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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 37

“Carmem”

Eu acordei me sentindo tão bem, como se tivesse dormido um sono relaxante e revigorante. Eu só não espreguicei porque sabia exatamente onde estava e com quem estava, precisava parecer acabada e à beira da morte. As luzes do quarto estavam acesas e eu pisquei algumas vezes para me adaptar a claridade. Olhei para o lado e ele estava ali, arrasado como eu imaginei que estaria. Ah, José Miguel, tão previsível!

- Huumm… - Eu gemi como se estivesse com dor e me mexi um pouco na cama.

Ele levantou a cabeça e me olhou, em silêncio, com uma expressão enigmática. Havia algo errado.

- José Miguel?! Eu… o quê… você deveria me deixar morrer… - Eu me fiz de confusa e deprimida e tentei chorar.

- Será que você quer mesmo morrer, Carmem? – Ele perguntou com a voz fria.

- José Miguel! – Eu o encarei em choque.

- Sabe, Carmem, se você quer mesmo morrer, eu acho que você precisa de ajuda profissional, alguém que te ajude a atravessar o luto perpétuo no qual você vive e esse não sou eu. – Ele falou com calma e serenidade, uma serenidade que eu não via nele desde antes da Cora morrer.

- José Miguel! – Eu me sentei na cama chocada.

Da outra vez ele tinha sido maravilhoso, estava aos prantos na beirada da minha cama, desesperado, culpado, pronto para fazer tudo o que eu queria. Ficou três dias e noites ao meu lado. O que tinha acontecido agora?

- Carmem, eu estou mesmo muito preocupado com você e pensando nisso eu tomei algumas decisões. – Ele me olhava como se analisasse cada reação minha.

- Do que você está falando? – Eu não sabia o que esperar.

- Estou falando que eu contratei uma enfermeira para você, alguém que vai ficar com você aqui no hospital e que vai cuidar de você em casa. Não se preocupe, você vai adorar a Berta! Ela vai ser uma excelente companhia pra você! – Ele sorriu, um sorriso que não deveria estar ali.

- Eu não quero uma enfermeira, José Miguel! É sua obrigação cuidar de mim, sua! Você prometeu para a Cora! – Eu respondi nervosa, agora sim as lágrimas de raiva estavam chegando aos meus olhos.

- Não, Carmem, eu prometi a Cora que eu cuidaria de você e atenderia a todas as suas necessidades, que eu te manteria bem. Acontece, Carmem, que, da forma como as coisas estão indo, eu realmente não estou cumprindo o que prometio a Cora. Carmem, eu acho que estou te fazendo mais mal do que bem e que você precisa de alguém que realmente possa te ajudar.

- Do que você está falando? É você quem pode me ajudar, você que tirou a minha filha… - Eu estava sentindo a raiva tomar conta de mim.

- Exatamente, Carmem! Eu estou sentindo que nossa convivência tem despertado em você sentimentos ruins, de dor, de aflição. Você está deprimida o tempo todo, você tentou se matar, duas vezes. Eu prometi para a Cora que você ficaria bem e você não está bem!

- José Miguel, você não pode me abandonar! – Eu avisei e ele sorriu de novo.

- Calma, Carmem, eu não estou te abandonando, estou apenas oferecendo exatamente o que precisa, um pouco de distância e alguém que realmente pode te ajudar. – Ele falou e havia na voz dele uma determinação que eu nunca tinha ouvido.

O que tinha acontecido? Eu havia armado a cena perfeita, eu combinei com o médico o que ele deveria dizer e eu tinha certeza que ele fez exatamente o que eu pedi. Então porque o José Miguel estava agindo daquele jeito, como se estivesse indiferente?

Eu o observei por um momento, observei o seu rosto e foi então que meus olhos captaram algo minúsculo, mas que gritava a razão para o comportamento dele. Havia uma pequena mancha de batom no colarinho da camisa dele, algo que eu só notei porque ele estava sentado ao lado da cama, mas era uma mancha de batom. Ele estava se envolvendo com outra mulher e isso me fez arder de ódio!

- É isso, não é?! – Eu apontei para o colarinho dele. – Essa mancha de batom! Seu mentiroso traidor! Você está se esfregando com outra mulher! Você está traiondo a Cora de novo! O MESMO MOTIVO SEMPRE! TEM OUTRA MULHER! – Eu comecei a gritar desesperada, ele estava sendo infiel, ele estava me traindo!

- Carmem, eu não sei de onde você tirou isso, mas ainda que fosse, uma coisa não tem nada a ver com a outra! – Ele continuava calmo e sereno.

- DE ONDE EU TIREI? EU TIREI DESSA MANCHA VULGAR DE BATOM NA SUA CAMISA! – Eu gritei.

- Como quiser, José Miguel. – Eu falei com a voz resignada.

- Muito bem! Berta, agora é com você! Muito obrigado! – Ele sorriu para aquela mulher, se depediu dela com um aperto de mão e foi em direção a porta.

- Onde você vai? – Eu perguntei aflita.

- Pra casa, você já tem companhia. – Ele nem se virou enquanto abria a porta.

- Quando você volta?

- Eu não volto, Carmem! – Ele me olhou por cima do ombro e saiu, fechando a porta atrás de si.

A tal Berta me olhou com aquele sorrisinho e uma outra enfermeira entrou no quarto.

- Bertinha, trouxe o que você pediu, sua paciente vai dormir a noite inteira como um bebê!

- Ah, que ótimo! Obrigada, Tati!

- Eu não quero dormir, saiam daqui vocês duas! – Eu avisei, mas a tal Berta se aproximou e segurou o meu braço fortemente.

- Ah, olha Tati, essa é uma urtiguinha! Fica calminha, querida, você vai relaxar e descansar. E me deixar dormir porque ninguém merece ficar acordado a noite toda. – A Berta me olhou com aquele sorrisinho indecifrável. – Urtiguinha, vamos deixar as coisas bem claras entre nós, daqui pra frente é do meu jeito, tá bom!

E em pouco tempo eu senti um sono incontrolável, contra o qual eu não podia lutar, eu simplesmente apaguei!

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