"Eva"
Ele saiu me puxando pelo salão, abraçado a minha cintura, praticamente me carregando, na frente de todo mundo, como se não se importasse mais que todos nos vissem juntos.
- Eu preciso pegar a minha bolsa na mesa. - Eu me lembrei e ele virou em direção a mesa.
- Ah, olha eles aí! - O Enzo estava sentado, abraçado a Luna, que me deu uma piscadinha de cumplicidade. - Vão se sentar e compartilhar o que está acontecendo com a gente ou você vai continuar se desculpando, Perfeito?
- Desculpa não poder ficar, Enzo, mas eu vou passar o resto da noite me desculpando com a Evita! - O José Miguel pegou a minha bolsa sobre a mesa e nem me deu tempo de me despedir, simplesmente me levou para fora.
- Fisga o peixão, Evita! - A Luna gritou pra mim, com aquele jeitinho meigo e divertido.
- Peixão, é?! - O José Miguel abriu um sorriso que derrubaria a minha calcinha se eu estivesse usando uma. - Esse peixão já está fisgado no seu anzol, amorzinho!
Quando o manobrista trouxe o carro dele, ele abriu a porta pra mim e deu um beijo na minha mão depois que eu me sentei no banco do carona. Ele deu a volta e se sentou ao meu lado, deu um sorriso e colocou o carro em movimento.
Mas havia uma certa tensão entre nós, como se ali, naquela atmosfera do carro, ainda tivesse um resquício da tensão da última vez, como se nós dois estivéssemos com medo de fazer ou dizer alguma coisa que acabasse outra vez com o momento. Mas o silêncio também era pesado demais.
- Você pode colocar uma música? - Eu pedi e ele ligou o som do carro.
A música que começou a tocar me surpreendeu, era ótima, mas eu nunca pensei que o Sr. Rossi ouvisse música eletrônica. Eu adorava aquela música e ela me fez relaxar e me lembrar do quanto estar com aquele homem era bom. Mas aí a música tocou outra vez e ele parecia tão imerso nos próprios pensamentos que não notou. Talvez ele gostasse tanto da música que ouvisse duas vezes seguidas. Mas quando a música recomeçou pela terceira vez eu encarei o som do carro com as sobrancelhas franzidas.
- Droga! Desculpe, estava programado para repetir. - Ele apertou qualquer botão e mudou para uma playlist completamente diferente e totalmente depressiva. - Droga! Isso não combina com você. - Ele se atrapalhou e eu segurei a mão dele.
- Posso? - Eu pedi e ele fez que sim. Eu procurei pelo aplicativo e coloquei uma playlist de baladas românticas, já que nós estávamos fazendo esse negócio de mais uma vez, que fosse com uma trilha sonora envolvente!
- Você tem bom gosto! - Ele comentou e eu ri.
- É claro que eu tenho! Olha o peixão que eu fisguei. - Eu brinquei e ele deu uma gargalhada, encostando a cabeça no encosto do banco. Era tão raro que ele risse assim! Geralmente ele era tão sério.
- Eu estou um pouco nervoso. Considerando a última vez...
- Eu sei. Eu também sinto isso. - Eu confessei sem olhar pra ele.
Ele segurou a minha mão e a levou aos lábios, depositando um beijo lento ali. Ele manteve a minha mão entrelaçada na dele, sobre a sua perna, pelo restante do percurso. Era um gesto tão afetuoso e tão destoante da distância que ele sempre tentou manter. Era tão confuso!
- Chegamos! - Ele anunciou quando parou na garagem do apart e se virou pra mim. - Você está bem, amorzinho? - Eu comecei a rir. - Ah, você fica ainda mais linda sorrindo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe