enzo, estava cheio de gracinha.
- Eu vou sozinho, Matheus! É um casamento, mas é como um evento profissional, entendeu?! Sem diversão, apenas consideração pela noiva! – Eu expliquei e ele começou a rir.
- Entendi. Então a Evita também vai, né?! Já que ela conhece a Srta. Melissa. – O Matheus continuou com as provocações e às vezes eu queria mandá-lo ao inferno.
- Provavelmente ela vai. – O Enzo comentou. – Seria educado que você a convidasse para te acompanhar, Rossi, afinal ela é nova na empresa, é sua assessora e já que você acha que o casamento é tipo um evento profissional, faz sentido.
- Eu não vou convidá-la, Enzo. Isso não seria ético! – Eu deveria ter pensado em algo melhor para dizer, mas eu não consegui.
Eu tinha quase certeza de que a minha assistente também estaria naquele casamento, mas eu tinha um plano perfeito, eu me manteria o mais longe possível dela. O que eu não podia deixar acontecer é que o Matheus estivesse certo e eu caísse em tentação.
O Enzo e o Matheus ainda ficaram de gracinha no meu escritório por um bom tempo e o Enzo me convenceu a pedir a sua remoção para o meu departamento, na verdade eu fiquei com pena do garoto, porque a diretora do recursos humanos estava sendo maquiavélica com ele. Então eu fiz a ligação para a Melissa e pedi que ela conseguisse a transferência dele pra mim.
- Pronto, Enzo! A Melissa vai resolver. – Eu avisei depois de desligar o telefone.
- Perfeito, você é o máximo! Agora vamos tomar um café. – O Enzo chamou e foi se levantando.
- Eu adoraria, senhores, mas tenho que ir trabalhar. – O Matheus deu uma olhada no celular.



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