"Eva"
Eu acordei com os raios de sol entrando pela fresta da cortina. Eu senti o braço do José Miguel sobre mim, o seu calor em minhas costas e a sua respiração quente em meu pescoço. Nós estávamos dormindo de conchinha, completamente agarrados. E era só perfeito e delicioso, nada demais, era só uma coisinha que ia foder com a minha cabeça, imagina!
Quando esse homem anunciou que faria ser impossível esquecê-lo eu ri, ele já respirava e isso era suficiente para ele ser inesquecível. O que mais ele poderia fazer? Nada! E aí ele veio e fez, fez todos os outros homens do mundo se tornarem coisinhas insignificantes, fez ser impossível mesmo até fingir que eu o esqueceria, fez ser impossível me conformar em ficar sem ele. Eu acho que o nome disso era estrutura abalada, instável, em risco de colapso!
Foi tudo tão intenso, tão perfeito, tão incrível, e acordar assim com ele só deixou tudo mais ampliado. Eu precisava sair dali, precisava sair antes que ele me dissesse que era para esquecer, porque dessa vez, se ele me dissesse para fingir que nada tinha acontecido, eu quebraria em milhões de pedaços e nunca mais poderia ser consertada.
Eu saí da cama devagar, ele tinha um sono invejável, dormia como um urso hibernando. E ele era lindo dormindo, nem precisava ser tanto, podia pelo menos babar, já que nem roncava, mas nem isso! Eu me levantei devagar e quando dei o primeiro passo o meu pensamento foi: "ele estava falando sério quando disse que eu não ia conseguir andar". Tudo doía, mas era uma dor deliciosa que me lembrava de cada toque dele, cada beijo.
Eu coloquei o vestido e peguei o bloquinho e a caneta na mesinha ao lado do sofá, escrevi um bilhete e, depois de passar op batom, depositei um beijo ali. Voltei, pé ante pé, até a cama, deixei o bilhete na mesinha e dei uma última olhada nele. Ai, como era lindo! E como era difícil me controlar para não me ajoelhar na cama e darmais um beijo naquela boca gostosa! Mas eu me controlei.
Eu peguei as sandálias no chão e saí dali com cuidado para não fazer barulho. Eu entrei no elevador, tinha dois homens lá dentro, eles me olharam com um sorriso, eram até bonitinhos, mas tão insignificantes perto daquela perfeição que eu tinha deixado dormindo. Aaaii, eu estava muito ferrada!
Eu fui pra casa e entrei bem devagar. Eu sabia que àquela hora minha mãe tinha saído para a sua caminhada matinal, então eu fui em silêncio para o meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama. Eu não queria tomar banho e tirar o cheiro dele de mim, pelo menos ainda não!
Eu fiquei um pouco mais na cama, até ouvir o movimento da minha mãe de volta a casa. Então eu me levantei e fui tomar um banho. Eu me arrastei até a cozinha e encontrei a minha mãe sentada com uma xícara de café. Ela me olhou com aquele sorriso de mãe que diz "não adianta esconder nada, eu sempre sei". Será que todas as mães tinham esse sorriso?
- Bom dia, mãe! - Eu fui até ela e dei um beijo no seu rosto.
- Bom dia, querida! Pelo visto a sua noite foi perfeita! - Minha mãe sorriu e eu queria muito que ela tivesse usado outra palavra, porque aquele perfeita me fez ruborizar e ela riu. - Conheceu o meu genro finalmente? - Ela perguntou e deu mais uma risada.
- Mãe! - Eu tomei um analgésico e me sentei em frente a ela. Que me observou e esperou. - A festa foi linda, a Melissa parecia uma princesa e sim, tinha alguém interessante lá, mas isso é tudo.
- Você sabe que eu não vou ficar perguntando, se e quando você quiser, você sabe que pode falar comigo.
- Obrigada, mãe! - Eu me servi de café.
- Querida, eu sei que você não quer saber nada sobre o seu pai! - Ela começou e eu apenas a olhei sobre a xícara. - Mas você precisa saber para tomar uma decisão.
- O que foi, mãe?
- Ele foi preso, Eva!
- Eu sei! Continuo sem me importar!
- Você não quer nem saber por que?
- Mãe, eu sei porque, não dá pra evitar os jornais! Eu sei que ele foi preso por estar envolvido com o tráfico de drogas e estar usando a farmacêutica para produzir drogas sintéticas. Olha, que pessoa baixa que é esse homem que doou o esperma pra senhora!
- Eva, menos!
- Ah, mãe, a melhor coisa que eu fiz na minha vida foi tirar o nome e o sobrenome daquele filho da puta do meu registro de nascimento! Eu tenho muito orgulho de dizer que sou filha de pai desconhecido!
- Eva, minha filha, controla os palavrões!
- D. Marta, minha mãe, as palavrinhas não são suficientes para definir aquele filho da puta do caralho!
- Meu Deus, às vezes você parece um torcedor de futebol no estádio! - Minha mãe levou a mão à testa e eu ri.
- Querida, eu sei que você não quer saber do Domani. Mas você precisa saber que o Dr. Romeu, o advogado que a Melissa nos apresentou, ele conseguiu reaver a farmacêutica. Filha, ele conseguiu reaver o nosso patrimônio, que o Domani roubou de nós.
- Ah, desse advogado eu gosto! Homem sério, de caráter, bonitão, não é, mãe?

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