“Carmem”
Se o José Miguel pensava que queimar aquelas fotos seria uma boa idéia, eu o faria se arrepender amargamente! Mas antes disso, eu tinha que descobrir o que estava acontecendo, porque ele estava tão diferente.
Era como se ele começasse a se soltar das minhas cordas, começasse a não se importar com as coisas que eu dizia. Eu tinha que colocar fim no que quer que estivesse se colocando entre nós, tinha que voltar a ter total domínio sobre ele.
E foi por isso que, assim que ele saiu, eu o segui. Entrei no meu carro e fui atrás dele. Eu ficaria o dia todo vigiando aquela empresa se precisasse. Eu vi o José Miguel entrar no estacionamento, vi aquela assistentezinha oportunista entrar no prédio e vi o amiguinho do inferno chegar. E de uma coisa eu sabia, eu precisava me livrar daquela intrometido do Matheus.
Eu fiquei observando e o tempo parecia não passar. Era tão chato fazer esse tipo de coisa, eu já tinha até perdido o costume! Já fazia tempo que eu não precisava vigiar ninguém! Eu vigiei o José Miguel muito, desde que ele conheceu a Cora, não foi à toa que ela conseguiu conquistá-lo. Mas depois que a Cora morreu, eu o vigiei apenas umas poucas vezes, ele estava tão controlado que eu não precisava me preocupar.
Mas agora, as coisas pareciam estar mudando e eu tinha que tomar providências e eliminar as ameaças. E algo me dizia que a ameaça era aquela lombriga enfeitada da assistente.
Eu estava observando e vi aquele segurança do outro dia na porta e a lombriga enfeitada apareceu e começou a conversar com ele. Eu estreitei os olhos para observar bem. Será que eu me enganei? Será que o alvo da lombriga enfeitada era o segurança e o meu problema era mesmo o amiguinho do inferno? Se fosse, seria muito mais fácil, porque com aquele insuportável eu estava acostuimada a lidar.
Eu vi a assistentezinha atravessar a rua com o segurança e os dois se sentaram no café, bem perto da janela e conversavam com certa intimidade, ela estava cheia de sorrisinhos pra ele. Então eu voltei a olhar para o prédio. E eu fiquei pensando, eu precisava dar um jeito daquela secretária do José Miguel ser mais simpática comigo, mas aquela Sara era uma mal educada. Mas eu precisava de um aliado ali naquela empresa.
E enquanto eu ia tentando pensar em como cativar aquela secretária, o José Miguel saiu do prédio com o amiguinho do inferno. Eles atravessaram a rua e, do outro lado, a lombriga enfeitada estava envolvida em uma confusão com outro homem que eu nem tinha idéia de onde surgiu. Mas eu vi o José Miguel s eprecipitar na direção deles e acertar um soco- no rapaz. Mas o que estava acontecendo?
A cena que se desenrolou na minha frente me deixou atordoada, o José Miguel segurando carinhosamente o rosto daquela mulherzinha, brigando com aquele rapaz e o jogando no chão e depois voltando para o prédio da empresa de mãos dadas com a lombriga enfeitada. De mãos dadas! Aquilo era um completo desastre!
Eu soquei- o volante, a irritação fervendo em minhas veias, e olhei para o rapaz que se levantava na calçada. Ficou claro pra mim que ele queria alguma coisa com aquela fulaninha e que isso irritava o José Miguel. Eu precisava me aproximar daquele rapaz!
Eu liguei o carro e guiei o carro até onde ele estava, já se afastando da cafeteria de onde a fulaninha tinha saído. Eu desci o vidro e o chamei.
- Ei, meu jovem! Rapaz! – Eu insisti até que ele olhou para mim e apontou para si mesmo. – Sim, você! Vem cá!
Ele se aproximou e se curvou, me olhando sem entender nada. Eu abri um sorriso.
- Entra aqui, eu gostaria de falar com você! – Eu pedi com a voz mais gentil que consegui.
- Minha senhora, minha mãe me ensinou a nunca entrar em carro de estranhos. Eu não vou entrar. O que a senhora quer? – Ele perguntou irritado e eu tive vontade de pegar aquele moleque pela orelha e puxá-lo para dentro do carro pela janela.
- O que eu quero é do seu interesse também, considerando a cena que eu acabei de assistir. Entra, não dá para conversar assim. – Eu insisti e ele riu.
- Eu não vou entrar! Sei lá que tipo de lunática você é! – Ele só podia estar de deboche! Que moleque chato!
- Meu jovem, por algum acaso eu tenho cara de assassina? – Eu perguntei impeciente.
- De assassina não, mas de chata, implicante, mandona e grudenta, a isso você parece! – Ele riu.
- Olha aqui, eu vou te desculpar porque você acabou de passar por uma situação desagradável. – Eu respirei fundo. – Eu vou estacionar, nós podemos tomar um café ali! – Ele me olhou em dúvida. – Não seja idiota! O que você tem a perder? E aproveita e arruma um gelo pra colocar aí nesse rosto que já está inchando.

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