"Matheus"
Eu só não estava mais preocupado com o José Miguel porque a Eva e o Nelson tinham entrado na vida dele, mas meu amigo precisava sair daquele inferno ao qual estava se condenando. Eu caminhei com ele até o carro, insistindo que ele chegasse no escritório e agarrasse a Eva para um beijo de bom dia, o que o fez rir. Eu o observei saindo e assim que eu vi o portão da garagem fechar eu corri de volta para a cozinha.
- Candi, minha linda, me ajuda! - Eu me sentei junto ao balcão.
- Já até imagino! - A Candinha riu. - Matheus, nós já aprontamos muito, a megera endemoniada vai ficar biruta naquele quarto.
- Ai, eu queria ser uma mosquinha pra ver! - Eu comecei a rir me lembrando do que a Candinha e eu fizemos no quarto da Carmem. - Mas você vai me contar tudo! Agora vem cá, o Rossi precisa de mais uns dias de folga, Candi!
- Eu tinha certeza disso e tomei providências. Vou ligar para a Berta para ver se deu certo. - A Candinha colocou o celular sobre o balcão e fez a chamada.
- Comadre! Como você está? - A voz simpática do outro lado da linha me fez duvidar que a Berta estivesse sendo tão boazinha quanto a Candinha e eu pedimos.
- Bem, comadre! E você, como estão as coisas por aí? - A Candinha perguntou.
- Ah, estão sendo verdadeiras férias, a minha urtiguinha é uma preguiçosa sabe...
- Sua maldita, você e aquela cobrinha peçonhenta que ficam me dando remédios para me fazer dormir. - Eu ouvi a Carmem gritar e ri, acho que eu me enganei, a Berta era um anjo.
- Só um minutinho, comadre! - A Berta falou e se afastou do celular. - Querida, você está muito nervosa, desse jeito o doutor não vai te deixar ir pra casa.
- Bom dia, senhoras! - Nós ouvimos a voz daquele imprestável do Mauro. - Como você está, minha querida?
- Mauro, eu quero voltar para a minha casa! Eu não quero continuar aqui. - A Carmem reclamou, ela estava irritada.
- Sinto muito, querida, mas você está muito alterada! Você precisa se acalmar, Carmem! Olha, há males que vem pra bem, foi bom você ter vindo para o hospital e ter ficado para um check up. Seus exames não estão bons, Carmem, todos alterados e a sua glicose está nas alturas! - O Mauro falou e eu olhei para a Candinha com um sorriso, era muita sorte.
- Mauro, não é possível! - A Carmem reclamou.
- Você não confia em mim, querida? - O Mauro perguntou com aquela voz de bajulação.
- Claro que confio, mas... - A Carmem parecia muito confusa.
- Olha, pode ser tudo porque você está muito nervosa, por isso eu vou te manter no hospital por mais alguns dias, para observarmos e repetirmos os exames. Te prescrevi uma dieta mais saudável e sem açúcares e um calmantezinho, se apenas com a dieta os seus níveis melhorarem eu te mando pra casa sem nenhum remédio mais. - Ah, mas o idiota do Mauro estava nos ajudando sem saber.
- Quanto tempo, Mauro? - A Carmem perguntou aflita. Eu quase tive pena... mentira, eu não tinha pena nenhuma da mãe do demônio.
- Uma semana, querida! - O Mauro falou e eu até quis dar um abraço nele.
- Mauro, eu não vou ficar aqui mais uma semana! - A Carmem reclamou e começou a se alterar.
- Carmem, é para o seu bem, para a sua saúde! Acredite, eu também não fico feliz em te ver nessa cama. Janice, trouxe os remédios da Carmem? - O médico perguntou a alguém.
- Sim, Dr. Mauro! - Nós ouvimos a voz firme de uma mulher.
- Carmem, prescrevi um calmantezinho leve, que vai te deixar mais relaxada. Eu tenho que fazer uma viagem, te vejo na próxima segunda, se mantenha tranquila e eu te dou alta. - O Mauro explicou, no fim das contas, nem ele aguentava a megera.
- Mauro, você vai me abandonar aqui? - A Carmem choramingou.
- Não estou te abandonando, querida, mas eu não consegui cancelar a minha participação no congresso em Cancun. A Janice é a única enfermeira autorizada a entrar aqui e apenas o médico que você já conhece e que é da minha confiança virá te ver. Relaxe, descanse e nos vemos na segunda. Eu já vou indo. - O Mauro explicou gentilmente.
Eu entendia o Mauro, eu também não trocaria Cancun pela renascida do inferno. Nem o José Miguel, com todas as suas culpas e neuras, trocava a Evita no paraíso pela megera satânica!
- Aqui, D. Carmem, tome os seus remédios... - A mulher falou, mas abaixou muito a voz no final. - Isso, tão boazinha! Só que não!
- Cheguei, urtiguinha! - Eu ouvi a voz da Tatiane.
- Sai, daqui! - A Carmem gritou
Passou um minuto até que a Berta voltasse ao telefone.

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